Agente Feijão

Outubro 24th, 2013

No mundo da espionagem, uma das principais virtudes é a capacidade de passar despercebido.

A arte da camuflagem e do disfarce é muito importante para os agentes secretos e do seu bom uso poderá depender as sua sobrevivência.

Erroneamente, muitos têm no camaleão uma referência, mas existe alguém com muito mais a ensinar.

O guru desta arte é tão bom profissional, tão discreto, que poucos o reconhecem como agente secreto.

O Agente Feijão tem características únicas que lhe permitem entrar em qualquer casa do mundo, ser apreciado, fazer o seu trabalho sem ninguém dar nada por isso e sair de gás, por entre constrangimentos ou risos.

Tem a capacidade de se adaptar a qualquer circunstância, apresentando-se verde, vermelho, frade, preto ou manteiga, entre outras variantes mais ou menos conhecidas.

Consegue trabalhar com os mais variados tipos de agente, seja ele porco, búzio ou farofa, complementando-os na perfeição e denotando uma versatilidade acima de média.

A empatia que consegue estabelecer com as suas vítimas é tal, que mesmo gerando grandes explosões internas, as pessoas continuam a recorrer a ele.

Estejam atentos, a partir de agora, porque ele cairá sub-repticiamente na vossa sopa, quando menos estiverem à espera.

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Redes soxiais

Janeiro 5th, 2012

No final do ano passado, veio a público a notícia de que José Castelo Branco – essa personagem rococó – terá alegadamente participado em “orgias”, sendo mesmo sugerido pela comunicação social que este tipo de encontros será comum entre algumas celebridades e pessoas anónimas, formando uma rede secreta de convívios deste género.

Logo houve quem se sentisse enojado com esta notícia, insurgindo-se de forma acalorada contra este tipo de eventos.

São pessoas que têm algumas dificuldades em ver para além do óbvio.

Libertemo-nos por um momento da imagem mental de ver esta bicha gerontófila nua e envolvida em atos que impliquem qualquer tipo de contacto sexual seja com o que for, vivo ou morto ou assim-assim, para nos concentrarmos no fenómeno sociológico a que podemos estar a assistir.

É já amplamente conhecido o fenómeno das redes sociais e o seu impacto na sociedade contemporânea.

É também hoje aceite como uma necessidade o estabelecimento de conexões sociais que tragam benefícios para a vida profissional.

Ora, estes eventos – que alguns teimam em confundir com orgias – mais não são do que reuniões em que se propicia o estreitamento de laços profissionais e sociais, por via do sexo em grupo.

Serão, usando o jargão empresarial, ações de networking ao nível da genitália grupal, que poderão bem ser uma tendência de futuro, a ter em conta para quem quer ter sucesso no mundo dos negócios.

Segundo rezam as crónicas – entre um Pai Nosso e uma Avé Maria, para desenjoar – está prevista a cibernetização deste tipo de redes, associando o conceito de networking genital de grupo ao das comuns redes sociais on-line.

Este novo conceito ficará conhecido por “redes soxiais” e terá expectávelmente uma adesão massiva dos vários sectores da sociedade com estômago isento de patologias graves.

É todo um novo mundo de oportunidades que se abre, literalmente, por isso estejam atentos e não se espantem se um dia receberem um mail com um convite de um amigo para aderir à página cujo logótipo apresentamos abaixo em primeira mão.

Popota de Natal

Dezembro 19th, 2011

Há mistérios na vida que me parece que só poderão ser desvendados numa sessão de esclarecimento no Além.

Um deles é este fenómeno popotesco que nos vem atormentando as últimas épocas natalícias.

Quem no seu perfeito juízo se lembra de criar uma mascote de Natal que é uma hipopótama cor de rosa vestida de forma provocante e a dançar de forma supostamente sexy?

O que é que isto tem de natalício?

As nossas crianças crescem a ver a cada cinco segundos, na televisão e nos cartazes espalhados por todo o lado, um animal obeso a dançar a lambada e envergando roupas reduzidas e reluzentes, rebolando as fartas carnes em movimentos sedutores para atrair a petizada.

Eu não acredito que as crianças possam crescer normalmente com esta gosma a colar-se nas paredes do seu imaginário.

Têm que ficar desorientadas e com tendência para ir pedir prendas de Natal por e-mail aos sites de BBW.

Tudo bem que o Pai Natal é fortezito e os bonecos de neve também não são um exemplo de elegância, mas não andam para aí vestidos de cabedal e lantejoulas nem a roçar-se no varão, ou andam?

Ao menos ponham o animal a concorrer ao Peso Pesado para dar um bom exemplo à meninada, e ponham-lhe uns mantos natalícios que lhe dêem menos ar de Poputa, pode ser?

E não vale a pena virem dizer que a Leopoldina é melhor, que aquele bico também não engana ninguém!

