Macaquinhices

Abril 14th, 2010

Há pouco tempo vi uma senhora a mudar um pneu e a debater-se atrapalhadamente com o manuseio do macaco, enquanto um pouco ao lado umas crianças brincavam à macaca, um jogo tradicional da minha infância que já não via jogado na rua há muito tempo.

Macacos me mordam! Que saudades eu tinha de ver alguém jogar este jogo.

Assim como também tenho saudades de ver os miúdos a jogar ao macaquinho chinês, que era um jogo que me dava muito prazer, e que, em toda a sua enorme utilidade, me ensinou a brilhante arte de avançar rapidamente e ficar quieto de repente, assim que alguém olha para trás.

São gratas memórias que me ficaram da juventude, quando a vida era passada na macaquice, ao som de “Como o macaco gosta de banana, eu gosto de ti” do José Cid, a brincar com os macacos que tirava do nariz ou a degustá-los como se fossem chicletes Super Gorila.

Nessa altura era senhor de uma enorme panóplia de macacadas, que ajudavam a ocupar o tempo, sem preocupações de maior e sem chatices.

A vida é agora outra.

A profissão ocupa constantemente o pensamento e parece que os neurónios estão permanentemente de fato-macaco.

Com tantos esquemas a que assistimos no dia-a-dia uma pessoa começa a ficar com macaquinhos no sótão, parece que vivemos numa república das bananas onde todos se queixam da sua sorte macaca e apercebemo-nos que por todo o lado aparecem macaquinhos de imitação que não produzem nada e só copiam os outros.

Às vezes fico com a sensação que se não parar um bocadinho para ouvir Macaco ou outro grupo musical que transmita boas vibrações é o fim da macacada.

Qualquer dia ainda me dá alguma macacoa, e aí mando toda a gente pentear macacos e vou construir uma casa numa árvore, que é uma coisa que quero fazer desde os tempos de miúdo.

E comer amendoins!

Agora mete-se o Carnaval…

Fevereiro 12th, 2010

Esta semana comecei a promover um evento que implicará instituições portuguesas e espanholas.

Ao longo dos contactos que estabeleci deparei com duas situações que nos identificam e diferenciam enquanto povo.

Quando liguei para Espanha e pedi para falar com o responsável pela instituição deram-me imediatamente o contacto pessoal do responsável, informando tratar-se do Miguel, da Sara, da Susana, ou outro nome próprio qualquer, e disseram-me ainda o horário mais aconselhável para os encontrar na instituição (nos casos em que eles estavam lá, passaram-me imediatamente à pessoa em questão).

Passada essa fase, e depois de entrar em contacto directo com os responsáveis, estes prontificaram-se a analisar a situação e dar uma resposta com a maior brevidade possível, e agradeceram o contacto.

Cá em Portugal ninguém me deu o contacto directo dos responsáveis, deram-me um e-mail geral para eu enviar o projecto, ao cuidado do Dr. não-sei-quê ou da Eng. não-sei-que-mais.

Pelos vistos cá em Portugal não temos ninguém com um nome que não seja precedido de um título e que tenha menos de dois nomes.

É um país de gente muito importante, onde nunca foi possível o contacto directo.

Tão importante que num segundo contacto tentando obter feed-back, além de voltar a não ser possível falar directamente com o responsável, foi quase unânime que só no final da próxima semana é que os doutores e engenheiros portugueses analisariam a situação porque… agora mete-se o Carnaval!

Agora mete-se o Carnaval?!?!

Desde o início da semana?

E na próxima semana, como vai ser?

“Pois não foi possível ver nada sabe? É que meteu-se o Carnaval e de maneiras que está tudo um bocado atrasado… e depois mete-se a Páscoa e o 25 de Abril… é uma chatice… não pode telefonar lá para Maio, depois do Dia do Trabalhador? Talvez o senhor doutor já tenha lido o e-mail nessa altura?”.

Os pretextos para adiar as situações são tantos que qualquer dia, para poupar trabalho, é natural que se comece a usar só uma gravação anual que diga “Pedimos desculpa, mas agora mete-se o ano de 2010 e vai ser difícil dar seguimento a esse assunto… não se importa de ligar para o próximo ano? Pode ser que aí o senhor engenheiro possa atender.”

