Comida processada

Abril 12th, 2013

Eu gosto muito de comer, mas há um tipo de alimentos que tenho alguma relutância em ingerir: a comida processada.

Sempre ouvi dizer que onde há fumo há fogo e se essa comida foi processada foi porque fez mal a alguém.

O problema é que ficamos sempre sem saber que tipo de mal fez, porque não aparece nada escrito nos rótulos (o que está mal e a ASAE devia ver essa questão, que seguramente lhes escapou).

Fico sempre inquieto na altura de abrir a boca para ingerir comida que sei que foi processada, porque uma coisa é um alimento ser processado por fraude gustativa – porque disse que sabia a uma coisa e afinal tinha outro sabor -, outra coisa é saber que determinada comida foi processada porque há fortes indícios de ter causado a morte de alguém.

Ainda assim, e apesar das dúvidas que remanescem no meu espírito – e que causam uma pontinha de remorso aqui e ali -, continuo a acreditar que a comida tem direito à sua presunção de inocência até prova em contrário.

É por esse motivo que continuo a consumir snacks, gomas, gelados, bolachas e refeições ultracongeladas, até que se prove que a comida é de facto culpada dos crimes que a acusam.

Acredito e sou defensor dos direitos fundamentais dos cidadãos de todos os géneros, e acho que esses mesmos direitos devem ser alargados também aos géneros alimentícios.

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Insónia

Setembro 2nd, 2011

Hoje tive uma insónia.

Das grandes.

Devo até estar quase a ter um estiramento da córnea, de tal forma os meus olhos estão neste momento esbugalhados.

Tenho a certeza de que se pode lidar bem com o aparecimento do chamado bugalho ocular – tenho amigos proficientes na matéria – mas a mim, devo confessar, causa-me algum desconforto.

Não passei pelas brasas.

Não ferrei o galho.

Não preguei olho.

Primeiro porque – embora não parecendo – estamos no Verão e recuso-me a acender a lareira, segundo porque o cão do meu vizinho chegou primeiro, terceiro porque desconfio que sujava a cama e a dor talvez não permitisse a correcta sintonização da SonhoTV.

Acho que devia ser possível processar o sono, por danos materiais e morais.

“Xô dôtor juíz, fiz tudo o que estava ao meu alcance para que não faltasse nada a este senhor. Esfalfei-me a trabalhar, cheguei ao fim do dia estourado, tinha uma cama confortável à disposição, com lençóis lavadinhos e uma companhia que aquece o coração, mas vai-se a ver e este suposto profissional que tem escrito na porta do escritório “sono profundo” foi do mais incompetente que encontrei até hoje. Nem um minutinho, xô juíz, este fulano conseguiu que eu ficasse a dormir. É por isso que peço justiça, xôtôr, e que o afaste de vez do mundo dos sonos para que mais ninguém tenha que passar nas mãos deste indivíduo o que eu passei hoje à noite.”

Se calhar, sem dar por ela, foi a minha primeira sessão de preparação pré-natal, no que ao sono compete.

É algo que atormenta qualquer candidato a papá, as noites sem dormir, e havendo tantos sítios onde se trabalha as mais variadas formas de bem estar, parece-me importante que se crie um espaço onde nos possamos preparar devidamente para a privação de sono.

Acho que se devia pensar mais nisto, e com alguma seriedade.

Eu frequentaria de bom grado uma espécie de ginásio – um Soninca – onde se fizessem flexões de pálpebras, alongamento de bocejos, tonificação dos músculos espreguiçadeiros ou abdominais das células indutoras dos sonhos acordados, tudo para que lidássemos da melhor forma com o dia a seguir a noites intermináveis, sem dormir.

Fica aqui a minha pré-inscrição, senhores dos ginásios.

Navidades no ninho

Novembro 24th, 2010

E eis que, um mês antes do Natal, temos navidades no ninho.Já há pinheirinho com decoração personalizada, e para haver na plenitude aquilo a que se poderia chamar – existisse a palavra – “imbuimento” no espírito natalício, só falta o tradicional vídeo, que todos os anos aqui partilho, para assinalar o início da quadra.

Se fosse uma quadra popular começaria com algo como “São João, homem de luta / Estás a ver a porta que enguiça? / Está lá encostada uma …” e rimava depois, para o final, de maneira risível.

Mas não é, e por isso gosto de começar esta quadra natalícia de outra forma – mantendo o registo pândego e folgazão – convidando-vos para que se imbuam comigo neste delicioso sketch natalício.