A génese da dança do ventre

Dezembro 2nd, 2010

Parece-me que é uma informação que escapa à generalidade das pessoas, como se pode verificar pela consulta a este site, mas a dança do ventre nasceu por causa de uma necessidade fisiológica.

Antigamente, como agora, era de muito mau tom uma mulher expôr publicamente a sua flatulência.

Aos homens tudo era permitido, mas nas mulheres esta prática era mesmo considerada pecaminosa.

Assim, como castigo, às mulheres flatulentas era imposta uma punição chamada de “acusação” (o termo permanece até hoje, apesar de ter evoluído no significado), que consistia na remoção dos glúteos na praça pública, a frio, com um golpe único de sabre, e posterior lacre do esfincter anal, através do recurso a um ferro em brasa.

Esta punição, além de extremamente dolorosa, causava mossa na vida quotidiana, já que as mulheres deixavam de se poder sentar, inchavam com os gases acumulados, e, nos casos mais graves, ficavam com selote na parte da frente da burca, ao nível da boca.

Para dar a volta a questão, um grupo de mulheres lembrou-se que a melhor forma de esconder o acto ilícito era escondê-lo à vista de todos, e portanto engendraram um plano para poderem largar os seus gases à vontade, mesmo nas barbas de quem as poderia punir.

Decidiram então inventar uma dança com movimentos muito sensuais, que encantavam a homenzada, permitindo ao mesmo tempo massajar o intestino e, com golpes de anca sugestivos, expelir disfarçadamente os seus excedentes gaseificados.

Os homens ficavam de tal forma hipnotizados pelos sensuais movimentos, que todos os seus sentidos se focavam na visão, ansiavam por pôr em acção o tacto e o paladar, viam diminuídas as faculdades auditivas e perdiam por completo o olfacto.

Por uma questão de segurança as mulheres ornamentavam-se com cintos e pulseiras de moedas, que, ao serem abanados com o movimento corporal, disfarçavam o barulho de algum gás mais intempestivo, evitando assim serem descobertas pelo som.

Hoje em dia a dança do ventre já não é executada com os mesmo fins, mas da próxima vez que virem uma exibição desta arte tentem não ficar enebriados pela sensualidade, e estejam atentos para detectar algum cheirinho.

Se vos cheirar a alguma coisa, tipo enxofre ou ovos estragados, diz a lenda que é a que tem as palmas das mãos amarelas a libertadora do odor.

Segurança nata

Novembro 19th, 2010

Estive ontem à noite naquele que é apontado como o sítio mais seguro do mundo neste momento, no Parque das Nações, em Lisboa, onde vai decorrer a Cimeira da NATO.

Cheguei lá de noite e deparei com um enorme aparato policial, com centenas de polícias e dezenas de viaturas, tudo fortemente rodeado por grades de mais de 2 metros de altura, para que nada passe.

À minha frente estava o cordão policial que passava em revista todos os que ali transitavam e eu, vestido de preto, com uma mochila às costas e com uma figura que já me levou a ser confundido com um egípcio no próprio Egipto, pensei que seria sujeito a uma daquelas revistas rigorosas em que, em última instância, alisam até a pilosidade pubiana.

A minha mochila tem três compartimentos de média dimensão,sendo que em todos eles carregava pelo menos uma bolsa opaca, misturadas com livros e roupa, por isso pensei que teria entretenimento para muito tempo.

Nada mais errado.

Revistar-me foi algo que não terá pensado pela cabeça dos polícias e a muito custo lá pediram para abrir a mochila, sim senhor, numa operação que terá durado no máximo 5 segundos.

Tirei-a das costas, abri o primeiro compartimento (que continha dois volumes opacos – a minha bolsa de higiene e um saco com comida), o polícia deu uma breve mirada, e quando ia abrir o segundo disseram-me que estava tudo bem e que podia passar, acompanhado de um sorriso e votos de boa noite.

Não é que não fosse agradável a facilidade de passagem e a simpatia demonstrada, mas por toda a pompa demonstrada e o volume de dinheiro investido no reforço da segurança, nunca pensei que fosse aplicado aqui o habitual regime de nacional porreirismo.

Resta-me acreditar que este aparente desleixo mais não é do que uma estratégia psicológica de alto gabarito.

Se formos hospitaleiros e muitos simpáticos, estabelece-se uma empatia enorme com os potenciais terroristas, de tal forma que os levará a abandonar os seus maléficos esquemas de destruição, e até a comprar um ou outro pastel de Belém, que acondicionarão na volta, junto da embalagem de C4.

