Tráfico de Seres Humanos

Novembro 25th, 2008
O Governo aprovou no passado mês de Outubro a criação do Observatório do Tráfico de Seres Humanos.
Fiquei na dúvida se isto não seria um nome pomposo para encobrir o tacho de alguns funcionários públicos que passam tardes inteiras, sentados numa esplanada do Rossio, a ver passar as pessoas.
Depois pensei melhor, apercebi-me que isto só fazia sentido se estivesse a falar de tráfego e não de tráfico, e que, se calhar, estava a ser preconceituoso em relação aos mui trabalhadores colaboradores do Estado.
Este Observatório deve ser a sério.
Estamos muito habituados a ver a palavra tráfico ligada à palavra estupefacientes, e é para mim muito difícil dissociar estas palavras.
Por isso mesmo é que imaginei logo este diálogo entre uma beata e um arrumador de carros viciado em seres humanos:

[Arrumador viciado em seres humanos] – Ó senhora, deia-me uma moedinha faxabôr. É pr’apanhar o autocarro. A minha mãezinha tá muito mal e eu tou desempregado. Só me falto cinquenta cêntimos.
[Beata] – Não, não! Que eu sei que isso é para gastar tudo em seres humanos!
[A] – Num é não, senhora. Tou-lhe a dezer que é pra comer.
[B] – Ainda agora me disseste que era para o autocarro!
[A] – Pois mas preciso de comer senão desmaio no autocarro, num é?
[B] – Não, não. Vocês não me enganam, com esses pijaminhas de seda todos rotos!
[A] – Ande lá! É só pra matar o bicho.
[B] – Ao menos admite que é para seres humanos!
[A] – É verdade. Desculpe lá. Mas tou memo à rasquinha.
[B] – Eu vi logo. Já te meteste nisto há muito?
[A] – Há um tempinho. Agora só me contento com seguranças de bares de alterne e concorrentes ao “Homem mais forte do Mundo”. Tou muito mal. Comecei muito cedo, por brincadeira. Com uns chavalitos!
[B] – Pois. É como aqueles fulanos da Casa Pia. Bandidos!

P. S. – O maior beneficiário do tráfico de seres humanos é, como se sabe, o senhor Ryan, que detém uma transportadora aérea de low-cost, que permitiu que o tráfico aumentasse muito nos últimos anos. Estará seguramente a ser observado neste preciso momento.

Deolinda

Novembro 18th, 2008
Tive no liceu uma professora chamada Deolinda, cuja memória sempre me fez olhar com desdém ou desconfiança para alguém ou qualquer coisa que tivesse esse nome associado.
Estes senhores têm o mérito de ter conseguido mudar isso.
E tenho para mim que esse deve ter sido o único motivo para terem criado este projecto.
Muito obrigado!

Lixo e direitos do mesmo

Novembro 7th, 2008
No outro dia (que é como quem diz “aqui há atrasado”) estava numa discussão acerca de dinheiros públicos e o seu uso, e alguém me alertou para um certo aterro onde o lixo era (passo a citar) “bastante mal tratado”, porque não havia dinheiro para mais porque a Câmara Municipal gastava o dinheiro em festas.
A questão é: Tratam mal o lixo… mas como?
Batem-lhe? Não falam com ele? Não lhe dão de comer? Deixam-lhe cair gotinhas na cabeça durante a noite toda? Ou será que lhe arrancam os pêlos com cera?
Fiquei sem resposta…
A conversa levou-me a uma breve reflexão e à conclusão de ainda não ter ouvido uma qualquer Associação de Protecção dos Direitos do Lixo, que (razões ambientais à parte) pugnasse pelos direitos que o lixo tem em ser bem tratado, a três refeições por dia, a cama e roupa lavada, a educação básica, a acesso à cultura e a espectáculos e a um chocolatinho de vez em quando.
Isto numa lógica bastante simples, de que, se o lixo humano tem direito a que lhe seja oferecido isso nas prisões, o lixo material também devia ter os mesmos direitos nos aterros.

Utilidade pública de alguns cidadãos

Outubro 31st, 2008
Tenho desde tenra idade a teoria de que devia haver uma lei que consagrasse a utilidade pública de certas mulheres.
Era concerteza positivo para o País que mulheres como Soraia Chaves, Carla Matadinho, Rita Pereira, Cláudia Vieira, Raquel Loureiro, Diana Chaves e outras de adjectivação igualmente aeronáutica, estivessem disponíveis sexualmente, para a população masculina em geral concretizar as suas fantasias, enfrentar os seus receios, contornar os seus bloqueios.
Pensem comigo nas vantagens:
– Aumentava a produtividade das empresas (andava toda a gente contentinha e, provavelmente diminuíam as procuras na net e os mail’s de mulheres nuas).
– Diminuía concerteza o número anual de violações.
– Era uma maneira de pôr todos os homens a fazer exames regulares de saúde (factor indispensável para poderem aceder ao serviço), logo, melhoria do estado de saúde geral dos cidadãos.
– Reduzia a procura da prostuituição e baixava o preço desse mercado (que continuaria a ser ilegal e até deveria, a partir do início deste programa, passar a ser mais severamente penalizado).
– Descia o número de acidentes automóveis e de trabalho (porque os homens deixavam de sonhar acordados e de embasbacar completamente à passagem de uma mulher deste calibre).

Julgo que era importante que estas “Técnicas Oficiais de Sexo” (TOS) fossem pagas acima do nível dos gestores de topo das empresas públicas.
Por duas razões: primeiro para se sentirem recompensadas pelo seu desempenho, segundo porque os outros já andam a ser pagos para nos fo&€r e não nos dão nenhum prazer.

No início esta minha teoria era, confesso, bastante machista.
Mas hoje em dia já compreendo que isto só faria sentido se, da mesma forma, estivessem disponíveis os irmãos Guedes, o Rubin, o Paulo Pires e outros robustos espécimes masculinos (é-me mais difícil enumerar aqui e peço desculpa se estou a fazer mal as escolhas) para satisfazer as necessidades das nossas concidadãs.

Em sentido inverso, o estatuto de utilidade pública também podia ser usado na justiça.
Aqui, como forma de reprimir o banditismo, seria associada às penas a obrigação de satisfazer os desejos de algumas “carrascas” como Odete Santos, Ferreira Leite, Cláudio Ramos, Teresa Guilherme, Dina, José Castelo Branco ou Manuela Moura Guedes.

Para evitar uma longa lista de espera (porque seria espectável uma adesão massiva a este programa) era conveniente o recurso a TOS estrangeiras como Penélope Cruz, Tyra Banks, Salma Hayek, Angelina Jolie, Gisele Bündchen ou Scarlett Johansson para a área de saúde e Angela Merkel, Barbara Streisand, Rosie O’Donnell, Arantxa Sanchez Vicário ou Maria Mutola para o sistema judicial.

E pronto… está dada a minha importante contribuição de hoje.
Nada descabida pois não?

Porto “Tóne”

Outubro 24th, 2008

Acho que não é de todo descabido considerar que as casas de vinho do porto inglesas tenham adoptado a designação de Tawny, para os seus vinhos, numa clara adaptação de um nome bastas vezes evocado entre os seus empregados durienses… Tóne.