Intermitência na escrita

Junho 17th, 2013

Eu adoro escrever, escrevinhar, sarrabiscar.

A escrita é, para mim, o bilhete para uma viagem sem destino, onde nem o céu é o limite.

Infelizmente a vida não está para grandes viagens.

O tempo escasseia e as necessidades de contínua geração de conteúdos de cariz profissional consome  a minha pena de uma forma que torna mais difícil a minha vinda aqui.

Mais do que o tempo físico, o tempo mental tem-me levado para outras paragens.

E tenho saudades – muitas – de esparramar palermices por estas páginas virtuais, de sentir a criatividade correr livremente como um cãozinho hiperativo solto numa pradaria.

É certo que me podia disciplinar e obrigar-me a trazer as ideias a passear aqui mais vezes, mas estaria a contaminar a essência do que me trás cá, porque uma obrigação não é um prazer.

Para este prazer tenho que sentir que me posso entregar completamente, e por isso peço a quem gosta daquilo que escrevo – sim estou neste momento com um pequeno espelho de bolso pendurado no ecrã – que tenha paciência e que compreenda esta intermitência.

Vou fazer de tudo para que possa voltar a encontrar esse tempinho tão precioso que me permita voltar à escrita aqui no ninho.

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Espera crónica

Agosto 6th, 2012

Ficar à espera é a segunda coisa mais desagradável que me ocorre ao pensamento, logo a seguir à inserção de um ferro quente pelo uretra.

Sem exagero!

Aliás, a partir de 5 minutos de espera já começo a sentir cada segundo como uma bigorna a cair na cabeça repetidamente, para imaginarem o grau de sofrimento que o estado de espera significa para mim.

O único atraso de que gostei foi o de um período, que me trouxe a melhor notícia de todas.

E foi só esse, porque outros houve antes que me deixaram branco e com suores frios.

Infelizmente parece que nasci com uma espécie de relógio biológico que não funciona só como incentivo à paternidade, mas que me impele também para o rigoroso cumprimento horário dos compromissos assumidos.

Como um mal nunca vem só, quis a minha fortuna que nascesse num pedaço de terreno onde o atraso é quase uma instituição.

É de tal forma que as pessoas já acordam atrasadas e com uma “excelente” desculpa para esse acontecimento.

Depois queixam-se que não têm tempo para nada e rónhónhó, mas esquecem-se que são elas as responsáveis pela gestão desse tempo.

É normal chegar atrasado, é “bem” chegar atrasado, é sinal de atividade chegar atrasado, é sinal de importância chegar atrasado.

É uma falta de respeito do c@r@&#0, é o que é!

Parece que quem faz das tripas coração para chegar sempre a tempo e horas é que está mal.

É stressado, é demasiadamente rigoroso, é chato.

Este problema de atraso crónico identifica-nos enquanto sociedade e tolhe-nos de uma forma que acho que ninguém verdadeiramente se apercebe por aqui.

Reflete-se não só ao nível das relações sociais e familiares, mas é sobretudo no trabalho que acho verdadeiramente insuportável que se aborde o tempo desta forma.

Se os senhores da troika me solicitassem uma única sugestão para inverter a atual situação eu dir-lhes-ia:

“É comprar um relógio para esta malta toda. Mas façam uns especiais que permitam integração com a agenda e que dêem um choque elétrico por cada minuto de atraso.”

Veriam como a produtividade aumentava substancialmente num mesinho!

Fuso horário unipessoal

Abril 19th, 2011

Há pessoas que parece que têm um fuso horário unipessoal, normalmente regulado a ocidente das outras pessoas.

Quando se combina um encontro para determinada hora, chegam sempre depois, e agem como se nada fosse e até seja perfeitamente normal chegar com mais de 30 minutos de atraso.

Os fusos horários unipessoais caracterizam-se pela falta de rigor científico, variando muito de pessoa para pessoa, mas variando também na própria pessoa, que pode chegar com 15 minutos de atraso a um local, mas no mesmo dia pode aparecer, numa segunda vez, 45 minutos depois da hora.

É um mistério o funcionamento e a regulação deste género de fuso horário.

A mim causa-me imenso transtorno, porque me regulo pela exactidão do fuso horário nacional (seja lá onde estiver) e por isso estou no local combinado, regra geral, escrupulosamente à hora marcada.

E ainda por cima sou uma pessoa que “jet-laga” com facilidade, como se constata pela aparição regular da sintomatologia associada, como sejam dores de cabeça, confusão e irritabilidade, de cada vez que combino alguma coisa com uma destas pessoas.

Se considerarmos que “tempo é dinheiro”, não seria pertinente que houvesse uma lei que obrigasse ao pagamento de uma taxa por se perder tanto tempo e paciência à espera que estas pessoas apareçam?

“Estou aqui à tua espera há mais de 20 minutos! Estás-me a dever 10€ de T.E.M.P.O. (Taxa Especial por Massacrar a Paciência dos Outros).”, seria uma frase possível de aplicar com o surgimento dessa taxa.

Acredito que a partir daí muita gente começasse começasse a acertar o seu relógio interno pelo fuso horário nacional e não pelo seu próprio fuso.

Se não o fizessem , pelo menos eu poderia deixar de trabalhar e dedicar-me exclusivamente a viver de T.E.M.P.O.