Wannabe

Novembro 6th, 2012

Eu sei, eu sei.

Nunca mais disse nada, nem um telefonema, nem uma carta, nem nada.

Sei que alguns devem estar chateados porque abandonei o tasco, outros – muitos mais -, estarão aliviados porque deixei de entupir a sua via de sanidade mental.

No entanto, deixem-me dizer-vos em minha defesa que esta longa ausência se deveu a uma boa causa.

A meio caminho entre um filho biológico e outro, dediquei os últimos meses a gerar um filho profissional, que já veio ao mundo, no final do mês de outubro.

Quis apresentar-vos em primeira mão a sua face, mas o tempo que me ocupou foi tanto que só agora tenho um bocadinho livre para vos poder falar dele.

Podem visitá-lo em www.wannabe.com.pt, e também no Facebook, Twitter ou Google +, se preferirem.

Dêem-lhe carinho, alimentem-no, façam comentários, partilhem-no, porque este, ao contrário dos biológicos, é um filho que quero o mais exposto ao mundo possível.

Prometo vir aqui com mais regularidade daqui em diante se o tratarem bem.

Espero que gostem!

 

241.833.600 segundos…

Abril 30th, 2012

… , 4.030.560 minutos, 67.176 horas, 2.799 dias, 399 semanas.

Isto tudo é o mesmo que dizer 7 anos e 8 meses, exatamente, que este vosso amigo dedicou a um projeto profissional, afincadamente e com paixão.

São todos contáveis porque esta é a forma que eu tenho de encarar a profissão, com atenção permanente, com envolvimento e dedicação constante, que não esmorece nem sai do pensamento apesar das folgas, baixas ou férias.

É isso que me faz levantar da cama com um sorriso, é isso que dá sentido e completa a minha vida: produzir e produzir bem.

Hoje é o último dia de um percurso bonito, enriquecedor, pleno de alegrias, conquistas e muita aprendizagem.

Não é um dia de tristeza, mas sim um dia de regozijo e orgulho, pelo que se conseguiu fazer, pelos resultados obtidos, pelas amizades criadas.

É também um dia de alegria porque significa o começo de um novo ciclo, de novos desafios, com mais responsabilidade mas com redobrada força, para dar seguimento profissional a tudo o que este tempo significou para mim.

Fica aqui assinalado esse dia, porque é importante na minha vida e porque é fundamental para mim que fique também registado o meu sincero agradecimento a todos os que contribuiram para este caminho percorrido.

A quem acreditou no meu potencial e me apoiou em todos os momentos, a todos os colegas que entretanto se tornaram também amigos e principalmente à minha família, que me deu, e continua a dar, as bases fundamentais para poder olhar com orgulho para o percurso passado e com segurança para o futuro.

Muitíssimo obrigado a todos!

O novo caminho já está assinalado e é relevante que seja o dia do trabalhador a assinalar essa mudança, porque vai ser preciso trabalho – muito – para atingir os objetivos a que me propus.

A confiança é grande, a expectativa é muita e a vontade de pôr mãos à obra é imensa.

Vamos lá a isso!

Profissão: Nativo

Março 3rd, 2011

Há pessoas neste Mundo cuja profissão é simplesmente ser nativo.

A sua missão é ficar parados o dia todo junto da sua casa típica, envergando um traje tradicional e cumprimentando em dialecto local os turistas, que procuram desesperadamente uma foto-troféu com o indivíduo, exibindo-as posteriormente como se tivessem pescado um espadarte de sete metros na rebentação das ondas provenientes do mar alto.

Os rendimentos dos nativos vêem da contribuição dos turistas que museificam estas pessoas no seu habitat natural, remunerando-os por se manterem “originais” – ainda que os artesanato local que vendem seja fabricado na China, a comida que oferecem comprada numa grande superfície ou os seus trajes obtidos numa loja de disfarces de Carnaval.

A fuga do seu padrão de comportamento expectável será tão surpreendente como um peixe decidir fumar um charro dentro de um aquário, fazendo bolinhas com a boca e dissertando sobre a filosofia de Nietzsche, e por isso não se recomenda.

Esta é a razão porque a ASAE nunca conseguiu vingar na internacionalização, porque se a ASAE se internacionalizasse os índios deixariam de poder fumar o cachimbo da paz, os asiáticos deixavam de vender insectos fritos na rua e os cubanos não mais enrolariam os charutos em cima das coxas de mulatas.O nativo de sucesso é, porém, aquele que não se limita a estar, mas que é pró-activo e criador de pontos de interesse turístico, por exemplo transformando uma simples rocha com uma forma curiosa num bisonte que aí sofreu um desgosto de amor e que enfurecido saltou do penhasco para se suicidar, sendo salvo pela intervenção de um deus local do amor que o rochificou antes que chegasse ao mar.

A natividade (não confundir com o nascimento de Cristo), ou nativismo, encontra maior expressão usualmente nos países economicamente menos desenvolvidos ou em crise, sendo por isso uma profissão de futuro no nosso burgo.

Por isso acho que deveria ser uma prioridade do POPH, cujos responsáveis têm que abrir os olhos para esta realidade e apostar na formação e qualificação de cada vez mais nativos lusos como reforço da oferta turística nacional.

Podem contar com a minha modesta contribuição, já que planeio no futuro deixar crescer o buço às minhas filhas e vestilas de saias pretas, com o devido lenço negro e cesto de vime à cabeça, enquanto os meus filhos usarão desde novos um bigode empatilhado, um garruço, palito na boca e uma sachola.

Vou pô-los a viver num palheiro junto da corte das vacas, para que não lhes falte nada e sejam nativos de sucesso e reconhecidos mundialmente.