Toca a despir… enquanto não chove

Julho 23rd, 2009
Acho maravilhosa a relação de cumplicidade entre a religião e sexo.
Já tive oportunidade de falar aqui nisso, de uma forma ou de outra, mas esta estória é simplesmente deliciosa.
No estado de Bihar, na Índia, a falta de chuva, que aparece normalmente no período das monções, levou os agricultores locais a adoptarem uma estratégia, no mínimo, curiosa.
A estratégia passa por pedir às jovens solteiras para semearem os campos nuas.
O objectivo é embaraçar os deuses, a tal ponto que eles se sintam na obrigação de enviar chuva para as plantações crescerem e taparem as meninas.
Ora aí está o que eu chamo de um excelente pretexto, e imaginei logo o diálogo dos dois agricultores que tiveram esta ideia peregrina.

– Tá um calor insuportável Rachid, não me apetece nada semear hoje.
– A mim também não Vijay. A mim agora apetecia-me ver umas miúdas nuas a semear por mim ali no campo, e nós ficávamos aqui a beber uma cervejinha e a mandar bitaites, isso é que era!
– Era bom era, mas isso é pecado Rachid, os Deuses iam-nos castigar de certeza.
– Olha lá, mas podíamos dizer que estávamos a fazer isto precisamente para Lhes chamar a atenção, não achas?
– Tipo dizer que Eles andam distraídos e que deviam ter vergonha porque as coitadas das meninas até já têm que andar nuas porque não chove e não temos dinheiro para lhes dar roupa?
– Isso! Não é genial?
– Mas tu acreditas que isso vai dar resultado?
– Se tu acreditares, eu acredito. Acreditas que os Deuses existem não acreditas?
– Acredito.
– E achas que Eles iam aprovar que as miúdas andassem por aí sem roupinha, a mostrar as partes pudengas a todos?
– Não.
– Então lá está! Fazemos chover e ainda vemos umas miúdas nuas. É perfeito.
– E se corre mal Rachid?
– Se corre mal o quê Vijay? Se chover temos boas plantações, se não chover vemos miúdas nuas. Ganhamos sempre.

Não posso garantir que este diálogo tenha ocorrido, provavelmente até é bastante descabido, mas o facto é que elas lá andam, nuazinhas, a semear os campos…enquanto não chove.

Quem quer ser convertido?

Julho 6th, 2009
Depois de aqui ter avançado com uma teoria que envolvia religião e televisão, a EucarisTV, volto a este tema porque li a notícia de que o Kanal T, da televisão turca, decidiu juntar estes dois ingredientes, que quando combinados dão a receita perfeita para o aumento das audiências, e avançar para o registo de reality show.
Este programa propõe juntar um padre, um monge, um imã e um rabi com dez ateus.
O objectivo é converter pelo menos um destes dez não-crentes, ganhando assim mais uma ovelha para o seu rebanho.
Os novos crentes ganharão uma viagem de peregrinação ao local que escolherem que, consoante a fé para a qual pendam no processo de conversão, poderá ser Vaticano, Tibete, Meca ou Jerusálem.
Para evitar que apareçam candidatos à procura de umas férias baratas, todos os candidatos serão avaliados por uma equipa de teólogos.
O programa, como não podia deixar de ser, está a levantar bastante polémica.
Imaginem a polémica que não será então se acontece uma surpresa e os ateus convertem os guias espirituais!
Se isto acontece, além da polémica, fica também patente uma tremenda injustiça, porque não está estipulado nenhum prémio caso isso se verifique.
Parece-me a mim que era mais do que justo levar todos para uma noite de pecado louco se os ateus lograssem este feito.
Com uma ida a um estádio de futebol em Portugal, onde há de tudo: mulheres com pompons, corrupção, jogo (pouco, quase não se vê), droga, cervejas e palavrões.

