Câmaras motivacionais

Setembro 8th, 2016

Já repararam na força motivacional que uma câmara pode exercer no público de um estádio, seja ele de futebol, beisebol ou nos Jogos Olímpicos, em qualquer parte do mundo?

Se uma câmara foca determinado indivíduo ou grupo durante um evento desportivo, passando essa imagem no ecrã do estádio, a equipa pode estar a perder por 86-0, pode a imagem estar a interromper uma acesa discussão entre um casal ou estar a cair um autêntico dilúvio de canivetes, que o efeito é sempre o mesmo: acenos efusivos para a câmara, carregados de alegria, frenéticos e muitas vezes histéricos.

Tudo se esquece e o que importa é a entrega total e incontida àquele momento tão especial.

Parece que saíram dez euromilhões aos visados, como se aparecer nos ecrãs do estádio fosse a coisa mais importante da vida deles, como se esse fosse o único propósito que justifica a sua presença ali, a derradeira recompensa, que carregarão na memória para sempre, a melhor história de vida que hão-de contar aos seus descendentes.

A pergunta que me faço várias vezes é: e se aproveitássemos esta força motivacional das câmaras em sítios habitualmente aborrecidos ou tristes?

Como seria se nos velórios se instalasse um ecrã, alimentado por uma câmara que de tempos a tempos focava o choroso público?

Qual seria o efeito, numa repartição de finanças, se a espaços aparecessem, no ecrã das senhas, imagens das pessoas que pacientemente esperam pela sua vez de serem crucificadas fiscalmente?

Visualizem a cena e imaginem a viúva a interromper o pranto para mostrar com um sorriso histriónico o cartaz com os dizeres “Amor, ainda estou aqui!”, ou o insatisfeito contribuinte a saltar da cadeira e a levantar a camisa com uma mão mostrando a inscrição “IRS sucks!” enquanto acena com a outra um alarve pirete e mimetiza uma gargalhada à Joker?

Tudo seria mais divertido, mais leve, ser-nos-ia dada a sensação de que estar naquele sítio, naquele momento, é algo que realmente vale a pena, prepararíamos a nossa presença com outro espírito, mais positivo, ensaiando o que faremos se formos os felizes contemplados com aqueles breves segundos de imagem.

Mais que tudo, tornaríamos mais suportáveis e divertidos esses momentos de desagrado ou dor e espalharíamos sorrisos e acenos por este mundo, por vezes tão apagado de emoções positivas.

Se tiverem oportunidade, experimentem nos vossos locais de trabalho e depois digam como correu, está bem?
fans-cheering

 

Sport Bimby

Fevereiro 13th, 2014

Portugal é um país fenomenal, mas é também um país de fenómenos, sendo que alguns deixarão os mais desatentos boquiabertos.

Um dos últimos fenómenos é o extraordinário sucesso comercial da Bimby, que, em contraciclo com as enormes restrições orçamentais dos portugueses, regista recordes de vendas em Portugal.

Contextualizando os mais distraídos, a Bimby é uma espécie de mala do Sport Billy gastronómica, de onde saem, milagrosamente, autênticas maravilhas gourmet.

O utilizador só tem que seguir a receita, inserir os ingredientes na altura certa e ir escolhendo o programa adequado, para daí resultar um verdadeiro deleite para os sentidos, sem ser necessário grande esforço ou conhecimento, e sem fazer a cozinha parecer uma trincheira da II Guerra Mundial.

Ao verificar esta tendência nacional de aquisição de Bimbys o meu espírito positivista apodera-se da minha mente e congemina as mais diversas explicações para o facto, sendo que, neste caso, prevaleceu, como sempre, a mais credível.

Andamos a comprar Bimbys para estudar o seu funcionamento e desenvolver uma máquina verdadeiramente inovadora, que nos vai tornar um país exportador dos mais excelsos atletas do universo.

Passo a explicar.

Perspicazes como sempre foram, as lusitanas almas aperceberam-se que a mais fácil forma – legal – de ganhar muito dinheiro é ter um filho desportista, com capacidades fora do comum.

Ao ver os rios de dinheiro que ganha um Tiger Woods, um Roger Federer ou um Cristiano Ronaldo, todas as famílias sonham descobrir no seu quintal um destes sucessos desportivos globais.

Mas alguém com este dom é mais raro do que uma chave premiada do Euromilhões, a cultura desportiva em Portugal fica muito aquém do que seria desejável e consequentemente o investimento no desporto nacional é muito reduzido.

Como gerar um super atleta destes, em nossa casa, sem muito dinheiro e sem conhecimentos técnicos?

Com uma máquina que transforme qualquer pedaço balofo e desengonçado de bichinho de biblioteca míope num musculado e talentoso atleta de alta competição.

Enquanto escrevo estas linhas, milhares de Bimbys estão a ser dissecadas minuciosamente, em garagens espalhadas por todo o território nacional, para perceber o seu funcionamento e tentar adaptá-lo para este fim.

Não tardará até que apareça uma Sport Bimby, uma máquina à escala humana, onde se põe um homem ou mulher com poucas habilidades desportivas, se junta o equipamento adequado, no tempo certo e de acordo com o programa indicado, e de lá sai um super atleta instantâneo, prontinho para ser bem sucedido no desporto da eleição dos seus amadores cozinheiros – perdão, treinadores.

E assim nos tornaremos numa super potência olímpica e veremos a nossa economia a dar passos de gigante, premiando o nosso investimento no desenvolvimento de novas tecnologias eletrodomésticas.

 Sport Bimby