Xiu, xôr agente!

Novembro 7th, 2011

Um dos truques mais utilizados pela indústria cinematográfica, para dar mais ação aos filmes, são as perseguições policiais.

É sempre bastante excitante e prazeroso assistir a uma boa perseguição enquanto se faz uma boa perguiçassão, e por isso essa dupla deve ser convenientemente alimentada, a bem do espectador.

O que me aflige é a forma como às vezes o início dessa perseguição é demasiadamente forçada, retirando a espontaneidade necessária a um entretenimento minimamente credível.

Já assistiram a isto várias vezes, aposto: o meliante está compenetrado a tentar forçar a fechadura de uma casa, quando do fim da rua ouve um grito a clamar para que pare com esta sua ação criminal, permaneça no seu sítio e ponha as mãos no ar.

Invariavelmente o bandido foge, gozando de uma distância inicial que lhe permite manter a fuga durante largos minutos, enquanto se desarrumam contentores do lixo, se disparam balas que acertam em corrimões e se forçam travagens bruscas aos carros que transitam na via pública (quando isto acontece dá bem para ver quem é o polícia e o ladrão, porque o primeiro agradece e pede desculpa ao condutor).

É sabido que os polícias são sempre mais fortes, rápidos e certeiros que os ladrões, tudo bem, mas para quê dar-lhes sempre um avanço tão grande?

A imagem transmitida é uma de duas: ou os polícias do cinema são muito estúpidos e ainda não perceberam que assim estão a “assustar a caça”, dando-lhes uma vantagem desnecessária, ou então são uns irresponsáveis, que para seu entretenimento próprio – já que lhes dá imenso gozo perseguir ladrões -, estão-se nas tintas para o objectivo final e põem em causa a segurança dos cidadãos e o perfeito estado dos objetos danificados durante a perseguição.

Meus amigos, como é que se caçam moscas?

Como é que se obtém bons resultados na pesca?

Com gritinhos a avisar que estamos ali?

Não é, pois não?

É muito mais eficaz que o agente da autoridade se aproxime sem fazer ruído, para depois, à distância de meio braço, aplicar um calduço em condições ao metralha, pondo-o inconsciente!

Ou então disparar um balázio certeiro à cabeça, usando aquela mira espetacular que costumam ter, mas preparando o tiro à distância e em silêncio.

Perdia-se emoção, é certo, mas ganhava-se em contenção de custos e serenidade da vizinhança, e isso é algo que temos que ter em conta, dada a época de crise que vivemos.

Não se acordam meninos, não se partem vidros, não se explodem carros.

Perfeito.

Paz e ordem, senhores agentes das películas, é o que vocês devem garantir, não é exatamente o inverso.

Não se esqueçam que são um exemplo e peçam aos vossos guionistas para vos mudar esta atitude.

Vão ficar muito mais credíveis, serão muito mais admirados pelos métodos utilizados e vão estar muito menos cansados no final do filme, vão ver.

 

 

Policiamento low-cost

Julho 15th, 2011

Segundo uma notícia recente, um polícia de Vila do Conde conduzia há anos carros patrulha, apesar de não ter carta de condução.

Acho que faz sentido neste esforço nacional para a diminuição da dívida pública, porque o patrulhamento, feito por este polícia, devia ser muito mais barato do que o que é feito pelos restantes agentes.

No seguimento da secular tradição comercial portuguesa, que consta na diminuição de honorários consoante o cliente pretenda ou não factura, a polícia desenvolveu um novo meio de corte nos custos para o cliente final, que será certamente aplicável às empresas de transportes de passageiros ou mercadorias: “com carta ou sem carta?”

Muito argutas as forças de segurança, no seu contributo para a contenção da despesa do cidadão!

Segundo fonte que já ganhou verdete junto à bica, a polícia está agora a estudar a remoção da obrigatoriedade da licença de porte de arma para os seus agentes, aprovar uma diminuição do uniforme até ao nível de calção curto, utilização de fisgas  em vez de pistolas e a possibilidade de substituição do distintivo policial por uma marcação inscrita na testa ou no corpo, com batôn, a dizer PSP.

Assim, a polícia portuguesa estima poupar cerca de uma batelada de dinheiro, sendo pioneiros de uma nova vaga nas forças da ordem a nível mundial: o policiamento low-cost.

