Viajar

Outubro 17th, 2013

Se tiver que definir felicidade por outra palavra única, a primeira que me ocorre logo a seguir a “filhos”, “família” e “amigos”, é “viajar”.

É de certa forma um lugar comum afirmar que, se tivesse possibilidade, passaria a vida a viajar.

Para entenderem o que significaria para mim essa possibilidade, digo-vos que seria como insuflar um balão gigante com um interminável fluxo de felicidade.

Viajar, para mim, é sinónimo de aventura, sonho, descoberta, partilha, pessoas, sentidos, sentimentos, liberdade, conhecimento.

Já viajei de várias formas, utilizando diferentes meios de transporte, com mais ou menos dinheiro no bolso, a trabalho ou em lazer, dormindo em hóteis de luxo ou ao relento, por vários continentes, em zonas rurais, de praia ou urbanas.

De todas as viagens trouxe inevitavelmente riqueza, paixão, experiência, crescimento, maturidade e uma visão diferente, do mundo e do meu lugar nele.

Gostava de ter o desprendimento  e a coragem para fazer do viajar vida, mas tenho profundamente implantada em mim uma necessidade de segurança e estabilidade mínimas que me agrilhoam esta vontade.

Resta-me alimentar o vício como posso, a espaços, ou deixar que a minha mente viaje por mim e me traga um souvenir de cada lugar que visitar.

getting-ready-to-travel-hd

Vida com mau timing

Dezembro 14th, 2010

A vida nem sempre tem o timing mais adequado.

Por vezes somos postos perante situações e responsabilidades que ainda não estamos preparados para enfrentar, outras vezes são-nos dadas oportunidades únicas que ainda não sabemos apreciar devidamente, nem tirar o máximo partido delas.

É este segundo caso que me atormenta o espírito sempre que vejo o cenário da foto abaixo, confortavelmente, desde a minha varanda.

Custava alguma coisa ter esperado que eu me reformasse – se algum dia o puder fazer -,  para me oferecerem esta pérola?

É o sonho de qualquer reformado ter uma obra a decorrer mesmo debaixo da sua casa, com esta vista privilegiada que lhe permite acompanhar tudo ao minuto e com detalhe.

Eu, porém, nesta fase da vida só me posso queixar do barulho, dos inconvenientes que gera no tráfego e da poluição visual que fornece à paisagem.

Falta-me ainda sensibilidade enquanto espectador de construção civil, que é uma habilidade que se adquire e aprimora com o acumular de idade, e ainda não tenho know-how suficiente para elaborar grandes tiradas críticas sobre os responsáveis pela obra e pelo normal decurso da mesma.

Ainda pensei em partilhar esta situação com quem a apreciasse devidamente, dirigindo-me à ANAI para colocar um anúncio que pusesse à disposição uma varanda com vista privilegiada para obra ímpar na cidade, mas depois pensei que lhes podia estar a criar condições para o abandono da actividade desportiva, já que na varanda não dá jeito para jogar cartas por causa do vento, e desisti da ideia.