A classe média de António José Saraiva

Julho 1st, 2011

Eu adoro ficção, gosto imenso de pessoas criativas e até aprecio de certa forma assistir a dissertações lunáticas de alguns loucos na rua, mas este texto de António José Saraiva, o director do SOL, é um disparate editorial tão grande, um desfasamento da realidade tão assombroso, uma alucinação tão demente que me deixou perplexo.

Se os desastres naturais são considerados por muitos um espectáculo, este desastre intelectual será também algo digno de observação atenta.

Para este senhor a classe média bebe água Vichy ou Voss, champanhe Cristal ou Möet et Chandon e desloca-se de carro em Mercedes classe E e Audi A6, voando sempre em 1ª classe ou executiva.

Nada mais corriqueiro para qualquer classe-mediano, que por simples peneiras ou falta de patriotismo económico prefere Marlboro a SG Gigante ou uma Carlsberg a uma Super Bock.

Ah! Esses safardanas da classe média!

Se eles não existissem é que estávamos bem!

Esbanjadores!

Chega a ser insultuoso este texto para quem, sendo de classe média, não se pode dar ao luxo de voar em 1ª nem beber regularmente água Voss, mas que ainda vai tendo informação suficiente para saber que o Marlboro é produzido cá, tal como a Carlsberg, e discernimento q. b. para gerir como bem lhe aprouver o seu cada vez mais escasso rendimento.

Mas não sei se me deva sentir insultado ou se devo ter pena por assistir ao processo crescente de demência de uma pessoa com responsabilidade social, pela posição que ocupa e mediatismo a que tem acesso.

Se calhar não devia estar surpreendido, até porque já havia quem tivesse tido o cuidado de nos alertar para o estado caótico do raciocínio deste senhor, mas antes agradecido, pela orientação que me deu.

Vou deixar de gastar dinheiro com o SOL.

Senna

Junho 20th, 2011

Quem me conhece sabe que não sou pessoa dada a idolatrias, fanatismos ou seguidismos, mas existem personalidades que admiro de forma muito intensa, pela sua personalidade, carácter e percurso de vida.

Ayrton Senna foi uma dessas personalidades, que me deixava colado à televisão a seguir as suas proezas, que me punha a vibrar nos duelos fantásticos que protagonizou com Prost ou Mansell, e que conseguia ser mais que um mero piloto, um exemplo de humildade, trabalho, persistência, rigor e positivismo.

Foi por isso com muita emoção que vi o filme documentário “Senna“, um filme muito bem estruturado, com testemunhos sentidos – alguns deles surpreendentes – de quem viveu de perto com ele todos os momentos do seu interessantíssimo percurso, e que me prendeu emocionado ao ecrã durante mais de duas horas.

Um filme que lhe faz jus e que muito dignifica a vida deste grande piloto.

Um documentário imperdível para qualquer adepto do desporto automóvel, da Fórmula 1, para os fãs de Ayrton Senna, mas também para quem quiser conhecer mais em pormenor um bom exemplo de vida.

Talking Funny

Abril 26th, 2011

Tive hoje o enorme prazer de visionar uma amena cavaqueira entre quatro grandes senhores do humor mundial: Chris Rock, Louis C.K. e os grandes mestres Jerry Seinfeld e Ricky Gervais.

O programa chama-se Talking Funny, já se consegue encontrar algures pendurado nas cordas impolutas da rede, e é uma delícia de converseta.

Para quem gosta de humor e de perceber a mecânica do mesmo, esta partilha de experiências informal entre quatro grandes humoristas é absolutamente imperdível.

Revelação Wikileaks: Pai Natal não existe

Dezembro 20th, 2010

A mais recente bomba da Wikileaks rebentou nos programas infantis como Noddy, Winx e Ruca, os meios de comunicação escolhidos para divulgar a toda a pequenada a sua mais recente e polémica descoberta: o Pai Natal afinal não existe.

Segundo a Wikileaks, que conseguiu esta informação através de um duende anónimo que tem um caso com uma ex-secretária do embaixador dos EUA na Lapónia, e que conseguiu ter acesso aos seus e-mails, um senhor encorpado e barbudo é contratado todos os anos, num casting secreto organizado conjuntamente pelos governos dos EUA, Reino Unido, Lapónia e pela Associação dos Avós.

O senhor escolhido é depois sujeito a uma operação na garganta para o impedir de revelar verbalmente o segredo, conseguindo apenas emitir o som “OH”, sendo-lhe simultaneamente feito um branqueamento capilar e a implantação de luvas felpudas e sem dedos, para não poder escrever mensagens nem executar linguagem gestual.

No conteúdo dos e-mails agora divulgados revelam-se factos assustadores e dignos de exposição pública, como o patrocínio encapotado da Coca-Cola a esta fraude de proporções mundiais, a falta de chip nas renas que indicia que não estarão devidamente registadas nem vacinadas, o envolvimento de pais de todo o planeta que forjaram cartas durante anos (o teor dessas cartas será também divulgado aos poucos nos próximos dias), e a enorme falta de consideração por outros símbolos natalícios, inclusivamente com desrespeito directo na referência ao próprio fundador da quadra, Jesus Cristo, que é mencionado na correspondência por alcunhas como “Berçolas”, “Fraldinhas”, “Pastel de Belém” ou “Pirralho”.

O fundador da Wikileaks, Julian Assange, afirmou que está muito feliz pela partilha desta informação com as crianças de todo o mundo e já garantiu que não ficará por aqui na sua luta pela transparência e liberdade de expressão, prometendo para breve novas revelações acerca do Coelhinho da Páscoa, da Fada do Dente, da WWE e dos truques de Houdini.

Cordeiro

Dezembro 13th, 2010

Finalizei este fim-de-semana a leitura de um livro absolutamente fantástico.

Cordeiro- O Evangelho Segundo Biff (o amigo de infância de Jesus Cristo) relata-nos uma história surreal, extremamente bem humorada, desprovida de preconceitos e tabus sobre a vida de Jesus Cristo, com principal incidência na sua infância e juventude, tão pouco documentada.

A história é relatada por Levi bar Alphaeus (também conhecido por Biff), que foi resgatado ao mundo dos mortos pelo anjo Raziel e aprisionado no quarto de um hotel de luxo para escrever este evangelho, onde relata na primeira pessoa tudo aquilo que viveu ao lado do seu amigo de infância Jesua bar José (ou Jesus Cristo), dando a sua perspectiva muito própria de todos os acontecimentos da época.

É um livro delicioso, para se ler de mente aberta, onde Christopher Moore não tenta “achincalhar” a crença de ninguém, mas apenas fornecer um ângulo diferente, preenchendo as lacunas dos relatos sobre a vida de Jesus, com muito humor, personagens soberbas, diálogos mirabolantes e “revelações” surpreendentes.

Leitura obrigatória para quem gosta de boa escrita humorística.