Ready, set, go!

Janeiro 2nd, 2014

Já há muito não tinha esta sensação de estar na linha de partida, à espera que caia o verde para arrancar a todo o gás.

É assim que entro em 2014.

Tanque cheio, pneus com a pressão certa, motor afinado, equipa preparada e motivada para dar todo o fundamental apoio nas boxes.

Dentro do veículo já se sente o pulsar acelerado do coração, estando o piloto cheio de força, confiança e vontade, para fazer a vida avançar a toda a velocidade, acelerando a fundo nas retas e agarrando com unhas e dentes todas as novas oportunidades que apareçam nas curvas, sempre com muito ritmo, batida e harmonia.

Os extintos Da Weasel, marcaram uma parte importante da minha vida, musicalmente, e por isso me lembrei de os trazer cá para dentro, para dar ambiente sonoro a este estado de espírito.

Vamos lá a isso, que estou ansioso para pôr o pé na tábua.

E vocês, estão prontos?

Ready, set, go!

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Composição: “O Natal”

Dezembro 12th, 2013

Eu gosto muito do Natal.

O Natal é em Dezembro e está muito frio.

Lá em casa decoramos o pinheirinho de Natal, montamos o presépio e pomos luzes na varanda.

Todos lá em casa acham que há sempre doces muito bons e ninguém desconfia que eu tiro macaquinhos do nariz para colar no bolo rei.

A minha prima vive em Espanha e traz gomas e rebuçados, mas espero que este ano não traga uns como os que lhe tirei da carteira no ano passado, que se desenrolavam, sabiam a borracha e eram difíceis de engolir.

O senhor padre traz um garrafão de vinho de missa e dá-me sempre uma hóstia grande para eu fazer um desenho nela antes de a comer.

O meu pai é muito engraçado no Natal, porque começa a enrolar a língua depois do jantar e no fim da noite ninguém percebe o que ele diz.

Rimo-nos muito e depois ele adormece sempre em frente à lareira e eu apanho a baba dele para pintar as rabanadas.

Toda a gente é feliz e se dá bem, tirando a empregada do meu vizinho, porque ele costuma levá-la para a garagem e dá-lhe uns beijinhos esquisitos e ela grita muito, agarrada à cabeça dele, coitadinha.

Há dois anos conheci o Pai Natal verdadeiro e não gostei nada, porque tinha muita lama nos sapatos e cheirava a cocó.

Estava muito feio porque veio só com o gorro, de fato de treino lilás e a barba estava amarela e a cair.

Fiquei muito triste porque ele não me deu prendas e quis bater no meu irmão mais velho, porque disse que ele lhe tinha comido a irmã.

O meu irmão é vegetariano e vomita se comer carne, por isso eu sei que não é verdade.

O meu irmão bateu-lhe com a porta do carro na cabeça até ele fazer ó-ó, arrastou-o para o rio à beira de nossa casa e nunca mais o vimos.

Agora quem trás as prendas é o Menino Jesus, mas ainda nunca o vi.

Como ele é uma criança como eu, as prendas têm sido mais pequeninas, para não ser muito pesado, disse-me a minha mãe.

O ano passado trouxe-me um saco pequenino da farmácia, cheio de folhas secas, castanhas e amarelas, para eu fazer uma árvorezinha bonsai.

Cá em casa cantamos muitas músicas de Natal, principalmente do “Duo Ele e Ela” e do “Nel Monteiro”, que a minha avó diz que são os melhores artistas do mundo.

Até já me prometeu que qualquer dia me deixa fazer uma tatuagem com a cara do Nel, se me portar bem na escola e deixar de roubar daquelas bolinhas presas por um fio e algemas da bolsa da professora.

É a única noite do ano em que a minha avó deixa que usemos a placa dos dentes dela para fazer de castanholas.

É mesmo muito divertido!

Se eu fosse grande, fazia com que houvesse Natal mais vezes, pelo menos ao domingo, depois do “Portugal em Festa”.

Drawing-of-Christmas-by-SOS-child-in-Ethiopia

 

 

O estranho mundo do cancioneiro infantil

Março 26th, 2012

A minha recente condição de pai leva-me a voltar ao convívio do cancioneiro infantil.

Acho que tenho que ser um pai que percebe o mundo do seu filho, e por isso, desde já, carrego no meu alforge de mp3 as músicas infantis que cantarei em dueto com o meu petiz, para que me vá familiarizando novamente com o que se vai fazendo por aí.

Numa recente audição de uma completa colectânea de músicas infantis, a primeira constatação é a de que muita música infantil continua na mesma, apesar das rugas, mas ainda assim há espaço para surpresas.

Surpresas que amedrontam, pelo tipo de letras que se podem encontrar em músicas dirigidas a crianças.

Analisem comigo estes três belos termas musicais.

A primeira música que merece a minha atenção traz a criança para o negro e angustiante mundo real em que um sapo casadoiro, com a sua sapinha tranquilamente a fazer o enxoval para o casamento, é brutalmente comido por um jacaré, só porque passou em cima da ponte.

E fim da história.

