Sorteio de Noivas

Novembro 9th, 2009
Este fim-de-semana visitei com a minha futura esposa a Braganoivos.
Uma feira muito bem organizada, com muita coisa para ver, mas que era, julgava eu, destinada a um público muito específico: casais que estão a planear os seu dia de casamento.
Qual não é o meu espanto quando, à entrada do recinto, deparo com uma iniciativa que julgo que teve como objectivo alargar o leque de potenciais interessados na feira.
A feira podia ser visitada por homens solteiros sem problema de se sentirem desenquadrados, porque a organização tinha anunciado um “Sorteio de Noivas”.
Não perdi muito tempo a averiguar as condições de participação e não inseri o cupãozinho, porque nem eu nem a minha noiva estávamos à procura de um marriage à trois.
Uma coisa que me ficou a coçar a cabeça por dentro é que, sendo sorteada a noiva, um tipo fica sujeito ao que lhe derem, e da forma que as empresas de brindes publicitários e merchandising andam a apostar em material vindo da China, é perfeitamente possível que as noivas envolvidas neste sorteio fossem asiáticas.
Isto levanta o problema da escolha do menu de casamento, porque deve ser difícil estabelecer consensos quando a escolha é entre vitela ou cobra, bolinhos de bacalhau ou baratas fritas, maduro tinto do douro ou saqué.

Vergonha alheia

Outubro 25th, 2009
A vergonha alheia dá-se quando vemos alguém a expôr-se voluntariamente a situações que, para os nossos padrões, são absurdas, degradantes ou humilhantes.
Normalmente são situações que implicam alguma continuidade e que nos levam a pensar que era melhor para essa pessoa acabar com aquela acção assim que possível e até ansiar que o faça rapidamente.
Ficamos quase embaraçados por estar a assistir a uma cena dessas.
Ao mesmo tempo, este tipo de situações são quase hipnóticas e a tendência é ficar a observar, incrédulos, o desenrolar da situação, indagando continuadamente como é possível que essa pessoa se exponha a tal ridículo.
Com a continuação do absurdo começamos a achar as coisas risíveis e rapidamente essa vergonha alheia é transformada num pequeno pedaço de humor.
Os Ídolos são talvez o exemplo mais mediático deste tipo de personagens.
Os vídeos abaixo são de um “artista” que não fica nada atrás do pior dos cromos desse programa.
No primeiro vídeo tenta cantar uma canção fazendo simultaneamente um impressionante beatbox humano, e no segundo faz uma tentativa de cantar cinco oitavas seguindo o som das teclas de um piano.
Inacreditável!


Autárquicas e imobiliárias

Outubro 7th, 2009
Quem conhece Braga sabe que a construção e o imobiliário estão sempre na berlinda, no centro da discussão política e das mais animadas conversas de café.
O lobby da construção civil é fortíssimo, o poder dos empreiteiros evidente e por isso mesmo a cidade é organizada (ou não) respeitando os interesses destes, passando ao lado de conceitos fundamentais para uma cidade moderna e em crescimento como o planeamento, o urbanismo, a sustentabilidade ou a qualidade de vida.
Há no entanto agentes que aparecem no fim da cadeia de valor do mercado imobiliário a quem, a meu ver, não é dado o devido destaque, principalmente pela classe política (reparem que usei a palavra “cadeia” numa expressão económica que nada tem a ver com o sítio onde alguns dos mencionados neste post deviam estar).
Eles são, no entanto, muito mais importantes do que se imagina, não só pelo que vendem – o que é fundamental para que o dinheiro não pare de circular – mas porque são verdadeiras cobaias na arte de comunicar em outdoors.
E esta é também a verdadeira razão por que os políticos não lhes dão o devido destaque.
Neste período de campanha autárquica torna-se evidente onde os políticos se baseiam para o seu material de comunicação.Itálico
Por todo o lado se espalham cartazes, bandeiras e outdoors com a cara dos políticos, misturando-se com os habituais outdoors das redes de agentes imobiliários.
Os suportes, a localização dos mesmos, a paleta cromática, as poses… em tudo os políticos mimetizam os vendedores de apartamentos.
Eu acho que devíamos romper de uma vez por todas com a hipocrisia instalada e assumir que os partidos políticos em Braga deviam ser substituídos por redes de agentes imobiliários.
No nosso boletim de voto autárquico, a bem da verdade e transparência deviam aparecer a Re/Max, a La Fôret, a ERA ou a Habitace, por exemplo.
A linguagem é deles, quem movimenta o mercado que gere a cidade são eles e – haja simpatia – sorriem nas fotografias.
Talvez assim a abstenção diminuísse.

Red Bull Air Race afasta fanáticos religiosos

Setembro 15th, 2009
Ao observar a lista de pilotos do Red Bull Air Race apercebi-me que não havia nenhum piloto árabe ou que pelo menos aparente devoção pelo Islão.
Isto não será à toa, seguramente, porque o objectivo é passar no meio de duas torres sem lhes tocar e não se ganha pontos por fazer um “desvio” para a multidão e gritar “Allahu Akbar!“, descendo vertiginosamente contra ela.
O prémio final não passa por ter 70 virgens à espera deles, e esse é um factor desmotivador para qualquer fundamentalista islâmico que se preze, que não competirá por menos que isso.
A organização tem que cortar em alguns custos e então, modestamente, só pode dispor de três meninas da Red Bull a acompanhar os pilotos no pódio… e não consta que fiquem com eles para todo o sempre.
Além disso, não estão coladas ao frigorífico e por isso presumo que já não têm hímen.
Vamos pensar positivo e assumir que vamos poder continuar a ver este evento anualmente, descansadinhos e sem nenhum acidente, com pilotos religiosamente moderados, porque o espectáculo é espantoso.

Compradores insistentes

Agosto 25th, 2009
Tenho reparado que há cada vez mais pessoas que teimam em verificar a informação recebida e a insistir em obter aquilo que procuram.
Acho natural que as pessoas se queiram certificar de que ouviram correctamente, e até que exprimam a sua imensa vontade em obter o produto que desejam, mas para quem atende o público não pode haver nada mais irritante do que um comprador que entra num diálogo deste género:

– Bom dia!
– Bom dia. Queria um cabritinho para duas pessoas por favor.
– Cabrito já não temos. Sugiro a vitela que está a sair quentinha.
– Já não tem cabrito?
– Não. Foi um dia com bastante procura e o cabrito acabou há uma hora mais ou menos.
– Não tem só um bocadinho? É que eu gosto muito e vim cá de propósito por isso.
– Compreendo e peço desculpa, mas não temos mesmo. No forno a lenha, neste momento já só temos frango e vitela, mas se preferir outros pratos poderá consultar qualquer um da lista.
– Sabe que eu já venho aqui há muitos anos, até já estive aqui uma vez com o dono e tudo… adoro o vosso cabrito.
– Pois, de facto é muito bom, mas infelizmente já não temos mais hoje.
– Não consegue falar com o patrão a ver se se consegue só meia dose ou assim? Diga-lhe que é para mim que ele conhece-me. Estive cá o ano passado…
– Não vai ser possível, é que já acabou há algum tempo. Para nós era muito bom se ainda tivéssemos, mas não vai ser possível…
– Faça-me um favor e pergunte na cozinha se não sobrou um bocadinho só… eu nem estou com muita fome e queria muito comer cabrito.
[O empregado vai e volta com mais informação]
– Lamento mas não há mesmo nem mais um bocadinho de cabrito e infelizmente a vitela também já acabou.
– Oh! Não se arranja nem um bocadinho de vitela?