O Grande Dia

Janeiro 14th, 2011

É já amanhã que chega aquele que já ouvi apelidado por alguma gente, muito justamente, de “O Grande Dia”.

Para não me alongar muito em considerandos, porque ainda há detalhes a tratar ,vou-vos deixar abaixo um texto que escrevemos para este momento tão especial das nossas vidas.

Só voltarei aqui em Fevereiro, mais alegre e bronzeado que nunca.

Até lá!

A Aventura do Casamento

Há quem diga que o casamento é uma verdadeira aventura e nós acreditamos que sim, talvez seja até mais arriscado do que muitas outras aventuras, porque, ao contrário de uma qualquer caça ao tesouro, não há pistas nem mapas e portanto entra-se num mundo desconhecido, do qual não se sabe bem o que esperar.

Tudo começa, porém, muito antes, na exploração que duas pessoas fazem uma da outra, no estudo dos sinais, na descoberta de gestos, odores, sons e olhares que adensam a vontade de conhecimento e que espicaçam a vontade de estar mais perto.

Existe um certo mistério no ar.

Após este primeiro momento descobre-se que não há um plano maléfico para conquistar o mundo, mas sim um plano benéfico para conquistar o outro, e surge novo desafio.

Surge a conquista que desperta os sentidos e que estimula à criação de cenários, de sonhos, de romance.

É um estado de arrebatamento em que tudo é lindo, tudo é bom, tudo funciona, onde se descobrem novas pistas diariamente, desfazendo aos poucos o mistério e onde a confiança e companheirismo ainda são conceitos novos, que vão ganhando consistência e que vão dando novo rumo à aventura.

E depois?

Depois veio o coelhinho, e foi com o Pai Natal, e o palhaço, no comboio ao circo.

De onde é que terá vindo isto?

Ainda devem ser resquícios de uma qualquer fantasia de Natal, que foi há muito pouco tempo… enfim… como estávamos a dizer…

Depois vem a consolidação, o desenhar de planos de futuro, a partilha de projectos, o pensar a dois, o viver a dois, a repartição de responsabilidades, a valorização dos prós, o combate aos contras, a experiência de sentir a união crescer e solidificar-se a cada dia, até ser inconcebível estar separados, até deixar de fazer sentido estar seja onde for sem a outra pessoa e ser difícil imaginar um dia sem a ver.

E por fim, o que nos trás aqui hoje, a decisão de querer isso para sempre, de querer assumir uma nova missão e enfrentar um futuro com esperança, com optimismo, com vontade de crescer mais, de dar frutos e vê-los crescer, de construir uma família, conscientes das dificuldades, mas com a certeza que serão muito menores se forem enfrentadas em conjunto, com a segurança de que juntos fazemos os obstáculos parecer pequenos, que nos complementamos e preparamos para fazer qualquer travessia mais facilmente, com o receio transformado só num nervoso miudinho, que um olhar e um beijo afastam definitivamente.

É o capítulo decisivo, o que dará continuação a esta aventura, onde se dá um salto para o desconhecido, mas que se parte definitivamente em busca de um objectivo comum, levando na bagagem dinâmica, amizade, vibração, respeito, cumplicidade, verdade, sonhos, lealdade, crescimento, emoção, sentimentos, compromisso, amor e muito companheirismo.

Já dizia o bom velho conselheiro matrimonial do Big Brother 1, o Telmo: “É como na trópá!”

A vida e o ciclismo

Outubro 27th, 2009
Ontem dei por mim a pensar no velho cliché de que a vida dá muitas voltas.
No seguimento desse pensamento surgiu, como é óbvio, o ciclismo, que eu acho que é um exemplo para as nossas vidas.
Se repararmos bem, o ciclismo tem uma abordagem bastante optimista, que nos devia inspirar.
Desde logo porque os ciclistas se reúnem em pelotão sem o intuito de fuzilar ninguém, o que é de louvar.
As etapas mais valorizadas são as de montanha, ou seja, são premiados os que sobem melhor e não os que descem.
Reparem na conotação francamente optimista e dada a analogias motivadoras.
As longas etapas mostram-nos como é necessário espírito de sacrifício para se atingirem as metas propostas e como se torna mais fácil atingi-las trabalhando em equipa.
Os ciclistas são pessoas que lidam bem com os seus pneus, mostram-nos ao mundo sem pudor e mesmo em andamento continuam a comer e a beber, sem problema nenhum.
Se aparece uma rotunda, uns vão pela esquerda e outros pela direita, mas no fim desta todos se reúnem no mesmo trajecto.
Por todo o lado aparece a solidariedade de quem assiste, gritando palavras de incentivo e oferecendo água ou comida.
As bicicletas não produzem poluição e não fazem barulho, permitem uma grande agilidade e estacionam-se em qualquer lado.
A parte mais positiva do ciclismo está, no entanto, nos testes laboratoriais a que os seus participantes se sujeitam.
Sempre positivos!

