Piso radiante

Outubro 21st, 2009
Agora que começou a chuva a sério é normal que as pessoas andem mais cabisbaixas.
A solução para se porem mais bem dispostas e contentinhas é simples: devem instalar nas suas casas piso radiante.
A partir daí, mal ponham um pé no chão, vão abrir um alegre sorriso e, radiantes, começarão o dia com muito mais optimismo.
O conceito já virá do tempo da criação do Passeio Alegre, e é de tal forma fabuloso que acho que se devia alargar a outros produtos.
Quem não gostaria de ter a sua casa equipada com paredes radiosas, despensas transbordantes, azulejos resplandecentes ou janelas fulgurantes?
Eu acredito que viveríamos muito mais felizes se pudéssemos contar com este tipo de instalações, que emitem optimismo e boas vibrações, nas nossas casas.

“Queimar” etapas dá mau resultado

Outubro 18th, 2009
É certo e sabido que passar directamente para uma fase avançada, seja do que for, sem primeiro completar com sucesso a fase anterior dá mau resultado.
Dificilmente se obterá um bom resultado na fase mais avançada sem a obtenção de sucesso na fase primária.
Em tudo na vida é assim.
Primeiro estudamos com afinco, depois estagiamos e aprendemos com quem está no activo, para finalmente nos tornarmos bons profissionais.
A vida sentimental começa com um namoro, que deve dar vontade de planear um casamento para depois concretizar essa união.
Os videojogos não nos dão outra hipótese, temos que passar com sucesso consecutivo os vários níveis para atingirmos o final do jogo.
Até o vinho tem que passar por vários estágios antes de poder ser levado à mesa para consumo.
Então porque é que fui ter a ideia peregrina de começar a jogar o Euromilhões sem nunca ter ganho o Totoloto?
Assim está visto que nunca me vai sair!

Autárquicas e imobiliárias

Outubro 7th, 2009
Quem conhece Braga sabe que a construção e o imobiliário estão sempre na berlinda, no centro da discussão política e das mais animadas conversas de café.
O lobby da construção civil é fortíssimo, o poder dos empreiteiros evidente e por isso mesmo a cidade é organizada (ou não) respeitando os interesses destes, passando ao lado de conceitos fundamentais para uma cidade moderna e em crescimento como o planeamento, o urbanismo, a sustentabilidade ou a qualidade de vida.
Há no entanto agentes que aparecem no fim da cadeia de valor do mercado imobiliário a quem, a meu ver, não é dado o devido destaque, principalmente pela classe política (reparem que usei a palavra “cadeia” numa expressão económica que nada tem a ver com o sítio onde alguns dos mencionados neste post deviam estar).
Eles são, no entanto, muito mais importantes do que se imagina, não só pelo que vendem – o que é fundamental para que o dinheiro não pare de circular – mas porque são verdadeiras cobaias na arte de comunicar em outdoors.
E esta é também a verdadeira razão por que os políticos não lhes dão o devido destaque.
Neste período de campanha autárquica torna-se evidente onde os políticos se baseiam para o seu material de comunicação.Itálico
Por todo o lado se espalham cartazes, bandeiras e outdoors com a cara dos políticos, misturando-se com os habituais outdoors das redes de agentes imobiliários.
Os suportes, a localização dos mesmos, a paleta cromática, as poses… em tudo os políticos mimetizam os vendedores de apartamentos.
Eu acho que devíamos romper de uma vez por todas com a hipocrisia instalada e assumir que os partidos políticos em Braga deviam ser substituídos por redes de agentes imobiliários.
No nosso boletim de voto autárquico, a bem da verdade e transparência deviam aparecer a Re/Max, a La Fôret, a ERA ou a Habitace, por exemplo.
A linguagem é deles, quem movimenta o mercado que gere a cidade são eles e – haja simpatia – sorriem nas fotografias.
Talvez assim a abstenção diminuísse.

Jogos Olímpicos no Brasil

Outubro 3rd, 2009
A notícia da eleição da cidade do Rio de Janeiro para a organização dos Jogos Olímpicos de 2016 pôs-me a pensar qual terá sido a táctica para convencer o Comité Olímpico Internacional.
O mais lógico, para mim, é que tenha passado por tornar os pontos que à partida eram menos positivos em originais pontos positivos.
A saber:
– A mascote chamar-se-à Denguinho e será um simpático mosquito, cuja forma final advirá do I Concurso Nacional de Mascotes em Bunda Desenhada.
– A tocha será roubada de mão em mão até chegar perto do estádio olímpico, sob a promessa que quem a entregar ganhará uma refeição quente.
– O carnaval será adiado até Agosto para o cortejo servir de cerimónia de abertura, sendo todos os porta-estandartes das comitivas obrigatoriamente do sexo feminino e treinados previamente nas escolas de samba.
– Os organizadores de baile funk tratarão do hino dos jogos e da coreografia em que se apelará à união de todas as favelas.
– As garotas de Ipanema irão “acompanhar” diligentemente os membros masculinos das comitivas não só na entrada do estádio, como também nos balneários e na aldeia olímpica.
– O fosso olímpico da modalidade de tiro será testado por elementos do BOPE, que também darão dicas a todos os atletas de arremesso e luta.
– Todas as provas de atletismo serão feitas no meio das favelas, para se baterem recordes de velocidade.
– As regatas serão todas acompanhadas com a ajuda das lanchas rápidas do barões da droga brasileiros e abençoadas por Iemanjá.
– As análises anti-doping serão da responsabilidade dos laboratórios desses mesmos barões de droga, que atestarão da pureza das drogas consumidas.
– A única água isotónica permitida passará a ser a água de coco, o que reforça a mensagem ambiental.
– A selecção brasileira dará uma vantagem de 2 golos no futebol e de 5 pontos no voleibol e vólei de praia a todas as outras equipas.

Discurso que ecoa

Setembro 8th, 2009
Já uma altura falei aqui no estaminé sobre expressões que me tiravam do sério, que me irritavam.
Desta vez não vou falar de expressões mas sim de um maneira muito peculiar que algumas pessoas têm de se exprimir.
Tenho duas pessoas que trabalham comigo que têm um discurso que ecoa.
Ecoa porque elas repetem sempre a última frase que disseram, umas vezes por ordem inversa à da primeira vez, outras exactamente da mesma maneira, sem acrescentar qualquer conteúdo ao que já tinham dito.
Estar a falar com uma pessoa que sistematicamente tem frases do género “ainda hoje o vi entrar em casa… (pausa)… vi-o entrar em casa hoje” é, no mínimo, perturbador.
O que é que se passará com estas pessoas para estarem sempre a repetir o que acabaram de dizer?
A minha teoria é que têm espaço a mais por preencher no crânio, o que quer dizer que, sempre que verbalizam, o crânio faz uma ressonância que elas interpretam como uma interjeição inquisitiva por parte do interlocutor, ou seja, elas pensam sempre que o interlocutor diz “Ãh!?” e então repetem o que disseram.
O que me irrita no meio disto tudo é o tempo que se perde com repetições de frases em reuniões de trabalho.
Não tenho dúvidas que um revestimento intra-craniano destas pessoas com cortiça acabava com o problema e tornava as reuniões muito mais produtivas e rápidas.
Fica então o apelo ao gabinete de I&D; do Sr. Amorim para desenvolver esses implantes insonorizadores intra-cranianos… a bem da produtividade.