Pessoas que falam para dentro

Agosto 13th, 2010

A pessoas que falam para dentro denotam um elevado grau de ponderação,  maturidade, inteligência, assertividade e sabedoria, porque não andam por aí a dizer coisas da boca para fora.

Kagame

Agosto 10th, 2010

Gostava de presenciar o diálogo, e posterior reacção do nosso primeiro-ministro, se lhe fosse apresentado espontaneamente o recém-eleito presidente do Ruanda.

Virando-se de repente e estendendo a mão, diria:

– Hello, Sócrates.

Ao que o outro responderia:

– Hello, Kagame.

A cara do senhor nesta fotografia ainda torna mais prometedor este momento bonito, sem dúvida.

E se passasse pela cabeça do nosso primeiro-ministro que o tom de pele do senhor ruandês se devia a ele já ter sido apresentado a mais portugueses solícitos anteriormente?

Aquele momento constrangedor em que limpa a mão ao casaco disfarçadamente e aproveita a primeira abébia para cheirar os dedos… que delícia de imagem mental!

Outra particularidade interessante deste senhor é que, visitado o seu site pessoal, não deixa de parecer estranha a colocação do punho branco fechado, donde parece sair, mais ao menos a meio, uma faixa branca e estreita, onde está inscrita a letra P.

Será, pergunto eu, um P de “pirete”?

É só farturar!

Junho 29th, 2010

Hoje é dia de S. Pedro, venerável senhor de belíssimo nome, que tem a honra de encerrar o ciclo anual de festejos dos santos populares.

Uma das coisas típicas destas festividades é a venda ambulante de farturas e churros, que não beneficiam a saúde, é certo, mas que não farão tão mal como outra coisa, pelos vistos tão perigosa que lhe deram o sugestivo nome de “receadas”.

Para quem não acredita, fica abaixo a foto de pouca qualidade, porque veio de uma máquina comprada na altura a um senegalês, que as vendia juntamente com pistolas de bolinhas de sabão com sons do tempo do Pacman e luzes psicadélicas fluorescentes… e carteiras de pele genuína de bicho da borracha.

O que é certo é que nestes dias todos farturam como gente grande, e esta é mais uma coisa para aumentar a farturação desses churros, que se fartam de ganhar dinheiro à custa do povo!

XPTO

Junho 22nd, 2010

Fui há pouco tempo alertado para um facto que desconhecia: XPTO é uma abreviatura que é equivalente a Cristo.

XPTO é uma expressão linguística que eu conhecia somente com uma conotação elogiosa, tipo “ela tem um apartamento todo XPTO”, e era bom para essa pessoa que assim fosse, era cool.

Ora, parece-me a mim que a expressão “ter um apartamento todo Cristo” é tudo menos cool, e não será a imagem mais bonita que eu consigo imaginar.

Ter um apartamentozinho com cabelo comprido a pender do tecto e barbas a servir de carpete, com cortinas a arrastar pelo chão, qual túnica, não é, definitivamente, o meu ideal de apartamento.

E ter um “carro todo Cristo” com o pessoal sempre à volta dele, a segui-lo constantemente e a criar congestionamentos de trânsito para onde quer que ele fosse?

Não é recomendável.

Além disso XPTO faz-me lembrar um andróide, que poderia perfeitamente ser companheiro do 3CPO e do R2D2 do StarWars, o que, a confirmar-se esta equivalência, tornaria muito indigesta a comunhão.

Imaginem o padre a entregar o “corpo de XPTO” e a malta a regressar ao lugar com uma parte metálica na boca, a tentar desfazê-la com a saliva e ela a teimar em não derreter.

Não faz muito sentido, pois não?

Macaquinhices

Abril 14th, 2010

Há pouco tempo vi uma senhora a mudar um pneu e a debater-se atrapalhadamente com o manuseio do macaco, enquanto um pouco ao lado umas crianças brincavam à macaca, um jogo tradicional da minha infância que já não via jogado na rua há muito tempo.

Macacos me mordam! Que saudades eu tinha de ver alguém jogar este jogo.

Assim como também tenho saudades de ver os miúdos a jogar ao macaquinho chinês, que era um jogo que me dava muito prazer, e que, em toda a sua enorme utilidade, me ensinou a brilhante arte de avançar rapidamente e ficar quieto de repente, assim que alguém olha para trás.

São gratas memórias que me ficaram da juventude, quando a vida era passada na macaquice, ao som de “Como o macaco gosta de banana, eu gosto de ti” do José Cid, a brincar com os macacos que tirava do nariz ou a degustá-los como se fossem chicletes Super Gorila.

Nessa altura era senhor de uma enorme panóplia de macacadas, que ajudavam a ocupar o tempo, sem preocupações de maior e sem chatices.

A vida é agora outra.

A profissão ocupa constantemente o pensamento e parece que os neurónios estão permanentemente de fato-macaco.

Com tantos esquemas a que assistimos no dia-a-dia uma pessoa começa a ficar com macaquinhos no sótão, parece que vivemos numa república das bananas onde todos se queixam da sua sorte macaca e apercebemo-nos que por todo o lado aparecem macaquinhos de imitação que não produzem nada e só copiam os outros.

Às vezes fico com a sensação que se não parar um bocadinho para ouvir Macaco ou outro grupo musical que transmita boas vibrações é o fim da macacada.

Qualquer dia ainda me dá alguma macacoa, e aí mando toda a gente pentear macacos e vou construir uma casa numa árvore, que é uma coisa que quero fazer desde os tempos de miúdo.

E comer amendoins!