Visitas hospitalares

Janeiro 23rd, 2014

É sabido que as visitas dos familiares e amigos mais próximos são um aconchego para a alma de quem se encontra hospitalizado.

É um apoio psicológico e logístico, mas é, acima de tudo, o reconforto de ter por perto aqueles de quem mais gostamos, e uma forma de transformar aquele espaço de dor um pouco mais suportável, sentindo ao nosso lado o que de mais importante o nosso lar tem.

Isso é uma coisa.

Outra coisa, são as pessoas que insistem em ir visitar alguém que está no hospital, mesmo que não tenham grande ligação com essa pessoa, nem carreguem com elas nada de positivo para ajudar naquele momento difícil.

Há pouco tempo tive a oportunidade de estar perto da imensa fila de espera num hospital público, em hora de visitas, e apercebi-me que há indivíduos que nem sequer sabem o nome da pessoa que vão visitar.

Fazem-no por bons motivos?

A maioria, certamente, mas há autênticos profissionais da visitação, que vão repartindo o seu tempo entre os hospitais e os funerais, por “respeito” e “consideração” às pessoas.

Fazem-no de forma solene, semblante carregado e com a máxima atenção para o que se passa em redor, registando os movimentos que lhe parecem fora da norma e não se coibindo de os comentar.

Bisbilhotice, insensibilidade, invasão de privacidade, cara de pau?

Não!

“Altruísmo”, “amizade”, “solidariedade”, “apoio”.

Quem é que no seu perfeito juízo acha que alguém fica extremamente contente por ver entrar porta dentro uma pessoa que não nos é muito próxima quando estamos adornados de gaze e agulhas, vestidos de batinha hospitalar, sem roupa interior, de olhos vidrados e a espumar pela boca?

Quem é que se sente mais confortável por ter ao lado alguém a fazer perguntas bacocas e a debitar casos de “amigos” que padeceram da mesma coisa, quando estamos débeis, dormentes, limitados a olhar em frente, submetidos à prisão da cama e com a mala da dor carregadinha até cima?

Já ouviram falar de “Turismo Negro“?

Tenho para mim que o “turista negro” dá os seus primeiros passos e se revela primeiramente nas visitas hospitalares.

É começar a cobrar bilhete a estas pessoas.

E não é difícil perceber quem elas são, pela maneira como se apresentam e pela forma fluída com que interagem com os espaços e funcionários dos hospitais.

Pode ser que seja esta uma inovadora e bem sucedida forma de financiamento dos hospitais, que venha contribuir para o abaixamento das taxas moderadoras.

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