Sorteio de Noivas

Novembro 9th, 2009
Este fim-de-semana visitei com a minha futura esposa a Braganoivos.
Uma feira muito bem organizada, com muita coisa para ver, mas que era, julgava eu, destinada a um público muito específico: casais que estão a planear os seu dia de casamento.
Qual não é o meu espanto quando, à entrada do recinto, deparo com uma iniciativa que julgo que teve como objectivo alargar o leque de potenciais interessados na feira.
A feira podia ser visitada por homens solteiros sem problema de se sentirem desenquadrados, porque a organização tinha anunciado um “Sorteio de Noivas”.
Não perdi muito tempo a averiguar as condições de participação e não inseri o cupãozinho, porque nem eu nem a minha noiva estávamos à procura de um marriage à trois.
Uma coisa que me ficou a coçar a cabeça por dentro é que, sendo sorteada a noiva, um tipo fica sujeito ao que lhe derem, e da forma que as empresas de brindes publicitários e merchandising andam a apostar em material vindo da China, é perfeitamente possível que as noivas envolvidas neste sorteio fossem asiáticas.
Isto levanta o problema da escolha do menu de casamento, porque deve ser difícil estabelecer consensos quando a escolha é entre vitela ou cobra, bolinhos de bacalhau ou baratas fritas, maduro tinto do douro ou saqué.

Chuva nas férias

Outubro 7th, 2009
Os índios faziam danças para chamar a chuva.
Há quem faça orações e missas para pedir essa benção dos céus.
Gastam-se milhões em sofisticados sistemas de regadio para minimizar os efeitos da seca.
Investiga-se arduamente para que a ciência ajude a interferir no ciclo da água e se consiga “fabricar” chuva sempre que necessário.
Há ainda quem, em desespero, ponha virgens nuas a arar os campos para levar os deuses a fazer chover.
Tendo em conta a pontaria que estou a ter este ano, proponho-me juntar o útil ao desagradável, pondo à disposição de todos os territórios áridos do Mundo o meu dom de atracção de pluviosidade durante o período de férias.
Basta que me contactem com alguma antecedência para que eu possa marcar férias, que assumam os custos da viagem para esse local e as despesas durante a estadia.
O resto acontecerá, certamente, com muita naturalidade.
Ainda assim, e como tenho muito bom clima dentro da carola, as férias correm bem.

Toca a despir… enquanto não chove

Julho 23rd, 2009
Acho maravilhosa a relação de cumplicidade entre a religião e sexo.
Já tive oportunidade de falar aqui nisso, de uma forma ou de outra, mas esta estória é simplesmente deliciosa.
No estado de Bihar, na Índia, a falta de chuva, que aparece normalmente no período das monções, levou os agricultores locais a adoptarem uma estratégia, no mínimo, curiosa.
A estratégia passa por pedir às jovens solteiras para semearem os campos nuas.
O objectivo é embaraçar os deuses, a tal ponto que eles se sintam na obrigação de enviar chuva para as plantações crescerem e taparem as meninas.
Ora aí está o que eu chamo de um excelente pretexto, e imaginei logo o diálogo dos dois agricultores que tiveram esta ideia peregrina.

– Tá um calor insuportável Rachid, não me apetece nada semear hoje.
– A mim também não Vijay. A mim agora apetecia-me ver umas miúdas nuas a semear por mim ali no campo, e nós ficávamos aqui a beber uma cervejinha e a mandar bitaites, isso é que era!
– Era bom era, mas isso é pecado Rachid, os Deuses iam-nos castigar de certeza.
– Olha lá, mas podíamos dizer que estávamos a fazer isto precisamente para Lhes chamar a atenção, não achas?
– Tipo dizer que Eles andam distraídos e que deviam ter vergonha porque as coitadas das meninas até já têm que andar nuas porque não chove e não temos dinheiro para lhes dar roupa?
– Isso! Não é genial?
– Mas tu acreditas que isso vai dar resultado?
– Se tu acreditares, eu acredito. Acreditas que os Deuses existem não acreditas?
– Acredito.
– E achas que Eles iam aprovar que as miúdas andassem por aí sem roupinha, a mostrar as partes pudengas a todos?
– Não.
– Então lá está! Fazemos chover e ainda vemos umas miúdas nuas. É perfeito.
– E se corre mal Rachid?
– Se corre mal o quê Vijay? Se chover temos boas plantações, se não chover vemos miúdas nuas. Ganhamos sempre.

Não posso garantir que este diálogo tenha ocorrido, provavelmente até é bastante descabido, mas o facto é que elas lá andam, nuazinhas, a semear os campos…enquanto não chove.

Santas Virgens

Julho 2nd, 2009
As festas e romarias, tão típicas de Portugal, trazem a público verdadeiras pérolas da música ligeira.
No cartaz das tradicionais festas de Nossa Senhora da Lapa, em Soutelo, encontrei o nome de um grupo que pôs a minha curiosidade em ebulição.
Iniciei a procura de mais informação sem grande esperança, mas a internet surpreende-nos a cada minuto e passados alguns instantes deparei com a página oficial do grupo musical Santas Virgens.
Aparentemente são seis, apesar de eu achar que a de cima do lado esquerdo sofre de um qualquer problema hormonal.
Gostei bastante das músicas, que me fazem lembrar o simpático bardo das histórias de Astérix.
Consegui também, ao ouvir as músicas, imaginar este grupo a fazer bastante dinheiro como “espantalhos musicais”, afastando a passarada dos campos cultivados.
A mim afastavam de certeza!
É destas ideias que a nossa economia precisa.
Os títulos das músicas Ho Ho numa Noite de Luar e Sexy Dance deixam entender que as Santas Virgens devem estar a pensar em mudar de nome a curto prazo.
O que me parece é que, se continuam a cantar, correm sérios riscos de continuar santificadas e impolutas.

Programa de televisão didáctico

Janeiro 17th, 2009
Há uns anos atrás – era eu um imberbe pré-adolescente – passava na televisão um programa inovador para a época.
Muitas vezes foi este programa criticado e injustiçado nas críticas da altura.
Eu nunca percebi essas críticas e hoje em dia, olhando para o passado, vejo que este simples programa de televisão poderá até ter exercido uma influência fundamental na minha formação enquanto homem.
Falo, obviamente, do programa italiano Colpo Grosso, entre nós conhecido pelo portuguesíssimo nome de Tutti Fruti.
Muitos perguntarão: em que medida é que esse programa podia, mesmo que remotamente, ser um programa didáctico?
Só aqueles que analisam superficialmente a temática deste programa poderão ainda ter esta dúvida.
Desde logo, o contacto com a língua italiana (pouco difundida entre nós na altura) era uma excelente forma de aprendizagem da mesma.
Onde mais se poderia ter contacto com frases fundamentais no dia-a-dia como “ricobrimi di baci” ou “diventeremo amici”?
Que outro programa dava aos mais jovens noções tão importantes como quente e frio ou para cima e para baixo, de uma forma descomplexada e interessante?
Que melhor forma de aprender a distinguir um variado leque de de frutos e cores?
Quantos não terão por aqui aprendido a distinguir volumetrias, através da análise das diferenças entre as diversas assistentes?
Que jovem homem, na sua puberdade, terá conseguido escapar aos exercícios de imaginação, criatividade e auto-conhecimento que este programa proporcionava?
Como seria possível apreciar um espectáculo musical de Filipe la Féria sem antes ter tido o contacto primário com a coreografia e o movimento musicado que nos era apresentado a cada separador?
Esperando que nunca caia no esquecimento presto-lhe a justa homenagem, deixando aqui este pequeno vídeo.