Magagaga

Janeiro 9th, 2014

Poucas são as figuras consensuais, que pelos seus feitos, valores e forma de estar na vida merecem a admiração de todo um povo.

Eusébio da Silva Ferreira juntou ao seu inegável e enorme talento futebolístico a sua humildade, simpatia e desportivismo, que o tornaram num símbolo maior do futebol, do desporto e de Portugal.

Para todos que amam o desporto, e o futebol em particular, Eusébio foi, é, e será, uma figura incontornável, que inspirou a sua geração e as que se seguiram, e que continuará a ser um exemplo que devemos manter vivo na nossa memória.

Os Homens de valor devem sempre ser lembrados, sem idolatrias mas com imenso respeito e admiração, e por isso, à falta de estórias pessoais passadas com ele e palavras dignas da sua grandiosidade, aqui deixo estes dois vídeos muito interessantes para quem o quiser conhecer melhor.

Descansa em paz Magagaga.

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12h12 de 12/12/12

Dezembro 12th, 2012

São neste momento exatamente 12h12 do dia 12/12/12.

O chão não mexe, não se vê meteoros a cair em catadupa, os animais andam tranquilos e o meu vizinho ainda é benfiquista, sinal de que nada de muito grave se estará a passar.

Estava ansioso por este dia, porque a confirmarem-se as profecias ia deixar muita coisa por fazer.

Não estava preparado para assistir à mega trovoada sabendo que ainda não subi ao Everest, não provei nenhum prato da autoria do chef Ferran Adriá, não mergulhei na grande barreira de Coral, não joguei no relvado do Estádio de Wembley nem vi pinguins na Antártica.

Mas acima de tudo não estava conformado com o facto de isto acabar e eu deixar o meu filho mais velho analfabeto e o mais novo ainda no forno.

São de facto muitas as coisas que tenho para fazer nos próximos tempos, por isso incomodava-me um bocadinho esta coisa de o Mundo acabar hoje.

Apesar do muito que se tem feito em termos de estratégia politica global, parece que mais uma vez não foram cumpridos os prazos e ainda não foi desta que conseguiram destruir isto de vez.

Teremos que esperar por 2013 para assistir a mais manobras destruidoras dos nossos agentes políticos, e pode ser que consigam, com a habitual derrapagem orçamental e temporal, dar cabo disto tudo até 2015.

Respiremos então profundamente, gozando desta sensação de que podemos voltar a trabalhar descansados, sabendo que estamos a contribuir para o prestimoso Estado português, para a visionária política de austeridade da União Europeia e para a continuidade deste armagedão económico-financeiro.

Bom resto de continuação, como soi agora dizer-se.

Earth-Exploding

 

A cueca enquanto marca identitária

Agosto 28th, 2012

Tenho para mim que a cueca é o objeto pessoal que mais nos define enquanto pessoas.

É pena que ainda ninguém tenha estudado academicamente o impacto da cueca na formação do caráter ou a sua importância enquanto marca identitária.

Boxers, cuecões, gola alta, fio dental, slips.

Rotos, engomados, com esquissos rupestres, coloridos ou cinzentões, com bonequinhos ou lisos, largos ou apertados, com pinga ou sem pinga.

Todas estas variáveis do universo cuequês identificam, sem margem para dúvidas, a personalidade da pessoa que as utiliza.

Não acho correta a catalogação das pessoas pelo tipo de vestuário visível exteriormente.

Betos, punks, dreads ou rockabillys, todos têm por baixo algo que não mostram, mas onde reside de facto a sua afirmação enquanto pessoas.

Na cueca.

Se pensarem bem, a expressão “quero-te saltar para a cueca” tem sido das mais injustiçadas no que à sua interpretação diz respeito, já que o que ela realmente significa é “quero entrar no mais intímo de ti e conhecer-te tal como verdadeiramente és”.

Nada mais romântico, diria eu, mas as pessoas regra geral não entendem a frase desta maneira.

Uma das maiores dificuldades de historiadores e investigadores de outras eras, reside no facto de as cuecas não resistirem ao passar do tempo, decompondo-se.

Seria bastante mais fácil perceber a evolução humana tendo acesso às cuecas dos nossos antepassados.

Que impurezas esconderiam as arianas cuecas de Hitler?

O que tentava Marilyn Monroe esconder quando o vento soprava por baixo da sua saia?

Quão elásticas seriam as cuecas de Churchill?

A que cheirariam as milagrosas cuecas de Cristo?

Que pinturas ostentariam as surreais cuecas de Salvador Dali?

Terá sido Pedro Álvares Cabral o inventor do fio dental?

O conhecimento destas pequenas peças de vestuário abrir-nos-ia a porta de uma nova enciclopédia histórica, certamente.

Melhor ainda seria se pudéssemos conhecer os nossos contemporâneos dessa forma.

