Direto ao assunto

Julho 23rd, 2012

Uma das características pessoais que mais aprecio é a objetividade, o pragmatismo, o ser direto.

Valorizo muito as pessoas focadas, as que vão direto ao assunto e não divergem, como aquelas estradas bifurcadas, trifurcadas ou mesmo tetrafurcadas, de terra batida, nas serras, que um tipo nunca sabe onde vão dar.

Um dia perdi-me numa dessas estradas, porque me distraí com uma cegonha que vinha a passar.

Pareceu-me que trazia alguma coisa pendurada no bico, e como vinha a voar baixinho achei que era uma boa oportunidade para verificar se o que trazem no bico são, de facto, bebés ou não.

Não era, como eu supunha, porque não acredito nessas coisas, nem nos OVNI que eu acho que só servem para as pessoas venderem discos que sobraram do tempo do vinil, que agora é um material que já não serve para mais nada a não ser para suporte publicitário, e de má publicidade.

Como a do outdoor que ainda ontem vi numa autoestrada, durante um engarrafamento causado por um cão que saltou a vedação e foi atropelado por um camionista que vinha a tirar macacos do nariz.

Porque é que lhe chama  macacos?

Aquilo é gosma, ou monco, ou muco, ou lá o que é, mas não se parece nada com um macaco, coitado do bicho!

As pessoas têm a mania de inventar denominações e essas coisas, essa é que é essa!

Parecem maluquinhos, blá, blá, blá, a dizer coisas sem sentido, e depois não se percebe nada e ninguém se entende… uma confusão.

Fazem-me lembrar as pessoas que se esquecem do que verdadeiramente importa e não vão diretas ao assunto e enrolam, enrolam, enrolam…

Não gosto nada de pessoas assim.

Michelin fashion

Junho 21st, 2012

Acho piada às pessoas que se enchouriçam!

Pessoas que se inspiram no Bibendum quando compram roupa nova ou quando vão sacar um trapinho bonito ao armário.

Não sei se se tratará de um estado de negação ou se acham que enchouriçadas ficam mais apetitosas, mas eu não consigo compreender o que leva alguém a vestir roupa três tamanhos abaixo do ideal… para os filhos.

Haverá algo mais perturbador do que ver uma imensa massa corporal a esticar umas calças de ganga ou de lycra a um ponto em que se consegue ver as moléculas a ficar vermelhas e a gritar “vou estourar!… vou estourar!”?

São estas pessoas que depois originam a escassez de números normais nos saldos, sobrando os XXL e outros tamanhos adequados para pessoas de avultada xixez.

Se fosse visivelmente confortável, tudo bem.

Só o aspeto não pode causar grandes danos.

Mas o que vemos é aquelas pessoas de corpo integralmente espartilhado, a andar tipo zombies, com as pernas e os braços hirtos, tolhidos de movimentos e evitando tudo o que sejam bancos, sofás ou cadeiras, não vá o diabo rompê-las!

Ninguém deve ter vergonha do corpo que tem.

Nem todos podemos ser Adónis ou Afrodites.

Podemos é tratar a nossa persona com respeito e não fazer do nosso corpo uma máquina de testes de resistência têxtil, nem uma bomba de retalhos em potência.

Até porque tudo tem um limite, e neste caso o limite é quando verificamos que a única forma de introduzir algo entre um corpo e a roupa que o envolve é recorrendo à nanotecnologia.

Eu não sei como é com vocês, mas eu fico sempre com medo quando vejo alguém vestido assim.

Sinto-me como um participante daquele tipo de jogo em que o balão passa de pessoa para pessoa e pode explodir a qualquer momento.

Fico nervoso.

Nunca se sabe quando vamos ser vítimas de um overstretching e ficar com um estilhaço de corsário entalado na fossa nasal.

O estranho mundo do cancioneiro infantil

Março 26th, 2012

A minha recente condição de pai leva-me a voltar ao convívio do cancioneiro infantil.

Acho que tenho que ser um pai que percebe o mundo do seu filho, e por isso, desde já, carrego no meu alforge de mp3 as músicas infantis que cantarei em dueto com o meu petiz, para que me vá familiarizando novamente com o que se vai fazendo por aí.

Numa recente audição de uma completa colectânea de músicas infantis, a primeira constatação é a de que muita música infantil continua na mesma, apesar das rugas, mas ainda assim há espaço para surpresas.

Surpresas que amedrontam, pelo tipo de letras que se podem encontrar em músicas dirigidas a crianças.

Analisem comigo estes três belos termas musicais.

A primeira música que merece a minha atenção traz a criança para o negro e angustiante mundo real em que um sapo casadoiro, com a sua sapinha tranquilamente a fazer o enxoval para o casamento, é brutalmente comido por um jacaré, só porque passou em cima da ponte.

E fim da história.

Sapo

É uma mensagem curta que se faz passar às crianças, porém eficaz: não te iludas com uma bela história de amor, porque quando menos esperas aparece um jacaré e come-te.

Ah! E se cantares, é porque tens frio… agasalha-te lá!

Cantarolamos estas músicas e nem nos passa pela cabeça indagar sobre quem será o autor das letras.

Vejam lá se adivinham quem escreveu o conteúdo da seguinte música.

