Arcashopping

Dezembro 6th, 2009
Acordar a um Domingo de manhã e sair de casa cedinho para ir trabalhar já não é fácil, mas hoje de manhã foi particularmente difícil porque implicou que me tenha embrenhado num dilúvio de dimensão bíblica.
É certo que o domingo é talvez o dia mais propenso a analogias bíblicas, mas não havia necessidade de dar cabo do humor a uma pessoa logo de manhã, não é?
Pois é.
Foi precisamente em Noé que me lembrei durante todo o caminho.
Estive quase para arrancar a minha cara-metade da cama para ir comigo encontrar refúgio na arca desse senhor, mas depois lembrei-me que deve ser apertado lá dentro, já não é vista a navegar por aqui há muito tempo e como não tem muita concorrência deve ser extremamente caro, não é?
Provavelmente é.
Só que entretanto veio-me à mente que a arca dos tempos modernos são os centros comerciais.
Tem a vantagem de ser gratuito, ter lugar para estacionar e por isso é quase instintivo às primeiras pinguinhas de chuva em dia de descanso ir toda a gente aos pares, quartetos ou bairros inteiros, fazer filinhas e dar encontrões para os centros comerciais, não é?
Eu acho que é.
Como há muitos perto do sítio onde moro, fiquei mais descansado e deixei-a dormir, porque se a coisa azedar mesmo é só dar dois passinhos e fica a salvo.
Entretanto, quando a tempestade passar lá virá a Bonanza, não é?
Não, não é… quer dizer… devo estar com o cérebro húmido… não sei… parece que não é.

Políca Metro

Dezembro 2nd, 2009
A acreditar na notícia que li hoje, as nossas forças policiais andam equipadas com sprays de gás pimenta que passaram a validade, o que quer dizer que não funcionam.
Já que não se quer apostar na segurança das forças da ordem acho que já era bem alturinha de o Estado assumir que vê os polícias como meros elementos decorativos e portanto começar a pensar em melhorar o seu aspecto.
Podia-se começar mesmo pela substituição do spray de gás pimenta por um de laca ou desodorizante, mas acho que se devia ir mais longe e aproveitar o coldre para outro tipo de utensílios de beleza, substituindo a pistola que habitualmente não usam por secadorzinhos de cabelo, as balas que não podem gastar por cotonetes, rímeis, eyeliners ou batons, trocar as algemas que só usam para prender as motas aos postes por máscaras faciais de beleza e o espaço do ineficaz cacetete devia ser ocupado por um massajador facial que lhes tonifique a pele.
Se não podem fazer frente aos bandidos pela força ao menos que o possam fazer pela imagem, sendo mais bonitos que eles.
Cá ainda não há, julgo eu, a figura da Polícia Metropolitana, mas podíamos ser mais simples e mudar a designação das nossas polícias só para Polícia Metro.
Eu, tinha medo!

Ambientalismo estético

Novembro 25th, 2009
Já que as intervenções cirúrgicas de estética são normalmente chamadas de operações plásticas, não fazia sentido que se utilizasse plástico reciclado nestas operações?
Se houvesse cirurgiões estéticos com preocupações ambientais, podíamos ouvir uma frase do género “Todos os implantes mamários que faço provêm de antigas garrafas de Sumol Maracujá de 1,5l, que recolhi junto dos bares da Foz”.
As pessoas preocupadas com o ambiente e com a estética simultaneamente poderiam exigir aos seus médicos que fizessem os ditos implantes com o plástico que acumulam em casa no dia-a-dia, reciclando-o e poupando imenso dinheiro ao mesmo tempo.
Aposto que isto ia fazer com que os homens começassem a pedir finos em copos de plástico e a trazê-los para casa, juntamente com o pacote das batatas fritas que comeram, tornando-se militantes fervorosos do re-aproveitamento deste material.
Chamar-se-ia a este movimento “ambientalismo estético”.

Satisfações

Novembro 23rd, 2009
Estamos a viver uma era em que toda a gente pede satisfações uns aos outros.
A oposição pede satisfações ao governo pelas políticas que apresentam, os sindicatos pedem satisfações aos empresários que querem fazer lay-off, os adeptos pedem satisfações aos treinadores cujos clubes não ganham, os clientes pedem satisfações aos gerentes das lojas onde são mal atendidos, os condutores pedem satisfações às gasolineiras pelo aumento no preço dos combustíveis…
São tantas as satisfações pedidas que eu acho que o problema só será resolvido quando uma qualquer ONG se lembrar de montar uma rede de Satisfatórios pelo país – locais onde possam ser servidas em regime se self-service, cerca de 4.000 satisfações por dia nas cidades de média dimensão, 16.000 satisfações no Porto e 32.000 satisfações em Lisboa.
Satisfações quentinhas, que aconchegam nos dias de Inverno todos os insatisfeitos.
Como quando uma pessoa não está satisfeita normalmente apresenta uma queixa ou parte para a violência, o próprio estado devia contribuir para a criação destes Satisfatórios, poupando com isso muito dinheiro do Orçamento do Estado em justiça e saúde.
Claro está que o conceito de satisfação é ambíguo porque há quem nunca esteja satisfeito com nada, mas para essas pessoas permanentemente insatisfeitas podia-se criar um sítio onde pudessem ser tratados por especialistas, com tratamentos à base de burocracia medonha, em que precisassem de preencher 50 formulários diferentes por cada pedido de satisfação apresentado, com a boca, obviamente, porque estariam com o colete de forças vestido.

Marketing chinês

Novembro 12th, 2009
A mais recente das lojas chinesas em Braga vai introduzir no mercado um conceito até agora desconhecido, o marketing chinês.
De uma forma bastante simples, os donos desta loja encontraram uma fórmula para aumentar o afluxo à sua loja, dando-lhe um nome original que, através de um truque que explora a interpretação fonética do nome do estabelecimento pelo leitor, induz o cliente português, pouco familiarizado com a língua inglesa, a pensar que haverá dentro da loja uma piscina.
Vai-se a ver e afinal é só uma loja de roupa, mas o cliente já está lá dentro quando se apercebe disso e o importante para o lojista é que este já entrou e assim é bem provável que até compre qualquer coisinha.
Eficaz, original e uma grande lição simplicidade para os marketeers brasileiros que fazem musiquinhas para o Pingo Doce.