Sapo

É uma mensagem curta que se faz passar às crianças, porém eficaz: não te iludas com uma bela história de amor, porque quando menos esperas aparece um jacaré e come-te.

Ah! E se cantares, é porque tens frio… agasalha-te lá!

Cantarolamos estas músicas e nem nos passa pela cabeça indagar sobre quem será o autor das letras.

Vejam lá se adivinham quem escreveu o conteúdo da seguinte música.

O ratinho foi ao baile

Estes versos não enganam ninguém.

Só o grande poeta popular Quim Barreiros conseguiria de forma tão subtil levar o tema até à frase “a ratinha estava noiva, não queria complicação”.

Não pode ser outro o letrista.

A arte do trocadilho brejeiro nunca extiguirá porque é plantada no imaginário de todos através deste lindo poema infantil.

Deixo para o fim a bela música dedicada à Pipi das Meias Altas.

Pipi das Meias Altas

Pi-pilota para os meninos?

Percebem onde eu quero chegar?

E ainda há outro tema nesta colectânea que se chama “Mulheres do monte” e outro ainda intitulado “Doidas andam as galinhas”.

A seguir o que virá?

Pedro Abrunhosa?

Talvez…

Sandeman

Outubro 20th, 2011

É nas alturas de crise, como esta, que as pessoas sentem mais necessidade de ter fé em algo que os ajude.

Para uns a resposta está na religião, para outros nos super heróis.

Dirá o mais distraído dos leitores, que na religião ainda se percebe, porque há relatos de algumas aparições cá por perto, mas de super heróis, cá pelo burgo, não há registo.

Nada mais falso.

O que nós temos é um deficit de atenção para com os nossos valorosos super heróis.

Acho até que este é um ponto fundamental, que nos define civilizacionalmente.

Os americanos têm muitos super heróis, desde o Super-Homem ao Batman, passando pelo Capitão América e o Incrível Hulk (este último já com filial no Futebol Clube do Porto), e isso contribui de sobremaneira para se afirmarem como uma super potência mundial.

Nós, porém, andamos distraídos e nem reparamos que já desde 1790 temos um super herói que nos acompanha e socorre quando as coisas não vão tão bem, e por isso estamos na cauda da Europa e isto não anda a cheirar lá muito bem.

Falo, obviamente, de Sandeman.

Este herói misterioso, sombrio, de capa e chapéu, aparece altaneiro sobre as montanhas, sempre atento e pronto a socorrer o mais infortunado cidadão.

O seu nome tem origem na forma como se desembaraça dos problemas, enfiando-lhes uma sandes de courato – que carrega por baixo da sua capa –  pela goela abaixo, sufocando-os.

O antídoto para esta sandes é um líquido especial, uma poção de chamamento comummente conhecida por Vinho do Porto, que quem recorrer a Sandeman deve também ingerir, como sinal do seu pedido de ajuda e respeito.

Muitos são os portugueses que recorrem a Sandeman, nas tascas e cafés nacionais, sem terem exacta noção do que estão a fazer.

A discrição deste super herói leva a que muitos já não se lembrem dos seus reais poderes e da sua forma de actuação, tendo somente a certeza de que ingerindo Vinho do Porto os seus problemas são esquecidos.

Mesmo esquecido por muitos, Sandeman nunca abandonará quem dele precisa e até em supermercados se pode, hoje em dia, aceder à sua poção de chamamento.

Por isso caro leitor, não facilite e tenha sempre à mão uma garrafa deste precioso líquido, não vá um dia também precisar dele.

Lembre-se que Sandeman está atento, e a sua acção sempre à distância de um gole – ou vários.

Se internacionalmente o nosso herói é reconhecido – até músicas lhe dedicam, como esta das Puppini Sisters, que vos deixo abaixo – está bem na hora de nós próprios lhe darmos o devido valor e saudá-lo efusivamente.

Viva o Sandeman!

Viva!

 

Arraial Mix

Junho 24th, 2011

No seguimento das festas sanjoaninas de ontem, detectei uma lacuna muito grave na discografia nacional.

Festa popular que é festa popular precisa de bailarico, e como nem toda a gente se pode dar ao luxo de contratar bandas para animar as festas de bairro ou particulares em cima de carrinhas de caixa aberta, era de valor que alguém fizesse uma compilação de músicas de raiz popular, geradoras de abanão de ancas, comboínhos e danças de mulher com mulher.

A nossa tradição merece que se faça então edições anuais do “Arraial Mix” que congreguem os grandes êxitos do momento para animar a folia entre martelinhos, sardinhas, caldo verde e verde tinto.

Os arraiais têm tanto direito ao seu mix como o carnaval ou a passagem de ano, e já é tempo de reunir esse espólio de preciosidades musicais, para facilitar o trabalho de quem organiza anualmente estas festas na sua rua ou em sua casa.

Vou ainda mais à frente no meu repto colectânico, desafiando as editoras a criarem, tal como foi feito para o fado, a “Antologia do Arraial”, com músicas de ontem e de sempre, de dá cá um balão para eu brincar a fungágás e solidós.

Vamos lá ver isso senhores dos discos, que é sucesso garantido!