Idosas de cabelo loiro

Outubro 14th, 2013

O DNA da mulher portuguesa merecia mais atenção da comunidade científica internacional.

Algo se passa com os genes das nossas senhoras, que sofrem mutações ao nível da coloração capilar com o passar dos anos.

O modelo padrão de uma mulher portuguesa nos dias de hoje, apresenta-se morena nos primeiros anos de vida, com tendência a aloirar com o passar dos anos.

A mulher portuguesa de cabelo grisalho ou completamente branco é, atualmente, uma espécie que corre mais perigo de extinção do que os ursos polares e a sua alva pelúcia.

É de tal forma usual as velhinhas portuguesas serem loiras, nos nossos dias, que já por três ou quatro ocasiões passei por momentos constrangedores, por pegar na mão de jovens loiras numa passadeira, julgando eu estar a ajudar uma senhora de idade a atravessar a rua.

O que me confunde mais, sociologicamente falando, é este paradoxo de as mulheres com mais anos de vida terrena, supostamente sábias, quererem camuflar os seus sinais exteriores de experiência de vida, permitindo-se serem confundidas com o estereótipo social de loira burra.

E tenho medo que isto se generalize a um ponto tal que, um dia, nos deparemos com uma qualquer reportagem fotográfica sobre as nossas aldeias históricas, onde se vislumbre, sob o peso dos negros lenços, uma melena platinada de fazer inveja à mais loira das aldeãs siberianas.

Valha-nos nessa altura, pelo menos, a manutenção do bigode, para que haja uma ténue preservação das nossas origens.

Ficará ainda por abordar a questão da coerência de pelugem corporal, que, por respeito às pueris gerontes, vou só deixar mencionada aqui, sem escaranfunchar.

assuncaoestevesloiramorena

Entregadores assediados

Julho 12th, 2013

A vida de um entregador de pizzas não deve ser fácil!

Por inerência da função, são expostos a riscos que a maior parte das pessoas negligencia, o que faz com que às vezes se comportem de forma estranha para o comum dos mortais.

Desde logo os riscos que têm que correr para fazer as entregas de forma rápida, serpenteando – por obrigação – no meio do trânsito, como areia vertida num labirinto de seixos do mar.

Depois o risco de serem assaltados por um qualquer janado que colecione cachimbos de motorizada ou necessite de dez euros para a dose de castanha.

Mas o maior dos riscos está na sua vulnerabilidade perante quem está atrás da porta.

E não falo de meliantes, extraterrestres, vampiros ou torturadores.

O maior perigo são as volumosas gerontes com défice massivo de íntima interação física macho/fêmea.

Imaginem o que é deitar um suculento naco de carne fresca para a jaula de um leão que já não come nada há seis anos.

Reparem na diferença proporcional de tamanhos, no estímulo visual do vermelho da carne fresca e na ferocidade animal do leão, em contraponto com a timidez inocente do pedaço de carne.

Cenário letal para a tenrinha carnuncha.

E pior… não há seguro que cubra este risco.

Por isso, da próxima vez que se enervarem com um atraso na entrega ou com um entregador que se vos atravessa à frente no trânsito, respirem fundo e lembrem-se que eles são pessoas que vivem atormentadas por este cenário, que os põe num estado de espírito que os leva a descurar outras eventuais preocupações.

pizza2

Lar de alterne

Janeiro 12th, 2011

Poucos negócios terão conhecido um crescimento tão acentuado nos últimos anos como os dedicados aos gerontes.

Lares de terceira idade, centros de dia, universidades e turismo sénior, são negócios em franca expansão e com uma enorme margem de progressão ainda.

Poucos negócios se terão mantido tanto no tempo, com tanta procura e com tanta margem de lucro como os que gravitam em torno do sexo.

Bordéis, pornografia, revistas eróticas, bares de alterne, são negócios que perduram, francamente consolidados nos hábitos de consumo a nível mundial.

Se está numa fase da sua vida em que procura um investimento seguro, deve pensar seriamente em juntar estas duas realidades.

A solução ideal para conciliar estes dois ramos de negócio seria a criação de um espaço residencial designado de “lar de alterne”, onde só se admitissem clientes de terceira idade com vontade de estar permanentemente rodeados de profissionais do sexo.

Estas profissionais teriam que receber a devida formação em primeiros socorros e suporte básico de vida – indispensáveis a quem trabalha o mercado sénior – mantendo a linguagem ousada e provocante e a maquilhagem exagerada, ao mesmo tempo que partilhariam a ingestão de bebidas soft, cocktails e medicamentos, em são convívio com os residentes.

Teriam também a tarefa de lhes cuidar da higiene diária, mas sempre vestindo roupa sexy e ordinária, que estimule a velha libido.

Os idosos receberiam uma mesada para gastar, em notas com a marca própria do lar, de modo a fornecer um toque de realismo à relação cliente/alternadeira.

Sucesso garantido, até porque a rotatividade dos clientes teria tendência a ser maior dos que nos tradicionais lares de terceira idade, devido às fortes sensações a que os anciãos estariam sujeitos.

Ou então não.

Se calhar até era aí que se encontraria o segredo da eterna juventude.