Descriminações e moralismos

Setembro 20th, 2009
Já alguma vez repararam naquelas pessoas que dizem frases do género “gosto muito de bonecarrrosas”, “vendi dois carrorrroxos”, “tás a olhar prárrraparigas?” ou “encontrei no campo três homemrrrudes” , enrolando bem a língua nos r’s intermédios, fazendo a língua trrremer?
Não gosto nada de ouvir este tique verbal… arrepio-me sempre com a acentuação dos r’s.
Além disso, acho que é uma descriminação enorme para com os s’s, preteridos e sufocados, quase que torturados.
Quem utiliza muito esta forma de falar é o Dr. Francisco Louçã, o que não é nada coerente com o seu discurso anti-descriminatório e anti-tortura.
Mais grave que este fait-divers linguístico é quando a descriminação acontece de facto, tal como aconteceu numa visita de Louçã ao mercado municipal de Alcobaça.
Afinal nem todos são iguais nem merecem o mesmo tipo de tratamento e por isso, depois de falar com vendedores de fruta, legumes ou pão, evitou ostensivamente as peixeiras.
Pode parecer um pormenor, mas, para quem ataca ferozmente todo o tipo de exclusões e descriminações, não deixa de ser uma demonstração clara de que é feito da mesma massa que a maior parte da nossa classe política, resvalando um bocado do pedestal moralista em que normalmente se põe.
Quando convier e elas estiverem a fazer uma manifestação contra o governo ele lá estará para as “apoiar”.

Women in Black

Janeiro 12th, 2009
No final do ano passado, as férias em ambiente rural levaram-me novamente a observar coisas para as quais no dia-a-dia não estou tão atento, com as quais não me cruzo diariamente, e que, portanto, tenho tendência a esquecer.
Desde aí que me apetece falar disto, e a fotografia que o meu amigo Rodrigo Lima gentilmente me cedeu para ilustrar este post ficou guardada, à espera que eu me decidisse finalmente a fazê-lo.
Nessas férias, deparei-me com uma aldeia onde as mulheres vestiam todas de negro.
É habitual nas nossas aldeias encontrarmos as senhoras de mais idade com esse tipo de cor no vestuário, num luto pesado, conservador, perene, como se não fosse mais possível voltar a sentir alegria, como se as suas dores e mágoas se tornem donas das suas vidas, permanentemente sobre o juízo dos outros e assumindo isso com naturalidade, porque é assim, porque é essa a sua forma de estar na vida, porque já assim o era no tempo das suas mães e avós,
Esse registo levou-me a reflectir um pouco sobre estes hábitos e a chegar à conclusão que estas mulheres são, no fundo, a imagem do nosso País.
Um País em permanente crise, pessimista, carpindo incessantemente o seu fado, tradicionalista, conformado.
Estas senhoras carregam consigo também, na generalidade, o espírito de sacrifício, a notável capacidade de trabalho, os valores, a simpatia, a franqueza, a generosidade, a humildade e a hospitalidade que tanto nos caracterizam.
Em sentido inverso aos Men in Black que tinham uma maquineta que fazia as pessoas esquecerem-se do que viram, estas nossas tão tradicionais Women in Black têm o papel fundamental de nos lembrarem quem nós somos, quais são as nossas raízes, qual a nossa identidade e, no meio de tantas incumbências que já têm na vida, têm mais esta responsabilidade, que cumprem sem esforço e provavelmente inconscientemente, de não nos deixar esquecer a essência do que é ser português.

Futebol no estádio

Dezembro 22nd, 2008
Ontem vi um jogo de futebol, num estádio quase cheio e onde foram feitos muitos remates ao lado da baliza do visitante.
Estes remates originam (para quem não está familiarizado com as regras do futebol) um pontapé de baliza para o visitante.
Já há alguns anos que se assiste nos nossos estádios a um fenómeno curioso quando isto acontece.
O guarda-redes põe a bola na linha da pequena área e logo começa um burburinho por trás da baliza.
Ouve-se um tímido ” ooooooooooo…”
O guardião começa a ganhar um pouco de balanço e aumenta a ligeiramente a intensidade do contínuo “oooooooooooooooooooo…”.
Inicia então a sua corrida em direcção à bola, e aí já todo o estádio está ciente do que vai acontecer e juntasse ao coro, aumentando progressivamente o volume do “OOOOOOOOOOOOOOOOO…”.
O guarda redes pontapeia a bola no auge desse côro uníssono, que a plenos pulmões grita: “OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO… FILHO DA P**A!!!”.
E depois, como se de uma surpresa se tratasse, invariavelmente se ouvem risos na bancada.
Risos automáticos, jocosos, boçais.
Confesso que já achei piada a isto, e me ri também, juntando-me ao coro.
Hoje em dia, vejo-o como um sinal de falta de civismo e desportivismo e tenho pena que assim seja.
Tenho pena que não evoluamos o nosso sentido de fair-play, à imagem do que se passa, por exemplo, nos estádios ingleses.
Tenho vergonha de ouvir da bancada do clube de que sou adepto, cânticos ofensivos contra outros clubes e pessoas, utilizando linguagem imprópria para quem deseja levar os mais pequenos aos estádios, ao invés de apoiarem salutarmente e incentivarem a sua equipa, com cânticos positivos.
Em relação ao adepto de futebol em geral, revolta-me a falta de lucidez, a parcialidade, a memória de peixe, a tacanhez, a mesquinhice, a falta de respeito e civismo.
É sempre perigoso generalizar e eu também sou adepto de futebol, apaixonado, e tenho, portanto, a minha quota de parte de responsabilidade.
Mas estou a mudar e sou hoje em dia mais sereno e respeitador, e sonho um dia levar um filho meu ao estádio sem ter que tentar justificar determinadas atitudes de outros, sem medo de alarvidades, violências e faltas de civismo e educação.
Estou a sonhar alto não estou?