A escolinha da Máfia

Julho 19th, 2010

Alguma vez vos passou pela cabeça que os atletas são uns mercenários?

Acreditam que os gestores são um bando da mafiosos?

Desconfiam que há esquemas de legalidade duvidosa em alguns movimentos religiosos?

Se há alguma verdade nestas insinuações, porque não fazer como aconselhava o Artista Bastos, e assumi-lo com frontalidade?

Deve ter sido isso que pensou Michael Franzese.

Este ex-mafioso, outrora considerado um dos mais ricos e influentes homens do crime organizado de Nova Iorque, é hoje em dia um orador motivacional, que se dedica a dar conferências para gestores, atletas e líderes religiosos.

Digam lá se não é uma ideia brilhante?

Às vezes nota-se um certo amadorismo na mafiosice praticada em determinados sectores da sociedade, e este senhor vai com certeza dar importantes dicas para o aprimorar das boas práticas que se esperam destas pessoas.

É sempre bom ver a experiência de um mafioso bem sucedido a ser passada abertamente a um vasto leque de mafiosos encapotados.

Engraçada é a ausência, no extenso rol de ouvintes, de políticos, apesar de não ser totalmente surpreendente, dada a proficiência destes na arte de bem mafiar.

Cortes com estilo

Maio 27th, 2010

A nossa classe política é um bocado trapalhona na apresentação de medidas impopulares, e estes últimos cortes – ou medidas de austeridade, como lhe queiram chamar – apresentados pelo governo são prova disso mesmo.

Oram vejam como eu acho que eles deviam ter apresentado as coisas:

“Caros cidadãos,

Numa avaliação feita às nossas contas públicas, levada a cabo por uma entidade independente, a revista Vogue, chegou-se à conclusão que temos um sistema económico-financeiro demasiadamente rétro e ineficaz.

Assim sendo, decidiu o Governo pedir a colaboração da consagrada estilista portuguesa Fátima Lopes, para nos ajudar a instituir cortes corajosos, mais ousados, mais modernos e seguindo as tendências minimalistas adoptadas no panorama externo, dotando o País de uma imagem mais consentânea com os padrões exigidos internacionalmente e mantendo-nos na vanguarda das políticas de contenção orçamental.

Estes novos cortes parecerão estranhos, e mesmo incómodos inicialmente para alguns, mas ajudarão seguramente a reduzir de sobremaneira os custos supérfluos, utilizando de forma mais comedida os nossos recursos.

A sobre-exposição a que ficaremos sujeitos, e a que certamente os mais tradicionalistas não estarão habituados, deverá ser encarada por todos como uma manifestação de arrojo, audácia e modernidade, e um acréscimo de sensualidade e glamour para os portugueses.

Decidiu também o Conselho de Ministros – seguindo aliás as recomendações de Sua Excelência, o Presidente da República – convocar a cidadã Sofia Aparício, para, numa adaptação das linhas de conduta e conselhos práticos que já nos vinha dando no seu programa 86-60-86, nos ajudar a alcançar as medidas ideais e a emagrecer substancialmente as contas do Estado.”

Não era muito melhor assim? Enganavam-nos na mesma, sofríamos que nos lixávamos da mesma forma, mas com muito estilo!

Gloucestershire Cheese Rolling cancelado

Maio 13th, 2010

Más notícias para os perseguidores de queijo e os apaixonados por esta magnífica tradição popular.

Anualmente organizava-se em Maio, a cerca de seis quilómetros e meio de Gloucester, na colina de Cooper, uma corrida cujo objectivo era apanhar um queijo que era lançado por uma colina.

Ora, por esta altura, já os perseguidores de queijo estariam a aquecer as rótulas e a preparar os músculos para descer vertiginosamente colina abaixo, não fosse o facto de as autoridades britânicas – vá-se lá saber porquê! – terem considerado que esta prova era perigosa para a saúde dos intervenientes.

Por mais que me esforce, não consigo perceber esta medida, até porque, já diz o ditado, “a descer todos os santos ajudam” e por isso só posso interpretar aqueles supostos trambolhões como uma forma divertida que os santos arranjaram para aumentar a atractividade da corrida, intervindo à posteriori, já fora do alcance das objectivas, para a cura de eventuais mazelas.

No vídeo abaixo é notório que as autoridades de saúde britânicas exageram, porque há o cuidado de fazer esta prova numa colina com bastante vegetação e no fundo da colina estão “apanhadores” de pessoas para garantir que elas param – com placagens a fazer lembrar o rugby – antes de embater nos duríssimos fardos de palha atrás deles.

Eu, e muitos fãs da perseguição ao queijinho, vamos ficar a torcer para que estas corridas voltem e para que ganhem até dimensão política, sendo os candidatos a governantes escolhidos pelos seus méritos na apanha do queijo, à melhor de… deixa cá ver… à melhor de 150, vá.

PEC?

Março 9th, 2010

Eu acho que as pessoas à vezes pecam por não especificar melhor de que é que estão a falar.

Um bom exemplo desse pecadilho linguístico, é utilização da sigla PEC, porque podemos estar a falar de muitas coisas diferentes: do Programa de Estabilidade e Crescimento, do Pagamento Especial por Conta, de uma Prova Especial de Classificação, do Programa de Estudos Comparatistas, da revista Psicologia Educação Cultura ou de um Plano Estratégico de Comunicação, entre outros.

Isto pode gerar alguma confusão, porque se de repente alguém começar a interpretar o relato de uma Prova Especial de Classificação de um qualquer rallye como sendo a avaliação do Programa de Estabilidade e Crescimento, ninguém se entende.

E se alguém comentar um artigo da revista Psicologia Educação Cultura e o interlocutor pensar que essa pessoa está a falar de um artigo relativo ao Pagamento Especial por Conta?

Vai dar confusão de certeza.

Imagine-se então se alguém começa a falar do Gregory Peck ou se com um sotaque manhoso mencionam um pack de cervejas ou a Tetra Pak?

Aí então é que está definitivamente lançado o caos interpretativo.

Se calhar só a mim é que me faz confusão.

Talvez  seja por eu ser um bocadinho peco.

Mossad – Os segredos da espionagem israelita

Fevereiro 19th, 2010

A divulgação deste vídeo com alegados operacionais da Mossad em plena operação no Dubai, fez-me ir buscar ao meu baú de memórias um livro que li há uns anos, que ainda é, para mim, uma referência.

O livro é uma narração na primeira pessoa, de um ex-operacional da Mossad e conta pormenorizadamente como trabalha esta organização secreta israelita.

Desde o recrutamento, passando pelo treino, manobras políticas e operações reais, tudo o que Victor Ostrovsky sabia sobre a Mossad, está publicado neste livro.

É um excelente documento em que nos são dados detalhes deliciosos sobre o sub-mundo da espionagem global, onde são revelados segredos e truques e onde nos podemos aperceber da importância que os serviços secretos desempenham na política mundial, e como são instrumento para os mais variados fins.

Indispensável leitura para quem tiver interesse pela espionagem, política mundial e estratégia militar.