Luzes coloridas

Setembro 6th, 2011

É engraçada a capacidade que as luzes coloridas têm para atrair determinadas coisas ou pessoas para determinadas  coisas ou locais.

Há luzes coloridas onde esse poder de atracção é francamente notório e é por isso que o lixo se sente impelido a saltar para os camiões com luzes amarelas rotativas.

As moscas também não resistem a uma bela luz azul, e, mesmo sabendo que o seu destino será fatal, entregam-se a elas de asas abertas.

A luz roxa – também apelidada de negra – tem a capacidade de atrair os dentes para fora da boca, dando origem a fenómenos idênticos a uma concentração de pessoas disfarçadas de gatos de Cheshire, do País das Maravilhas.

Os homens também não resistem a casas com luz vermelha, vá-se lá saber porquê.

Deve ser por isso que Las Vegas é uma cidade especial, que fascina tanta gente.

Las Vegas caracteriza-se por ser um sítio com luzes de todas as cores, tamanhos e feitios e por isso atrai um variado leque de pessoas, sendo mesmo plausível pensar que possa lá ser encontrada uma espécie única de ser vivo, o lixo humano sorridente e amosquitado.

Este ser vivo já terá sido avistado em algumas discotecas, mesmo cá em Portugal, e é fácil de identificar pelo ar aparvalhado com que reage às luzes coloridas.

Pode ser detectado em ambiente controlado – mesmo em vossas casas se suspeitarem de alguém – através da utilização de um caleidoscópio.

Sejam muito cuidadosos, no entanto, porque a exposição prolongada às luzes coloridas pode causar danos irreversíveis a estes indivíduos.

Restaurante “Lonely Wolf”

Julho 19th, 2011

O restaurante Lonely Wolf, perdido algures no deserto que circunda Las Vegas, está a dar que falar pelo seu conceito inovador, absolutamente focado na satisfação plena de todas as necessidades do cliente.

Vejamos o diálogo abaixo – traduzido livremente para melhor compreensão – onde está bem patente o nível de inovação deste palácio dos sabores.

– Já escolheu?

– Sim, sim. Vou comer a picanha.

– Com feijão preto e couve mineira?

– Pode ser. E um bocadinho de arroz branco.

– Basmati?

– Sim.

– E para acompanhar?

– Para acompanhar pode ser uma núbia caribenha, bem tostadinha, por favor.

– Com picante ou sem picante?

– Traga o picante à parte, se não se importa. Elas já são quentes demais ao natural e não quero exagerar.

– Vai desejar alguma entrada?

– Desejo sim senhor! Uma portuguesinha da costa, das mais pequeninas, mas peça ao chef para pôr extra sal, que elas têm saído um bocadinho insossas ultimamente. E umas ameijoas.

– E para beber?

– Tomo o mesmo que a menina.

No final da refeição, o empregado de mesa dirige-se de novo ao cliente.

– Estava tudo bem?

– Sim, bastante bem. A núbia podia ser um bocadinho mais quentinha… mas com o picante ficou bem, não se preocupe.

– Vou informar o chef e pedir para ter isso em atenção da próxima vez, peço desculpa. Vai desejar sobremesa?

– Vou experimentar o vosso sonho de chocolate em cama de ovos moles e framboesas.

– E sobre a mesa?

– Também, sim. Acho que ainda arranjo um espacinho para o vosso misto asiático. Mas só duas! Sem creme, que já chega de calorias. Pode ser?

– Sim senhor. Duas bolas de gelado em cima?

– Não, só um saquinho de gelo, para pôr em baixo, por favor.

– E no final, um digestivozinho?

– Sim. Qualquer coisa da Real Companhia Velha.

Como viram, nada é descurado neste restaurante, um dos mais fortes candidatos a ser premiado nos guias de várias especialidades, integrando simultaneamente os guias “Boa Cama“, “Boa Vida” e “Boa Mesa“.

Uma experiência gastronómica inolvidável, certamente.