 

ben-u-ron

Junho 9th, 2011

Poucas vezes premiado ou referenciado em galas que referenciam ou premeiam coisas e pessoas, o ben-u-ron é o melhor amigo do Homem na sua luta contra as mais variadas maleitas.

Dores de cabeça? Tome um ben-u-ron.

Indisposição? Um ben-u-ron ajuda.

Dói-lhe um dente? Já tomou um ben-u-ron?

Ressaca? Experimente tomar um ben-u-ron.

Febre? É porque ainda não tomou um ben-u-ron!É tão versátil e as pessoas usam-no para tantos fins que acredito ser hoje capaz de fazer aquilo que aparentemente seria impossível: mossa concorrencial a medicamentos tão diversos como o Quitoso ou o Gino-Canesten.

Há até relatos que, devido às suas características, é utilizado em festas do jet-set para afastar pessoas que misturam o piroso e o patético, daí vir escrito na caixa que é um antipirético.

Para uma utilização tão abrangente talvez contribua o facto do nome deste medicamento fazer lembrar Ben-Hur, uma personagem lutadora, que vence qualquer desafio contra o mais poderoso dos inimigos e em condições muito desvantajosas.

É como se o medicamento se montasse numa quadriga e avançasse destemido sobre os mais variados causadores de doenças, chicoteando impiedosamente todo o tipo de vírus, bactérias e pestes.

Outra das coisas que se diz para justificar a ingestão de ben-u-ron nas mais variadas circunstâncias é que, pelo menos, mal não faz.

Isso leva-me a suspeitar que então talvez as suas substâncias não sejam tão activas como isso, e que sendo tão inócuo o mais provável é que não passe de um placebo.

Mas o que interessa é que, pelos vistos, a estratégia de mercado funciona muito bem, toda a gente o usa para tudo e mais alguma coisa, e por isso os senhores que o fabricam e comercializam devem ser referenciados ou premiados por isso.

Bem hajam ben-u-roneiros!

Vin Dimas

Setembro 29th, 2010

Existe uma personagem muito negligenciada e injustamente deixada de fora dos livros de enologia e etnografia, mas cuja acção é tão importante que o seu nome deu mesmo origem à designação que hoje damos ao acto de “vindimar”.

As primeiras referências a esta figura remontam ao período clássico e dizem-nos que o primeiro elemento desta linhagem foi gerado numa relação entre dois homens: Vinicius, bravo e possante general da legião romana, e Dimastenes, pastor grego que utilizava a ala esquerda dos campos da ilha de Lesbos.

Deram o nome de Vin Dimas ao seu filho, pela junção das iniciais dos seus próprios nomes, e desde aí surge geracionalmente mais um homem com idêntica génese, com as mesmas características pessoais e a mesma missão.

O actual Vin Dimas, dizem os vindimeiros, é o rebento de uma relação secreta entre um famoso actor de filmes de acção de Hollywood e um antigo jogador de futebol português com aspecto rústico.É nesta altura do ano que mais se menciona o seu nome, já que a sua acção é fundamental para inspirar muitos vindimeiros para a dura tarefa de deitar abaixo esses seres maquiavélicos conhecidos como “uvas”, e é por isso que nesta época, ciclicamente, ouvimos falar de Vin Dimas.

A motivação para a sua missão, adquiriu-a de um dos seus pais, pessoa de índole rural, que do campo extraiu a azeitice que o caracteriza.

Farto de ver imensos terrenos que podiam ser ocupados por oliveiras a ser invadidos por intermináveis hordas de “uvas”, Vin Dimas sempre tentou aniquilá-las no período em que elas estão mais maduras e portanto oferecem menos resistência, entre Setembro e Outubro.

Vin Dimas herdou de outro dos seus pais a coragem e a robustez para enfrentar hectares de perigosas “uvas” sozinho, dizimando milhões delas com as suas próprias mãos ao longo dos anos, e espremendo-as valentemente com os seus próprios pés.

O seu exemplo motivou os vindimeiros a segui-lo, e desde tempos imemoriais que, chegado Setembro, deitam mãos à obra, para ajudar a terminar a tarefa do seu mestre.

A mais dura prova de Vin Dimas, neste momento, é defrontar o descendente mais poderoso do clã rival, o seu arqui-inimigo Gonçalo Uva, jogador da Selecção Portuguesa de Râguebi.

É uma luta desigual, já que a namorada deste último, Carolina Patrocínio, fornece-lhe as já famosas cerejas descaroçadas pela empregada, que lhe dão poderes sobre-humanos.

Independentemente do resultado do eventual duelo, Vin Dimas será sempre a imagem de luta constante pela “desuvização”, e servirá de exemplo a todos os vindimeiros vindouros, que nunca deixarão de combater pela sua nobre causa.

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