Puxe ou empurre?

Fevereiro 24th, 2017

Numa bela e gélida manhã de Inverno, daquelas que desaconselham a urinadela masculina na via pública, de modo a evitar embaraços acerca da dimensão percebida da sua masculinidade, procurava eu um WC onde pudesse libertar confortavelmente, e de forma privada, o incomodativo líquido acumulado na bexiga.

Eis senão quando (bela expressão que não sei se se escreve assim), me deparo com duas portas, uma com um ícone representativo de um cidadão do sexo masculino e outra com um ícone semelhante, desta feita indicando ser ali o local adequado para cidadãos portadores de deficiência física.

Até aqui tudo muito bem.

O que me causou espécie (como soe dizer-se no norte do País), foi aquilo que entendi como sendo as regras de utilização das premissas para quem as usa com o intuito de defecar, escritas garrafalmente nessas portas.

O conselho inscrito na porta destinada às pessoas com deficiência era pertinente e avisado, como poderá o leitor constatar na imagem.

É um velho método, popular, muito eficaz na expulsão das impurezas sólidas do organismo, sendo que nunca é demais relembrar que essa é a forma mais aconselhada para o fazer.

Muito bem, caro gestor de espaço público!

Mas ao olhar para o procedimento aconselhado aos cidadãos do sexo masculino, fui imediatamente assaltado pela perplexidade e posteriormente pela revolta (que já só levou o que sobrava, emocionalmente).

Como se conseguirá expelir eficazmente o trolhão, lançar o calhau à água, lograr o alívio máximo… empurrando?!?

Que pretenderá obter o gestor daquele espaço, com este aviso tão desviante e enganador, cuja leitura é impossível evitar ao incauto pré-defecador?

Não deslindei outra justificação que não a de estarmos perante uma tropelia de mau gosto, uma espécie de “apanhados”, uma inaceitável tentativa de confundir as mentes dos utilizadores daquele recinto, para puro gozo de quem observa as câmaras, que certamente existirão, estrategicamente plantadas juntos dos sanitários vasos.

Denuncie-se pois o acto pérfido desta personagem e alerte-se os cidadãos para não se deixarem cair nesta esparrela.

Puxem senhores! Puxem!20160829_170452

Câmaras motivacionais

Setembro 8th, 2016

Já repararam na força motivacional que uma câmara pode exercer no público de um estádio, seja ele de futebol, beisebol ou nos Jogos Olímpicos, em qualquer parte do mundo?

Se uma câmara foca determinado indivíduo ou grupo durante um evento desportivo, passando essa imagem no ecrã do estádio, a equipa pode estar a perder por 86-0, pode a imagem estar a interromper uma acesa discussão entre um casal ou estar a cair um autêntico dilúvio de canivetes, que o efeito é sempre o mesmo: acenos efusivos para a câmara, carregados de alegria, frenéticos e muitas vezes histéricos.

Tudo se esquece e o que importa é a entrega total e incontida àquele momento tão especial.

Parece que saíram dez euromilhões aos visados, como se aparecer nos ecrãs do estádio fosse a coisa mais importante da vida deles, como se esse fosse o único propósito que justifica a sua presença ali, a derradeira recompensa, que carregarão na memória para sempre, a melhor história de vida que hão-de contar aos seus descendentes.

A pergunta que me faço várias vezes é: e se aproveitássemos esta força motivacional das câmaras em sítios habitualmente aborrecidos ou tristes?

Como seria se nos velórios se instalasse um ecrã, alimentado por uma câmara que de tempos a tempos focava o choroso público?

Qual seria o efeito, numa repartição de finanças, se a espaços aparecessem, no ecrã das senhas, imagens das pessoas que pacientemente esperam pela sua vez de serem crucificadas fiscalmente?

Visualizem a cena e imaginem a viúva a interromper o pranto para mostrar com um sorriso histriónico o cartaz com os dizeres “Amor, ainda estou aqui!”, ou o insatisfeito contribuinte a saltar da cadeira e a levantar a camisa com uma mão mostrando a inscrição “IRS sucks!” enquanto acena com a outra um alarve pirete e mimetiza uma gargalhada à Joker?

Tudo seria mais divertido, mais leve, ser-nos-ia dada a sensação de que estar naquele sítio, naquele momento, é algo que realmente vale a pena, prepararíamos a nossa presença com outro espírito, mais positivo, ensaiando o que faremos se formos os felizes contemplados com aqueles breves segundos de imagem.

Mais que tudo, tornaríamos mais suportáveis e divertidos esses momentos de desagrado ou dor e espalharíamos sorrisos e acenos por este mundo, por vezes tão apagado de emoções positivas.

Se tiverem oportunidade, experimentem nos vossos locais de trabalho e depois digam como correu, está bem?
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