O ratinho foi ao baile

Estes versos não enganam ninguém.

Só o grande poeta popular Quim Barreiros conseguiria de forma tão subtil levar o tema até à frase “a ratinha estava noiva, não queria complicação”.

Não pode ser outro o letrista.

A arte do trocadilho brejeiro nunca extiguirá porque é plantada no imaginário de todos através deste lindo poema infantil.

Deixo para o fim a bela música dedicada à Pipi das Meias Altas.

Pipi das Meias Altas

Pi-pilota para os meninos?

Percebem onde eu quero chegar?

E ainda há outro tema nesta colectânea que se chama “Mulheres do monte” e outro ainda intitulado “Doidas andam as galinhas”.

A seguir o que virá?

Pedro Abrunhosa?

Talvez…

Popota de Natal

Dezembro 19th, 2011

Há mistérios na vida que me parece que só poderão ser desvendados numa sessão de esclarecimento no Além.

Um deles é este fenómeno popotesco que nos vem atormentando as últimas épocas natalícias.

Quem no seu perfeito juízo se lembra de criar uma mascote de Natal que é uma hipopótama cor de rosa vestida de forma provocante e a dançar de forma supostamente sexy?

O que é que isto tem de natalício?

As nossas crianças crescem a ver a cada cinco segundos, na televisão e nos cartazes espalhados por todo o lado, um animal obeso a dançar a lambada e envergando roupas reduzidas e reluzentes, rebolando as fartas carnes em movimentos sedutores para atrair a petizada.

Eu não acredito que as crianças possam crescer normalmente com esta gosma a colar-se nas paredes do seu imaginário.

Têm que ficar desorientadas e com tendência para ir pedir prendas de Natal por e-mail aos sites de BBW.

Tudo bem que o Pai Natal é fortezito e os bonecos de neve também não são um exemplo de elegância, mas não andam para aí vestidos de cabedal e lantejoulas nem a roçar-se no varão, ou andam?

Ao menos ponham o animal a concorrer ao Peso Pesado para dar um bom exemplo à meninada, e ponham-lhe uns mantos natalícios que lhe dêem menos ar de Poputa, pode ser?

E não vale a pena virem dizer que a Leopoldina é melhor, que aquele bico também não engana ninguém!

 

Xiu, xôr agente!

Novembro 7th, 2011

Um dos truques mais utilizados pela indústria cinematográfica, para dar mais ação aos filmes, são as perseguições policiais.

É sempre bastante excitante e prazeroso assistir a uma boa perseguição enquanto se faz uma boa perguiçassão, e por isso essa dupla deve ser convenientemente alimentada, a bem do espectador.

O que me aflige é a forma como às vezes o início dessa perseguição é demasiadamente forçada, retirando a espontaneidade necessária a um entretenimento minimamente credível.

Já assistiram a isto várias vezes, aposto: o meliante está compenetrado a tentar forçar a fechadura de uma casa, quando do fim da rua ouve um grito a clamar para que pare com esta sua ação criminal, permaneça no seu sítio e ponha as mãos no ar.

Invariavelmente o bandido foge, gozando de uma distância inicial que lhe permite manter a fuga durante largos minutos, enquanto se desarrumam contentores do lixo, se disparam balas que acertam em corrimões e se forçam travagens bruscas aos carros que transitam na via pública (quando isto acontece dá bem para ver quem é o polícia e o ladrão, porque o primeiro agradece e pede desculpa ao condutor).

É sabido que os polícias são sempre mais fortes, rápidos e certeiros que os ladrões, tudo bem, mas para quê dar-lhes sempre um avanço tão grande?

A imagem transmitida é uma de duas: ou os polícias do cinema são muito estúpidos e ainda não perceberam que assim estão a “assustar a caça”, dando-lhes uma vantagem desnecessária, ou então são uns irresponsáveis, que para seu entretenimento próprio – já que lhes dá imenso gozo perseguir ladrões -, estão-se nas tintas para o objectivo final e põem em causa a segurança dos cidadãos e o perfeito estado dos objetos danificados durante a perseguição.

Meus amigos, como é que se caçam moscas?

Como é que se obtém bons resultados na pesca?

Com gritinhos a avisar que estamos ali?

Não é, pois não?

É muito mais eficaz que o agente da autoridade se aproxime sem fazer ruído, para depois, à distância de meio braço, aplicar um calduço em condições ao metralha, pondo-o inconsciente!

Ou então disparar um balázio certeiro à cabeça, usando aquela mira espetacular que costumam ter, mas preparando o tiro à distância e em silêncio.

Perdia-se emoção, é certo, mas ganhava-se em contenção de custos e serenidade da vizinhança, e isso é algo que temos que ter em conta, dada a época de crise que vivemos.

Não se acordam meninos, não se partem vidros, não se explodem carros.

Perfeito.

Paz e ordem, senhores agentes das películas, é o que vocês devem garantir, não é exatamente o inverso.

Não se esqueçam que são um exemplo e peçam aos vossos guionistas para vos mudar esta atitude.

Vão ficar muito mais credíveis, serão muito mais admirados pelos métodos utilizados e vão estar muito menos cansados no final do filme, vão ver.