Depois lembra-me…

Janeiro 29th, 2010
Acho piada às pessoas que ficam chateadas com outras por estas não se lembrarem do que as primeiras tinham que fazer.
Assim é capaz de ser confuso, por isso vamos lá ver se me faço entender…
Hão-de reparar no imenso número de vezes que se ouve a expressão “Depois lembra-me…”.
Sempre que usamos esta expressão atribuímos a outra pessoa a responsabilidade de se lembrar da uma tarefa ou compromisso nosso e assim, se não nos lembrarmos, temos com quem partilhar a culpa.
Nesses casos são normalmente usadas posteriormente expressões como “Então não me disseste nada?” ou “Eu não te tinha dito para me lembrares?!?” ou ainda “Bem me parecia que faltava alguma coisa! Eu tinha dito ao Fulano para me lembrar disso e ele não me disse nada!”, com mais ou menos indignação, dependendo da relação entre o delegante e o delegado desta tarefa de avivamento de memória.
Há que convir que assim tudo se torna muito mais fácil, não é?
Os maiores utilizadores desta técnica são normalmente detentores de cargos de chefia, que a usam sob a forma “Ó Cicrano não se esqueça de me lembrar que tenho que…” e são normalmente mais impiedosos na atribuição de responsabilidade à pessoa incumbida dessa tarefa.
Entre amigos e familiares também é usual usar-se esta “muleta”, mas neste caso as reacções posteriores são geralmente mais brandas e servem só para gerar alguma solidariedade da outra parte.
Há quem utilize com frequência os filhos como “avivadores de memória”, esquecendo-se que as crianças têm muito menos responsabilidade e atenção que os adultos, apesar de terem a memória “mais fresca”.
E depois quem sofre é o menino ou a menina que tinha a obrigação de se ter lembrado que o pai ou a mãe não desligaram o gás!
O mais engraçado é que, regra geral, a pessoa a quem foi dito “Depois lembra-me…” é que acaba por pedir desculpa por não ter lembrado a outra pessoa do que ela tinha para fazer.
Agora não me está a apetecer escrever mais sobre isto, mas depois lembrem-me de voltar ao tema. está bem?

Experiência tabágica

Novembro 16th, 2009
Hoje li uma notícia onde se afirma que o principal motivo para deixar de fumar é a preocupação com a saúde.
Deixei de fumar há aproximadamente um ano e meio e esta notícia relembrou-me um vídeo que vi pouco antes dessa decisão de deixar de fumar.
Apesar de estar longe de ser uma pessoa facilmente influenciável por este tipo de experiências, não posso deixar de reconhecer que este vídeo me pôs a pensar.
É uma experiência onde se extrai o fumo de 2 volumes, cada um com 10 maços de cigarros, para uma garrafa com água, registando-se o escurecimento da mesma à medida que se vai aumentando o número de cigarros.
No final dos 400 cigarros ferve-se a água para esta evaporar e só restar o alcatrão que foi absorvido pelo líquido durante a experiência.
O resultado final são 7,2 gramas de alcatrão sólido!
É capaz de ser pouco para quem trabalha na indústria das auto-estradas, mas não haja dúvidas que têm que fazer muita mossa nos pulmões!

Marketing chinês

Novembro 12th, 2009
A mais recente das lojas chinesas em Braga vai introduzir no mercado um conceito até agora desconhecido, o marketing chinês.
De uma forma bastante simples, os donos desta loja encontraram uma fórmula para aumentar o afluxo à sua loja, dando-lhe um nome original que, através de um truque que explora a interpretação fonética do nome do estabelecimento pelo leitor, induz o cliente português, pouco familiarizado com a língua inglesa, a pensar que haverá dentro da loja uma piscina.
Vai-se a ver e afinal é só uma loja de roupa, mas o cliente já está lá dentro quando se apercebe disso e o importante para o lojista é que este já entrou e assim é bem provável que até compre qualquer coisinha.
Eficaz, original e uma grande lição simplicidade para os marketeers brasileiros que fazem musiquinhas para o Pingo Doce.