Marcas solares

Junho 27th, 2013

Não está ainda confirmado, mas suspeita-se que o bom tempo veio para ficar.

Por bom tempo entenda-se “dias ensolarados, sem chuva ou vento” e não “tempos de prosperidade”, porque parece que o efeito estufa para isso está a causar muito mais danos do que era suposto.

Com o sol radiante surgem as peças de vestuário mais justas ao corpo de que há registo, as marcas solares.

Eu sei que a primeira coisa que vem à cabeça de qualquer um, homem ou mulher, quando falamos disto, é uma marquinha esbranquiçada de fio dental, impressa num rabo redondinho de uma esbelta e morena brasileira, mas o meu interesse nesta temática tem uma abordagem mais sociológica e abrangente.

As marcas solares na pele são um elemento de afirmação social, com um vínculo tão ou mais forte do que uma tatuagem, com a vantagem de poder ser alterado caso modifiquemos o nosso estilo de vida.

Reparem como é fácil diferenciar na praia, sem qualquer outro tipo de elemento de suporte, um ciclista latino e um contabilista britânico.

É só olhar e ver que um se assemelha a uma bolacha húngara e outro a um gelado de baunilha e morango.

Com bastante morango.

Reparem agora no potencial de negócio em torno das marcas solares.

Imaginem um produto que reúna um autocolante recortado com um pequeno aparelho de solário localizado.

Poderíamos marcar na pele os símbolos dos mais variados grupos sociais, como rastafaris, motards ou paraquedistas, por exemplo, personalizando estas marcas ao seu gosto.

Ficam de fora do público alvo deste conceito os góticos, os vampiros e os albinos, por motivos óbvios, mas o mercado é, ainda assim, enormíssimo e global.

A vantagem desta impressão dérmica é que, caso decidam sair da “tribo”, as pessoas poderiam remover sem problema esta marca, apanhando somente um bocadinho de sol no corpo todo.

Parece que já estou a ver a piscina olímpica feita de ouro e cheia de moedas de 5 libras, que este negócio pode gerar.

O Shark Tank é que fica longe, porque senão ia lá apresentar esta ideia e aposto que ia encontrar quem partilhasse esta extraordinária visão comigo.

Ou estou só a delirar por causa do calor?

Se calhar é mais isso.

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Pornugal

Janeiro 17th, 2013

Meus amigos, numa época em que andamos à procura de novos caminhos para o crescimento económico, andamos por vezes distraídos do essencial, que é onde está a solução.

Em que é que nós somos verdadeiramente bons?

Em que é que somos diferentes de outros povos?

A que é que nos entregamos devotamente, com resultados de excelência?

O que é que dá verdadeiramente dinheiro neste mundo?

A resposta vem, uma vez mais, do reconhecimento externo das nossas capacidades.

Uma atriz portuguesa ganhou esta semana o prémio de melhor artista internacional  de 2012 nos prémios XBIZ, conceituado site da indústria pornográfica.

Enquanto uns abrem a boca de espanto, outras e outros a abrirão já com uma perspectiva visionária de futuro.

Caros leitores convençam-se de uma vez por todas da seguinte realidade: nós somos bons é a deixar que nos f0&@m!

Temos é que ser filmados enquanto isso acontece para ganhar dinheiro a rodos.

Numa indústria feroz como esta, temos finalmente o reconhecimento merecido nesta compatriota, que nos abre um novo caminho, uma nova oportunidade que devemos agarrar com ambas as mãos.

Temos que agir, intervir, modificar coisas para nos afirmarmos definitivamente como a Meca da pornografia mundial.

O primeiro passo será formar as pessoas para que se inseriram no setor de forma capaz: criar cursos profissionais especializantes na pornografia, escolas de atores porno, saraus de literatura pornográfica, workshops de realização e edição de filmes porno, certames de bandas sonoras chungas.

Devemos encetar ações de sensibilização junto do nosso tecido produtivo para que os produtores de pornografia consigam as coisas a preços competitivos.

Cabeleireiras, dentistas, urologistas, fabricantes de látex, colchões e meias brancas com raquetes, todos se devem unir neste esforço nacional.

A RTP não deve ser privatizada, mas sim transformada numa espécie de Bolywood pornográfica – a Fodywood, com início à portuguesa para que ninguém se esqueça onde é – onde se rodem as maiores obras primas da pornografia mundial, tornando-a numa referência incontornável desta indústria altamente rentável.

Esqueçam o sol e a temperatura amena, vamos divulgar o nosso clima de maneira diferente.

Chamemos-lhe climax e façamos gala da humidade das nossas grutas, do frio do c@%@lho que se sente nas terras altas e de se poder apanhar nubueiro junto à praia pela manhã.

Mudemos as vogais ao fado e coreografemos de modo a fazer juz aos seus nomes o vira, a chula, o malhão e o corridinho.

Reinventemos as nossas figuras históricas para apoiar o turismo de temática pornográfica: Camões tinha outro olho cego que só alguns escarafuncharam, o que Martim Moniz atravessou na porta foi o seu portentoso pénis, a Rainha Santa Isabel distribuía preservativos aos desfavorecidos e não pão, e por aí fora.

Mudemos o nome do nosso país e chamemos-lhe Pornugal!

Afirmemos esta marca no panorama global e descubramos novos mundos, de prosperidade e prazer.

Vá lá, sem medos e sem tabus, com a confiança em alta nestes nossos novos Descobrimentos, imaginem-se já num estádio a ver os jogadores da seleção a jogar de anal plug e gritem todos comigo: PORNUGAL! PORNUGAL! PORNUGAL!

