Se for bebé, não conduza!

Abril 23rd, 2012

Há poucos dias li uma notícia sobre a criação de um programa de empréstimo de cadeirinhas de bebé para transporte em veículos, vulgo “ovinhos”.

Esta iniciativa da Direcção-Geral de Saúde é bem intencionada e de aplaudir, principalmente num contexto de crise económica.

Pretende-se com ela evitar a morte de bebés, vítimas de acidentes automóveis, e isso é sempre de louvar.

Segundo uma das pessoas envolvidas na promoção desta iniciativa, “todos os dias, 14 crianças são vítimas de acidentes, sendo que 8 são passageiros”.

Talvez fosse bom analisarmos estas palavras, porque se calhar ainda vamos a tempo de mudar o mote da campanha.

Segundo percebo, das 14 crianças acidentadas só 8 são passageiros, o que quer dizer que os outros 6 serão… condutores!?

Então talvez o problema não esteja somente nas cadeiras meus caros!

Se calhar é melhor começar a pensar em sensibilizar as pessoas para não pôr os bebés a conduzir, não?

Se não for pelo argumento de que são descoordenados e inconscientes, pelo menos tenham atenção que nos primeiros tempos eles não só não chegam aos pedais como nem as cores dos semáforos têm capacidade para reconhecer.

A iniciativa das cadeirinhas de transporte  é válida, sim senhor, mas está visto que é preciso mais, sendo a minha sugestão no sentido de acrescentar um pequeno autocolante na cadeirinha entregue, com a seguinte frase: “Se for bebé, não conduza!”

 

Policiamento low-cost

Julho 15th, 2011

Segundo uma notícia recente, um polícia de Vila do Conde conduzia há anos carros patrulha, apesar de não ter carta de condução.

Acho que faz sentido neste esforço nacional para a diminuição da dívida pública, porque o patrulhamento, feito por este polícia, devia ser muito mais barato do que o que é feito pelos restantes agentes.

No seguimento da secular tradição comercial portuguesa, que consta na diminuição de honorários consoante o cliente pretenda ou não factura, a polícia desenvolveu um novo meio de corte nos custos para o cliente final, que será certamente aplicável às empresas de transportes de passageiros ou mercadorias: “com carta ou sem carta?”

Muito argutas as forças de segurança, no seu contributo para a contenção da despesa do cidadão!

Segundo fonte que já ganhou verdete junto à bica, a polícia está agora a estudar a remoção da obrigatoriedade da licença de porte de arma para os seus agentes, aprovar uma diminuição do uniforme até ao nível de calção curto, utilização de fisgas  em vez de pistolas e a possibilidade de substituição do distintivo policial por uma marcação inscrita na testa ou no corpo, com batôn, a dizer PSP.

Assim, a polícia portuguesa estima poupar cerca de uma batelada de dinheiro, sendo pioneiros de uma nova vaga nas forças da ordem a nível mundial: o policiamento low-cost.

Segurança nata

Novembro 19th, 2010

Estive ontem à noite naquele que é apontado como o sítio mais seguro do mundo neste momento, no Parque das Nações, em Lisboa, onde vai decorrer a Cimeira da NATO.

Cheguei lá de noite e deparei com um enorme aparato policial, com centenas de polícias e dezenas de viaturas, tudo fortemente rodeado por grades de mais de 2 metros de altura, para que nada passe.

À minha frente estava o cordão policial que passava em revista todos os que ali transitavam e eu, vestido de preto, com uma mochila às costas e com uma figura que já me levou a ser confundido com um egípcio no próprio Egipto, pensei que seria sujeito a uma daquelas revistas rigorosas em que, em última instância, alisam até a pilosidade pubiana.

A minha mochila tem três compartimentos de média dimensão,sendo que em todos eles carregava pelo menos uma bolsa opaca, misturadas com livros e roupa, por isso pensei que teria entretenimento para muito tempo.

Nada mais errado.

Revistar-me foi algo que não terá pensado pela cabeça dos polícias e a muito custo lá pediram para abrir a mochila, sim senhor, numa operação que terá durado no máximo 5 segundos.

Tirei-a das costas, abri o primeiro compartimento (que continha dois volumes opacos – a minha bolsa de higiene e um saco com comida), o polícia deu uma breve mirada, e quando ia abrir o segundo disseram-me que estava tudo bem e que podia passar, acompanhado de um sorriso e votos de boa noite.

Não é que não fosse agradável a facilidade de passagem e a simpatia demonstrada, mas por toda a pompa demonstrada e o volume de dinheiro investido no reforço da segurança, nunca pensei que fosse aplicado aqui o habitual regime de nacional porreirismo.

Resta-me acreditar que este aparente desleixo mais não é do que uma estratégia psicológica de alto gabarito.

Se formos hospitaleiros e muitos simpáticos, estabelece-se uma empatia enorme com os potenciais terroristas, de tal forma que os levará a abandonar os seus maléficos esquemas de destruição, e até a comprar um ou outro pastel de Belém, que acondicionarão na volta, junto da embalagem de C4.

Esperemos que funcione e que não esteja já aquela zona preparada para uma implosão, com cargas explosivas levadas no interior de mochilas, dentro de bolsas de higiene.

Prostitutas com colete

Novembro 4th, 2010

Aparentemente não falta quem queira que a prostituição seja bem sinalizada.

Depois de terem sidos colocados sinais verticais em Treviso (Itália) a indicar a sua presença, é agora a vez de Els Alamús, perto de Lleida (Espanha), adoptar uma lei que obriga as prostitutas de rua a usar um colete reflector (ou chalecos, como eles dizem), alegadamente para diminuir os riscos de atropelamento.

Ora o que é que isto gera?

Que o incauto condutor, ao deparar com um brigada de coletes depois de uma curva, pense que se trate de uma operação policial e exclame “Tou fo&1&o!”.

E depois apercebe-se que só está se quiser, e pagar por isso.

São as regras básicas de higiene e segurança no trabalho a serem aplicadas à mais antiga profissão do mundo, o que está, a meu ver, muito bem visto.

O passo a seguir será obrigá-las a fornecer ao cliente um “capacete” certificado, serem consultadas regularmente pela medicina no trabalho, usarem sapatos de tacão de biqueira de aço, soutiens à prova de bala, protecções bocais e luvas esterilizadas aquando do contacto oral ou manual com o órgão do cliente, além de elas próprias terem que ver os seus procedimentos certificados pela norma ISO 9001:2008.

Eu acho que elas deviam também aproveitar esta oportunidade para usar os coletes para a comunicação, estampando neles, com letras reflectoras, todas as suas mais valias e promoções,  seguindo a estrutura herdada dos anúncios de relax da escola do marketing prostitucional “Paloma, cachonda de 19 añitos, culazo, pecho XXL, griego profundo, 30 chalequitos”.