Livros de declamações

Março 6th, 2014

Cada vez mais sinto que a cultura em Portugal é menosprezada, relegada para segundo plano e até demonizada por uma franja cada vez maior da sociedade, que vê o investimento nela como um desperdício de tempo e dinheiro.

E assim vamos encarneirando um povo à volta de programas onde o único valor acrescentado é o das chamadas telefónicas, patrioticamente apelidados de “Portugal em Festa“, “Somos Portugal” ou “Aqui Portugal“.

É normal assistirmos ao público enxovalhamento dos agentes culturais – esses valdevinos sanguessugas de dinheiros públicos -, ao mesmo tempo que se elevam a vedetas de primeira água as belas rês lusitanas de Casas dos Segredos e afins.

Nas ruas discutem-se mexericos, nos cafés comentam-se plasticidades, no trabalho há entretenimento em torno das má-criações da véspera, nos lares executam-se lobotomias televisivas.

Acho mesmo que estamos perante um fenómeno de culturofobia, um pavor desmesurado por tudo o que possa constituir-se como um ato cultural, uma apologia do belo ou uma elevação da palavra.

A cultura popular quer-se ligeira e brejeira, e tudo o que fugir disso é mais temido do que um tufão de proporções épicas (que até é giro, porque causa ondas gigantes e casas esmagadas por árvores centenárias).

Se pensarmos bem nisto, temo estarmos cada vez mais próximos do dia em que vamos acabar com os livros de reclamações na lojas, pela sua inutilidade, para os substituirmos por livros de declamações.

A eventual ameaça do cliente para o logista de que lhe declamará um poema, tende a ser uma arma poderosíssima, dada a imensa dor cerebral que lhe poderá infligir por este ato, potencialmente condenando-o a um enfado fatal.

Não fora o facto de ser economicamente inviável, e neste contexto eu até era menino de abrir uma loja com o propósito de tratar mal os clientes e assim poder ouvir as suas declamações.

Principalmente daqueles que entretanto até já se esqueceram de como se lê.

eisenstaedt-alfred-actor-charles-laughton-reading-aloud-from-book-while-straddling-a-chair (1)

 

Cordeiro

Dezembro 13th, 2010

Finalizei este fim-de-semana a leitura de um livro absolutamente fantástico.

Cordeiro- O Evangelho Segundo Biff (o amigo de infância de Jesus Cristo) relata-nos uma história surreal, extremamente bem humorada, desprovida de preconceitos e tabus sobre a vida de Jesus Cristo, com principal incidência na sua infância e juventude, tão pouco documentada.

A história é relatada por Levi bar Alphaeus (também conhecido por Biff), que foi resgatado ao mundo dos mortos pelo anjo Raziel e aprisionado no quarto de um hotel de luxo para escrever este evangelho, onde relata na primeira pessoa tudo aquilo que viveu ao lado do seu amigo de infância Jesua bar José (ou Jesus Cristo), dando a sua perspectiva muito própria de todos os acontecimentos da época.

É um livro delicioso, para se ler de mente aberta, onde Christopher Moore não tenta “achincalhar” a crença de ninguém, mas apenas fornecer um ângulo diferente, preenchendo as lacunas dos relatos sobre a vida de Jesus, com muito humor, personagens soberbas, diálogos mirabolantes e “revelações” surpreendentes.

Leitura obrigatória para quem gosta de boa escrita humorística.

30 Anos de Mau Futebol

Março 3rd, 2010

Uma boa prenda para oferecer ao meu pai, tivesse eu encontrado isto mais cedo, seria o livro “30 Anos de Mau Futebol”, de João Pombeiro.
A julgar pela capa deve ser simplesmente hilariante e além disso tem um pormenor interessante, que é simultaneamente um garante de qualidade.
O ilustrador tem um nome muito, mas mesmo muito, bonito.

P.S. – É de salientar que nesta capa também aparece um número redondo, o que é um sinal de coerência entre posts verdadeiramente exemplar.

Mossad – Os segredos da espionagem israelita

Fevereiro 19th, 2010

A divulgação deste vídeo com alegados operacionais da Mossad em plena operação no Dubai, fez-me ir buscar ao meu baú de memórias um livro que li há uns anos, que ainda é, para mim, uma referência.

O livro é uma narração na primeira pessoa, de um ex-operacional da Mossad e conta pormenorizadamente como trabalha esta organização secreta israelita.

Desde o recrutamento, passando pelo treino, manobras políticas e operações reais, tudo o que Victor Ostrovsky sabia sobre a Mossad, está publicado neste livro.

É um excelente documento em que nos são dados detalhes deliciosos sobre o sub-mundo da espionagem global, onde são revelados segredos e truques e onde nos podemos aperceber da importância que os serviços secretos desempenham na política mundial, e como são instrumento para os mais variados fins.

Indispensável leitura para quem tiver interesse pela espionagem, política mundial e estratégia militar.