Pornugal

Obissuário

Janeiro 4th, 2013

Existe um tipo de pessoas no mundo do trabalho que me irrita a um ponto em que as visualizo permanentemente com um marcador laser na testa.

Vocês já se encontraram seguramente com este género de pessoas, e se forem bons profissionais não andarão longe deste sentimento.

São aqueles indivíduos que estão sempre a colocar dificuldades a tudo o que é sugerido fazer.

“Isso não vai funcionar”, “não achas isso muito arriscado?”, “sim, mas se fizeres isso vais mexer com aquilo e está tudo tramado” e por aí fora, num relambório contínuo de óbices levantados, a cada frase que dizem.

São estas figuras que passam ao lado de termos como criatividade, inovação, proatividade, empreendedorismo, flexibilidade ou dinamismo, que me arrepiam os pêlos a um ponto que seria capaz de lavrar com eles.

Acho que estas pessoas deviam ser liminarmente excluídas do mundo profissional, para que deixem trabalhar quem quer e se deixem de fosquinhas e reviengas para que tudo fique na mesma.

A bem da produtividade, devia ser lançado um portal público onde fosse declarada a morte profissional deste tipo de fulano, denunciando este tipo de pessoas.

Este sítio onde são expostas as pessoas que estão constantemente a apontar óbices ao progresso do trabalho seria chamado de Obissuário e os seus anúncios teriam um aspeto semelhante ao da figura aqui apresentada.

Dotaríamos assim o mundo do trabalho de uma ferramenta extremamente útil para excluir das empresas estes fulanos que enregelam a nossa massa produtiva.

Parece-vos bem?Obissuário

 

Capacete de cabelo

Outubro 8th, 2012

Como andará a vida dos vendedores de laca?

Cada vez vejo menos gente a usar aqueles penteados armados, que fizeram as delícias de gerações mais antigas, e isso deve estar a afetar-lhes o negócio.

A minha memória armazena imagens riquíssimas de autênticos tratados de estruturas capilares, cuja sustentação só era possível com recurso a massivas doses de laca.

Sempre pensei que além dos evidentes benefícios de durabilidade estética, o uso destas armaduras de cabelo poderia substituir a utilização de capacetes, devido à sua rigidez.

No fundo, olho desde a minha infância as senhoras que as usavam como sendo as percursoras do tuning dos capacetes, as pioneiras do protetor craniano personalizado.

Na época que vivemos temos que ser criativos, adaptarmo-nos às necessidades do mercado, e assim sendo este é um caminho que a indústria laqueira devia estudar com mais atenção.

Pensem nos milhares, ou mesmo milhões, de motards, ciclistas e skaters que pagariam com o couro para blindar o cabelo, tornando-o no seu capacete integrado, ultra leve, bonito, único e, acima de tudo, seguro.

O desafio passa pela homologação desta tecnologia, mas tudo se faz quando se está tão cientificamente avançado.

Infelizmente, por efeitos da minha rarefação de crina, não poderei oferecer a cabeça à ciência para testar o produto, mas, meus caros CEO’s dos laquifícios, cá estarei para vos apoiar no que puder na vossa importante investigação e recolher os frutos económicos de tão visionária ideia.

Professores a concurso

Setembro 19th, 2012

Nos Estados Unidos da América é habitual ouvir relatos de milhares de pessoas em fila de espera por um lugar de ator, cantor ou modelo.

É o sonho americano do estrelato e da fama, que faz com que muita gente para lá emigre, alimentando esse sonho através do recurso a trabalho temporários como empregadas domésticas, entregadores de pizza ou caixas de supermercado.

Por cá é a mesmíssima coisa… mas com os professores.

Longas filas de professores não colocados, percorrendo castings de norte a sul, na esperança de conseguir esse lugar de sonho, disputado por tantos.

À imagem daquilo que se passa no outro lado do Atlântico, também por cá as produtoras televisivas se preparam para lançar reality-shows com base na concretização desse objetivo de vida de milhares de pessoas em Portugal.

“Casa dos Professores”, “Então tens a mania que sabes ensinar?” ou “Olhe que não sôtor!” são títulos possíveis para este concurso.

Aqui os professores terão a oportunidade de mostrar todas as suas capacidades, começando por um esquema de seleção semelhante ao Ídolos, onde quatro jurados de reconhecido valor escolherão os finalistas candidatos a professor.

Os quatro jurados serão uma mescla representativa do universo estudantil português: um marrão sem vida social, um delinquente juvenil sem qualquer nota positiva no último ano letivo e menos de 10% de frequência às aulas, uma adolescente viciada em telemóveis e tablets e um político, ou equivalente.

Por ser mais popular, ter mais criatividade e espontaneidade nas frases e representar um franja estudantil em crescimento, o presidente do júri será o delinquente juvenil.

Ao longo do concurso os candidatos a professor enfrentarão os mais diversos desafios.

Preenchimento exaustivo de relatórios, desenvolvimento de atividades extra-curriculares, pelotão de enxovalhamento, batalhão de pais irados, fuga ao gang e caminhada pós-esvaziamento de pneus, são alguns exemplos de provas a superar.

O vencedor levará para casa uma prestigiada função de professor, com a validade de um ano, numa escola perto do Bairro do Alto da Cova da Moura, um colete anti-bala, um vale de dez consultas com o professor Bambo, um estojo de primeiros socorros e um passe social.

Um luxo!