Esperemos que funcione e que não esteja já aquela zona preparada para uma implosão, com cargas explosivas levadas no interior de mochilas, dentro de bolsas de higiene.

Subvoar

Novembro 16th, 2010

Porque é que as pessoas acham tão fascinante sobrevoar uma cidade?

Toda a gente fica maravilhada quando vê uma paisagem aérea urbana, uma imagem colhida de um arranha-céus ou quando passa de avião ou helicóptero por cima de uma cidade.

Não será tão fascinante subvoar uma cidade quanto sobrevoá-la?

Percorrê-la bem juntinho ao chão e ver os edifícios a ganharem outra dimensão, num crescimento onde o céu é o único limite, ao mesmo tempo que se pode sentir de perto o pulsar da cidade, as suas pessoas e o seu movimento.

Desafio-vos a se lançarem nesta nova modalidade, pedirem emprestada uma cama com rodinhas ao mecânico mais próximo de vós e subvoarem a vossa cidade bem rentinho ao chão, olhando para cima.

Tenho a certeza que será uma experiência, no mínimo, reveladora, que mudará a vossa perspectiva urbana e, quiçá, a forma como vêem a vida.

Cura rápida

Novembro 9th, 2010

O Serviço Nacional de Saúde, a sua organização, a qualidade e rapidez do serviço prestado é algo que preocupa todos os portugueses.

As Unidades de Saúde Familiar surgiram com o propósito de aumentar a facilidade de acesso aos cuidados de saúde, incrementar a qualidade, a satisfação e melhorar a eficiência nos serviços.

Pela minha experiência pessoal acho que funcionam bem, mas as pessoas ainda não os procuram a não ser que seja inevitável.

Uma demonstração de arrojo e visão por parte dos nossos governantes seria aumentar em larga escala essa rede de cuidados de saúde, permitindo que eles fossem implantados nos sítios mais visitados das cidades, os centros comerciais.

Devia-se adaptar o conceito de negócio das tão populares cadeias de fast food, e criar lojas de fast cure em todos os centros comerciais do país, dando origem a redes de lojas como o McDóidói’s ou a Dental Hut, com procedimentos standard e elevados padrões de controle de qualidade, associados a uma imagem corporativa forte, atendimento rápido, e produtos perfeitamente adaptados às necessidades e motivações dos clientes, a um baixo custo.

Imaginem por exemplo um dia poderem ir ao McDóidóis e pedir um Menu BigMaca, com extra gesso, acompanhado de trata feridas das grandes e o copo maior de soro sem gelo, e isso vos ser servido só em 2 minutos.

Não tenho dúvidas que era um conceito exportável para todo o Mundo e gerador de grande riqueza para quem o tivesse patenteado.

Noite das Buchas

Novembro 1st, 2010

Pouca gente sabe disto, mas aquilo que hoje conhecemos em Portugal com a designação de Noite das Bruxas deveria ser, a bem da verdade, chamado de Noite das Buchas.

Esta tradição terá alegadamente tido a sua origem nos EUA, quando duas balofas senhoras, adictas em açúcar, esgotaram todo o seu stock de guloseimas e recursos financeiros para adquirir mais.

Decidiram então vestir-se de forma assustadora e pedir aos vizinhos que lhes dessem doces, sob pena de lhes pregarem uma partida se não acedessem ao pedido.

Como as senhoras eram conhecidas nas redondezas por serem bastante vingativas – uma já não tinha um olho e à outra faltava-lhe um dente – toda a gente se prontificou a contribuir para encher o seu saco de doces, e então encheram o bandulho com toneladas de produtos açucarados.

Constatando o sucesso que as buchas tiveram, rapidamente outras pessoas começaram a seguir o seu exemplo e a partir daí, uma vez por ano, uma multidão sai à rua durante a noite em pequenos grupos envergando disfarces horríficos, a pedir guloseimas.

Essa noite começou entretanto a ser chamada de Halloween, não se sabendo bem porquê, mas eu acho que deve ser uma derivação popular da expressão “hollow win” (em tradução literal “vitória oca”), que significa que a concretização dos objectivos dos rapinadores de doces é só uma vitória vã, dado que lhes vai originar futuramente graves problemas de saúde ao nível da dentição, pele e sistema digestivo, nomeadamente com o aparecimento de cáries, erupções cutâneas e diarreias.