Terminologia militar

Agosto 14th, 2013

Ainda há quem discuta se as mulheres devem ou não estar no exército.

Acho que não há discussão possível – devem estar -, mas admito que há coisas que devem ser alteradas.

Há pouco, ouvi alguém referir-se a uma “sargento” como “sargenta”.

Nem todos saberão qual a correta forma semântica e por isso temos que admitir que este será um erro comum.

Ora, este é um termo demasiadamente próximo, foneticamente, de “sarjeta”, o que é claramente depreciativo para o estatuto destas militares.

Quando dita de forma muito rápida, a frase “Fulana de Tal vai ser promovida a sargenta!” poderá levantar imediatamente a questão “E até aqui era o quê, a Fulana de Tal? Latrina?”, para o mais desatento dos transeuntes.

Acho que os nossos generais se deviam debruçar sobre esta temática, pelo menos para criar algum burburinho na messe, que é um sítio normalmente muito pacato.

Já que falamos de messe, penso que poderiam também estudar a mudança do nome desse sítio, porque há muitos que lá vão ter com um papelinho e caneta à procura de um valioso autógrafo, e vêm de lá muito desiludidos porque não era daquilo que estavam à espera.

Só para terminar, se querem chamar “parada militar” a um evento, parem de marchar de um lado para o outro e fiquem mesmo parados, porque com esse movimento todo confundem os mais jovens.bilde

Desabafo de um copinho de leite

Setembro 12th, 2011

O meu nome é Barnabé e sou um copinho de leite.

Uma das minhas maiores desilusões é verificar que a designação “copinho de leite” é hoje em dia aplicada a pessoas de pouca fibra, medrosas, tímidas, fraquinhas ou cobardes.

As pessoas estão tão longe de saber o que é preciso sofrer para ser um copinho de leite!

Mesmo os humanos que são considerados mais fortes e valentes, como os comandos militares por exemplo, não são postos perante condições tão adversas e extremas como nós, os copinhos de leite.

A nossa formação começa logo com uma exposição prolongada a temperaturas elevadíssimas, acima dos 1250 graus centígrados.

Somos metidos dentro de enormes fornos, rodados e soprados permanentemente até estarmos bem formados.

Depois somos atirados para máquinas escuras onde nos atiram produtos químicos e água a alta pressão, para nos testar a resistência e a durabilidade.

A seguir somos encaixotados e enviados para onde sejamos necessários, muito apertados e fechados, viajando sem poder ser sair do sítio e desconhecendo o nosso destino.

Eu vim da China, por exemplo, e quando abriram a caixa, ao ver um senhor chinês a desembrulhar-me, fiquei todo contente, pensando que não estaria longe de casa.

Mas o roçar de um buço proeminente de uma senhora com um lenço negro na cabeça, poucos dias depois, mostrou-me o quão longe estou dos meus.

As pessoas não imaginam isto, mas nós estamos preparados para levar com água, sumos, cerveja, vinho e até whisky ou aguardente, somos fortes e resistentes e não é qualquer tombinho numa mesa que nos parte á primeira.

O leite é um bem necessário à pessoas e a nossa nobre missão de o levar à sua boca enche-nos de orgulho.

É por isso que não nos poupamos a nenhum sacrifício, e seria justo que a nossa tenacidade tivesse outro tipo de reconhecimento.

A nossa vida difícil não acaba aqui.

Ao longo da vida continuamos expostos aos mais diversos perigos, às bordas das mesas, às cadeiras de bebé, às sevícias da sempre tenebrosa máquina – com a agravante de a partilharmos agora com perigosas panelas, talheres grandes e frigideiras, que invariavelmente nos tentam fazer em cacos.

Uns resistem mais, outros menos, mas o céu verde dos copinhos de leite é o nosso último destino, e espero um dia entrar lá já bastante velho e baço, escacado se tiver que ser, mas com a honra do dever cumprido.

Não espero estátuas nem filmes acerca de mim, ou dos meus semelhantes, só gostava que deixassem de chamar copinhos de leite a esses chorinhas que andam por aí e que nada têm a ver connosco.

Oficial de Cabeleireiro

Agosto 12th, 2011

Ora cá está algo verdadeiramente surpreendente.

Quando se pensava que já estava tudo inventado no que ao mundo capilar diz respeito, onde se incluem as profissões de barbeiro, cabeleireiro unisexo ou estilista capilar, eis que surge a EPAVE militarizando o sector, através da introdução de uma hierarquia, como se depreende da expressão “Oficial de Cabeleireiro”.

Talvez inspirados pelo filme Oficial e Cavalheiro, em que, sublinhe-se, Richard Gere aparece impecavelmente penteado, os responsáveis da EPAVE dão um novo élan ao manuseamento e desbaste de pilosidade craniana, transmitindo-lhe o charme e o rigor que faltava.

Mas não é qualquer um que chega a Oficial de Cabeleireiro.

Tudo começa com o treino, apelidado de “recurta”, onde aprendem a manejar as armas pontiagudas e de sopro, os rolos de mão, a transportar lacas, a disparar bitaites, a evitar pisar as meninas e a lidar com as brazucas.

Parte importante deste treino debruça-se depois sobre aspectos tecnicamente mais avançados, como estratégia de corte, negociação de vinténs e manobras de parlapiê, que os deixe preparados para enfrentar todo o tipo de cliente, por mais difícl que seja.

O último teste surge na já célebre Semana de Campanha, em que são postos à prova em salões repletos de clientes histéricas, na ânsia de aproveitar os preços invulgarmente baixos que são praticados naqueles dias.

O Baile dos Oficiais finaliza o curso, e aqui, de forma simbólica, os novos Oficiais rapam as gadelhas uns aos outros, atirando-as seguidamente ao ar, em sinal de alegria pelo finalizar de um duro ciclo.

Posteriormente recebem as insígnias de Sargento de Cabelaria, podendo progredir na carreira até chegar a eventualmente a Chefe de Estado Maior – General das Toucas Armadas.

Boa sorte, minhas bravas e meus bravos, nas vossas missões.

O bem estar dos escalpes da Nação depende de vocês!