Números nos vidros dos carros

Agosto 25th, 2011

Começo a reparar num número crescente de carros com papéis colados no vidros, onde consta tão somente um número constituído por nove algarismos, começando todos pelo 9, semelhante a um número de telefone.

Qual será o significado disto?

Há quem diga que é sinal de que está para venda, mas não vejo nada que permita tirar essa conclusão de forma inabalável.

Já me ocorreu que talvez sejam pessoas solitárias ou que gostam de muito falar, e por isso publicitam o seu número de telefone, sem se identificarem.

Um boa notícia para quem faz chamadas anónimas, porque se telefonar para um desses números vai falar com alguém que também não sabe quem é, havendo assim algo que os une.

Pareceu-me no entanto ter ouvido – vociferado numa conversa de café por um senhor que tinha acabado de perder uma aposta, cuja penalização o obrigou a raspar a traqueia por dentro com um cacto – que se tratará de um jogo de sorte, organizado pela concorrência silenciosa – ou silenciada – da Santa Casa da Misericórdia.

Um jogo clandestino inspirado na lotaria, em que um indivíduo – não identificado – procura pelo País o carro que tenha colado no seu vidro o número constituído por nove algarismos, começado por 9, em que ele pensou na noite anterior, enquanto obrava antes de ir para a cama.

O prémio será equivalente ao número – diz-se por aí, não se sabe bem onde – mas em kwacha malawiana.

Pode também ser uma espécie de tatuagem posta no carro, como fazem alguns reclusos na própria pele, mantendo viva a memória de quando o proprietário ficou preso no trânsito, sem comer e sem beber, chegando depois ao fim da fila e verificando que afinal não se passava nada.

O número corresponderá à totalidade de milissegundos passados em torturas semelhantes nos últimos dez anos se for habitante de uma cidade de média dimensão, sendo que em Lisboa e Porto a contagem é feita anualmente e no interior do País secularmente.

A dúvida mantém-se no meu espírito, com a certeza porém de que, seja lá o que forem estes números, são algo misterioso e pouco transparente, o que deve tornar as manobras um bocadinho mais complicadas.

T-shirts marcadas

Junho 29th, 2011

É um desafio titânico tentar comprar uma t-shirt original e de boa qualidade nas lojas de marcas conhecidas, nos centros comerciais.

Isto porque aparentemente saíram de linha os modelos em que o tecido não tenha sido invadido por letras com o nome da marca em tamanho gigante, para que não passe despercebido ao mais distraído dos transeuntes.

Qual é o interesse de comprar uma peça de roupa que tenha inscrita em letras garrafais a marca que estamos a usar?

Parece que todas as marcas se lembraram de transformar os seus clientes em outdoors ambulantes, tal como se fazia antigamente com aqueles painéis sanduíche que se punham em cima das pessoas, que depois andavam na rua a espalhar a mensagem desejada.

Acho piada que há quem ache parolo andar com uma t-shirt de um clube de futebol, mas não se importa nada de ter uma marca de roupa a ocupar toda a parte da frente de uma t-shirt!

Diz que é fashion, ao que parece.

Não consigo perceber porque é que se está a pagar tanto para fazer publicidade a uma marca.

No sentido exactamente contrário ao que é suposto acontecer, o cliente está a pagar para fazer publicidade de borla à marca.

Não devia ser ao contrário?

– Se não se importar de ter a nossa marca estampada em 85% da parte visível da sua t-shirt nós damos-lhe 34€.

– Não sei, parece-me pouco. Ainda ontem pedi um orçamento para um outdoor aqui à entrada do centro comercial e pediram-me 700€ por mês. E é fixo, não anda por toda a cidade! Ora como eu espero usar esta peça pelo menos 10 vezes acho que podemos negociar a partir de 230€, que me diz?

– Infelizmente só lhe podemos dar até 100€. Mesmo em saldos só podemos oferecer até 200€. Com esta crise temos que cortar um bocadinho no orçamento para publicidade, como com certeza compreenderá.

– Fazemos assim, como eu gosto muito da cor e simpatizo com a menina porque tem um busto apetecível, ficamos pelos 100€ e o seu número de telefone, e assim eu levo a t-shirt, pode ser?

– Muito bem. O meu número é o 936###### e aqui estão os seus 100€. Pedimos só que não adultere a t-shirt e nem a dê assinar a nenhuma celebridade porque pode ser alguém com quem a nossa marca não se identifique e isso poderá prejudicar a nossa imagem.

– Ok, obrigado. Logo falamos então.

 

Prostitutas com colete

Novembro 4th, 2010

Aparentemente não falta quem queira que a prostituição seja bem sinalizada.

Depois de terem sidos colocados sinais verticais em Treviso (Itália) a indicar a sua presença, é agora a vez de Els Alamús, perto de Lleida (Espanha), adoptar uma lei que obriga as prostitutas de rua a usar um colete reflector (ou chalecos, como eles dizem), alegadamente para diminuir os riscos de atropelamento.

Ora o que é que isto gera?

Que o incauto condutor, ao deparar com um brigada de coletes depois de uma curva, pense que se trate de uma operação policial e exclame “Tou fo&1&o!”.

E depois apercebe-se que só está se quiser, e pagar por isso.

São as regras básicas de higiene e segurança no trabalho a serem aplicadas à mais antiga profissão do mundo, o que está, a meu ver, muito bem visto.

O passo a seguir será obrigá-las a fornecer ao cliente um “capacete” certificado, serem consultadas regularmente pela medicina no trabalho, usarem sapatos de tacão de biqueira de aço, soutiens à prova de bala, protecções bocais e luvas esterilizadas aquando do contacto oral ou manual com o órgão do cliente, além de elas próprias terem que ver os seus procedimentos certificados pela norma ISO 9001:2008.

Eu acho que elas deviam também aproveitar esta oportunidade para usar os coletes para a comunicação, estampando neles, com letras reflectoras, todas as suas mais valias e promoções,  seguindo a estrutura herdada dos anúncios de relax da escola do marketing prostitucional “Paloma, cachonda de 19 añitos, culazo, pecho XXL, griego profundo, 30 chalequitos”.

Encontra o teu sapatinho

Setembro 28th, 2010

A partir de hoje, e até dia 9 de Outubro, inicia-se a iniciativa perfeita para quem, não sendo a Cinderela,  quer sentir o prazer de encontrar o sapato perfeito a um preço de sonho.

A Zilian escondeu nas cidades de Braga e Lisboa centenas de sapatos, em ginásios, discotecas, spas, cabeleireiros, enfim, em todos os sítios habitualmente frequentados por senhoras.

O objectivo é que as madames que encontrem esse sapatinho da nova colecção Outono-Inverno se dirijam a uma loja Zilian para ir buscar o outro, ficando assim com 50% de desconto sobre o valor do par.

Podem trocar o modelo e o número se assim o entenderem, o que torna tudo ainda mais apelativo.

Não é um conto de fadas, nem é uma oferta de descabelar ninguém (até ver), mas não deixa de ser uma iniciativa de marketing engraçada e um desconto simpático para quem encontrar esses sapatos.

Vá lá meninas, toca a olhar para debaixo das mesas dos cafés e levantar as saias às peixeiras, que pode ser que esteja lá o vosso.