Daniel Oliveira, se me estás a ler, presta atenção a este conselho: encontrarás muito mais emoção nos teus convidados, e revelações surpreendentes, se perguntares “o que dizem as tuas cuecas?”.

Imposto sobre heranças e doações

Agosto 29th, 2011

O nosso Presidente da República mostrou-se recentemente favorável ao ressurgimento de um imposto sobre heranças e doações.

Estas declarações deixaram muita gente estupefacta e indignada, julgando este imposto estapafúrdio.

Esta reacção deve-se ao facto de nem todos terem a faculdade de possuir uma massa cinzenta luminescente, como a do nosso Presidente, associado a um baixo conhecimento geral sobre o modus operandi do nosso povo no que à matéria fiscal diz respeito.

Seria aconselhável que todos parássemos um pouco para pensar no reais efeitos desta medida, ante de criticarmos levianamente.

É sabido, por muito que se queira encobrir este facto, que o povo português tem uma tendência natural para fugir aos impostos – ou pelo menos tentar.

Sendo assim, o que aconteceria se este imposto existisse?

Os portugueses morreriam menos, ou pelo menos empenhar-se-iam muito mais para que isso acontecesse, só pelo facto de saberem que assim não iam contribuir para engordar os cofres do estado.

Além da satisfação geral das famílias, pela manutenção durante mais tempo da convivência com os seus entes queridos, obter-se-ia também uma poupança significativa nos gastos com funerais.

Este efeito alargador da sobrevivência dos portugueses é, no entanto, factor de preocupação para os profissionais do sector, estando prevista para os próximos dias uma manifestação junto ao Cemitério dos Prazeres, organizada pela Confederação Nacional de Mortes (C.N.M), que objecta com veemência esta medida, dada a instabilidade que a mesma acarreta para as carreiras destes profissionais.

Segundo Josué Jazigo, presidente da C.N.M, “toda a gente diz que a Morte é certa, e não é por acaso, já que nos últimos anos temos mostrado a nossa dedicação e profissionalismo. Por isso parece-me inadequado criarem-se condições para a desestabilização do sector. Sem matéria prima não conseguimos trabalhar e temos objectivos exigentes para cumprir, por causa do acordo com a Troika, que não podem ser postos em causa!”

Quando questionado até onde as Mortes estariam dispostas a ir, Josué Jazigo afirmou: “A nossa luta será até ao fim! Não nos provoquem porque não vamos ficar quietos. Com a Morte não se brinca!”.

A Cooperativa de Fabricantes de Ceifeiras Manuais e a União dos Tecelões de Mantos Negros com Capuz estão solidários com as Mortes e estarão também presentes na manifestação, distribuindo simbolicamente mantos tingidos e ceifeiras com lâminas quebradas aos transeuntes.

Espera-se uma grande afluência de Mortes a este acontecimento, tendo a TVI e o Correio da Manhã garantido o exclusivo da cobertura em directo do evento.

 

 

Oficial de Cabeleireiro

Agosto 12th, 2011

Ora cá está algo verdadeiramente surpreendente.

Quando se pensava que já estava tudo inventado no que ao mundo capilar diz respeito, onde se incluem as profissões de barbeiro, cabeleireiro unisexo ou estilista capilar, eis que surge a EPAVE militarizando o sector, através da introdução de uma hierarquia, como se depreende da expressão “Oficial de Cabeleireiro”.

Talvez inspirados pelo filme Oficial e Cavalheiro, em que, sublinhe-se, Richard Gere aparece impecavelmente penteado, os responsáveis da EPAVE dão um novo élan ao manuseamento e desbaste de pilosidade craniana, transmitindo-lhe o charme e o rigor que faltava.

Mas não é qualquer um que chega a Oficial de Cabeleireiro.

Tudo começa com o treino, apelidado de “recurta”, onde aprendem a manejar as armas pontiagudas e de sopro, os rolos de mão, a transportar lacas, a disparar bitaites, a evitar pisar as meninas e a lidar com as brazucas.

Parte importante deste treino debruça-se depois sobre aspectos tecnicamente mais avançados, como estratégia de corte, negociação de vinténs e manobras de parlapiê, que os deixe preparados para enfrentar todo o tipo de cliente, por mais difícl que seja.

O último teste surge na já célebre Semana de Campanha, em que são postos à prova em salões repletos de clientes histéricas, na ânsia de aproveitar os preços invulgarmente baixos que são praticados naqueles dias.

O Baile dos Oficiais finaliza o curso, e aqui, de forma simbólica, os novos Oficiais rapam as gadelhas uns aos outros, atirando-as seguidamente ao ar, em sinal de alegria pelo finalizar de um duro ciclo.

Posteriormente recebem as insígnias de Sargento de Cabelaria, podendo progredir na carreira até chegar a eventualmente a Chefe de Estado Maior – General das Toucas Armadas.

Boa sorte, minhas bravas e meus bravos, nas vossas missões.

O bem estar dos escalpes da Nação depende de vocês!