Alfândega da Fé

Junho 28th, 2009
De onde virá o nome da cidade de Alfândega da Fé?
Eu julgo (e não deverei andar longe da verdade) que em tempos idos era a esta cidade que todos os que entrassem no nosso País, e fossem seguidores de outras religiões que não a Católica Apostólica Romana, se deveriam dirigir para lhes ser tributado um imposto alfandegário por importação de fé estrangeira.
Todos os muçulmanos, hindus, budistas, evangélicos brasileiros, mórmons, cientologistas e afins, que entrassem em Portugal eram encaminhados para esta cidade para aí serem inquiridos pelos serviços aduaneiros e ser calculado o valor a pagar.
O valor seria calculado pela quantidade de fé importada, traduzida no número de pessoas do agregado familiar.
Italianos e espanhóis tinham uma certa facilidade, então, de livre circulação no nosso País.
Quem não pagasse este imposto veria a sua fé retida na Alfândega e não poderia rezar ou acreditar noutro Deus enquanto não pagasse o imposto alfandegário.
A fé retida era depois vendida a preços baixos passado um ano, se os seus legítimos crentes não a reclamassem.
Famílias inteiras, como os Nabeiro, fizeram fortuna vendendo cá fé.
Os descendentes dos funcionários alfandegários, que eram conhecidos como “os senhores da Fé”, herdaram a alcunha, como é o caso de Maria da Fé, conhecida fadista nacional.
Desde que Portugal se declarou um estado laico, este imposto deixou de fazer sentido e os serviços foram desactivados, mantendo-se o nome da cidade inalterado para não gastar dinheiro na reformulação de todo o economato da câmara municipal.

Dom Manuel Linda

Junho 28th, 2009
Se fosse dia 1 de Abril eu não acreditava nesta notícia.
É difícil acreditar porque este senhor tem muito azar com os nomes que fazem parte da sua história de vida.
Imaginem como será uma apresentação breve deste prelado aos restantes bispos:
“Bom dia. O meu nome é Linda, venho de Paus e doutorei-me em Comillas.”

EucarisTV

Maio 18th, 2009

Poucos serão os países ocidentais que, numa grelha de canal aberto dos seus canais televisivos, encontram a missa dominical.

Pois bem, cá em Portugal os crentes podem escolher entre dois canais (RTP e TVI) que providenciam este serviço público.
A surpresa não está aqui.
A minha observação depois de ter deparado com uma missa a ser transmitida em directo na televisão este domingo é outra.
As missas têm relato!
Nunca tinha reparado nisto, mas como alguém se deve ter apercebido que a eucaristia é um bocadinho para o monótona, puseram um sacerdote em voz off a narrar os acontecimentos de tão animado evento.
Resultado: uma voz sussurada, monocórdica e melancólica vai dizendo o que se passa e torna tudo muito mais interessante.
Ou não!
Compreendo que seja útil para pessoas acamadas ou com dificuldade de locomoção este programa, mas não as massacrem com o locutor, por favor!
É que ainda por cima não dão dados interessantes sobre estatísticas (número de óstias entregues por minuto, número de argumentos certos, número de eucaristias presididas na carreira, ou, para as mais beatas, número de assistências) ou informação táctica (como a utilização de diáconos nas alas, posicionamento no altar, antecipações na resposta ao sacerdote ou homilia atacante ou defensiva) ou mesmo técnica (imposição lateral de partículas, técnica de boca na comunhão ou a destrinça entre a técnica correcta perante a abordagem à cruz).
Então como resolver este problema?
Com a profissionalização do sector!
Criando uma EucarisTV seria possível angariar fundos para formar convenientemente estes relatadores de eucaristias, e toda a gente ficava mais bem servida e contentinha.
E podia-se inclusivamente passar eucaristias italianas (mais defensivas e conservadoras) ou inglesas (mais abertas e fluídas, o conceito de missa espectáculo no seu expoente máximo).
Acrescentem-se alguns programas de debate eucarístico com repetição e análise das passagens dominicais mais polémicas, alguns documentários sobre o interior das sacristias e um fórum vespertino e está criado um canal de sucesso.