Segurança nata

Novembro 19th, 2010

Estive ontem à noite naquele que é apontado como o sítio mais seguro do mundo neste momento, no Parque das Nações, em Lisboa, onde vai decorrer a Cimeira da NATO.

Cheguei lá de noite e deparei com um enorme aparato policial, com centenas de polícias e dezenas de viaturas, tudo fortemente rodeado por grades de mais de 2 metros de altura, para que nada passe.

À minha frente estava o cordão policial que passava em revista todos os que ali transitavam e eu, vestido de preto, com uma mochila às costas e com uma figura que já me levou a ser confundido com um egípcio no próprio Egipto, pensei que seria sujeito a uma daquelas revistas rigorosas em que, em última instância, alisam até a pilosidade pubiana.

A minha mochila tem três compartimentos de média dimensão,sendo que em todos eles carregava pelo menos uma bolsa opaca, misturadas com livros e roupa, por isso pensei que teria entretenimento para muito tempo.

Nada mais errado.

Revistar-me foi algo que não terá pensado pela cabeça dos polícias e a muito custo lá pediram para abrir a mochila, sim senhor, numa operação que terá durado no máximo 5 segundos.

Tirei-a das costas, abri o primeiro compartimento (que continha dois volumes opacos – a minha bolsa de higiene e um saco com comida), o polícia deu uma breve mirada, e quando ia abrir o segundo disseram-me que estava tudo bem e que podia passar, acompanhado de um sorriso e votos de boa noite.

Não é que não fosse agradável a facilidade de passagem e a simpatia demonstrada, mas por toda a pompa demonstrada e o volume de dinheiro investido no reforço da segurança, nunca pensei que fosse aplicado aqui o habitual regime de nacional porreirismo.

Resta-me acreditar que este aparente desleixo mais não é do que uma estratégia psicológica de alto gabarito.

Se formos hospitaleiros e muitos simpáticos, estabelece-se uma empatia enorme com os potenciais terroristas, de tal forma que os levará a abandonar os seus maléficos esquemas de destruição, e até a comprar um ou outro pastel de Belém, que acondicionarão na volta, junto da embalagem de C4.

Esperemos que funcione e que não esteja já aquela zona preparada para uma implosão, com cargas explosivas levadas no interior de mochilas, dentro de bolsas de higiene.

Alegria no trabalho

Setembro 20th, 2010

Eu sei. Eu sei que é quase uma heresia escrever este título a uma segunda feira, mas o vídeo que se segue inspira a que busquemos essa alegria.

Qual a solução?

Adaptarmos os nossos gostos à realidade da nossa função, por muito rotineira que ela seja, auto-motivando-nos assim para a cumprirmos na perfeição.

Este exemplo vem de um polícia de trânsito de Nova Iorque, que tem o prazer da dança e resolveu adaptar os movimentos inerentes à sua função de regulador de trânsito, para poder dançar e trabalhar ao mesmo tempo.

Resultado: diverte-se enquanto trabalha, chama a atenção dos condutores e assim regula o trânsito com mais eficácia.

Vejam lá o senhor Wilbert Castillo em acção.

Equipamento policial anti-chuva

Junho 13th, 2010

No regresso de Paris, brindado com uma recepção chuvosa, deparei com esta imagem, ilustrativa do sofisticado equipamento policial que se usa cá pelo burgo.

A fotografia foi colhida à distância, mas dá para perceber que este agente da P.S.P. está excelentemente equipado, com uma camisinha de manga curta e guarda-chuva, que lhe permite o abrigo da intempérie, mas também o dota de algum estilo.

Fiquei particularmente sensibilizado pela coerência na conjugação de cores, a denotar sobriedade e bom gosto de quem escolhe o fardamento e seus respectivos acessórios.

Facto digno de nota é o de o referido agente, que tinha a missão de regular o trânsito automóvel, ter tido com certeza problemas em regular o seu próprio trânsito intestinal, já que, momentos antes, um carro que se dirigia em alta velocidade na sua direcção lhe pregou um susto tal, que ele teve que saltar a barreira da via rápida para a outra faixa.

Tudo isto sem deixar cair o guarda-chuva, que até o deverá ter ajudado a estabilizar o vôo e a suavizar a aterragem.

A raquete é que foi parar ao chão, para não fazer esta manobra com peso excessivo.

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