Não chamem nomes aos animais

Novembro 13th, 2012

Nos últimos tempos tem-se acentuado a contestação social e isso terá feito esgotar a paciência dos animais, que veem frequentemente associados os seus nomes a adjetivos pouco edificantes, como forma de insulto para os sujeitos visados.

Temos hoje connosco o Dr. Tó Reco, presidente do movimento “Não chamem nomes aos animais”.

– Boa noite Dr. Tó. O vosso movimento está agastado com a permanente  associação de adjetivos pouco abonatórios aos vossos nomes. Pode-me dar exemplos desta prática?

 – Claro que sim. Tornou-se um hábito quase. Veja nas manifestações – e comecemos por um caso que me diz muito – a quantidade de vezes que os políticos são chamados de porcos fascistas. Diga-me por favor quando é que viu algum porco a saudar uma bandeira nazi ou a desfilar com a mocidade portuguesa? Nunca! E no entanto a expressão popularizou-se. Outra: porco chauvinista. Nem sei o que é chauvina, como é que podia ser chauvinista!?!

– E isso incomoda-o?

– É evidente! Imagine que era consigo. as pessoas andarem por aí a associar a sua personagem humana amaricada aos ideais fascistas. Queria ver se gostava de ver as pessoas andarem por aí a gritar “Panisgas fascistas! Panisgas fascistas!” ?!?

– Tem razão. Que horror! Até porque nós preferimos ser chamados de homosexuais.

– Tá a ver? Também nós preferimos que nos chamem suínos, mas isso até já damos de barato!

– E é só com os suínos que acontecem estas associações?

– Nem pensar! Já ouviu de certeza expressões como “vaca mal cheirosa”, “cabra interesseira”, raposa matreira”, “burro teimoso”, “pato bravo”, “rato cobarde” ou “cão raivoso”, isto só para mencionar alguns. Ora isto tem que acabar, porque a maior parte dos animais é digno, honesto e não tem nada a ver com estes epítetos.

– E então o que é que vocês querem que seja feito?

– Sabemos que será difícil que as pessoas deixem de usar as expressões, mas ao menos que sejamos ressarcidos monetariamente pelo constante vilipendiar da nossa imagem.

– De que forma?

– Criando uma taxa anti-adjetivação perjorativa dos animais, cujas receitas reverterão a favor do nosso movimento.

– Basicamente, o que vos move é o dinheiro.

– Nem pensar nisso! Mais ou menos. Estamos em crise, não sei se sabe. Sim. É um bocadinho isso.

– E as questões éticas e morais que levantaram? Deixam de interessar?

– Não vamos fazer mais comentários, porque denoto alguma má vontade da sua parte.

– Deixa de fazer sentido a vossa indignação, já que os vossos valores ficam corrompidos.

– Não vá por aí caro amigo, que ainda se aleija!

– A nobreza da vossa ação esvazia-se e…

– Olha o c@?@/#0 do homem, hã!? Deixe-se de ser fuínha e meta-se na sua vida! Paneleiro de m€?&a!

Capacete de cabelo

Outubro 8th, 2012

Como andará a vida dos vendedores de laca?

Cada vez vejo menos gente a usar aqueles penteados armados, que fizeram as delícias de gerações mais antigas, e isso deve estar a afetar-lhes o negócio.

A minha memória armazena imagens riquíssimas de autênticos tratados de estruturas capilares, cuja sustentação só era possível com recurso a massivas doses de laca.

Sempre pensei que além dos evidentes benefícios de durabilidade estética, o uso destas armaduras de cabelo poderia substituir a utilização de capacetes, devido à sua rigidez.

No fundo, olho desde a minha infância as senhoras que as usavam como sendo as percursoras do tuning dos capacetes, as pioneiras do protetor craniano personalizado.

Na época que vivemos temos que ser criativos, adaptarmo-nos às necessidades do mercado, e assim sendo este é um caminho que a indústria laqueira devia estudar com mais atenção.

Pensem nos milhares, ou mesmo milhões, de motards, ciclistas e skaters que pagariam com o couro para blindar o cabelo, tornando-o no seu capacete integrado, ultra leve, bonito, único e, acima de tudo, seguro.

O desafio passa pela homologação desta tecnologia, mas tudo se faz quando se está tão cientificamente avançado.

Infelizmente, por efeitos da minha rarefação de crina, não poderei oferecer a cabeça à ciência para testar o produto, mas, meus caros CEO’s dos laquifícios, cá estarei para vos apoiar no que puder na vossa importante investigação e recolher os frutos económicos de tão visionária ideia.

Professores a concurso

Setembro 19th, 2012

Nos Estados Unidos da América é habitual ouvir relatos de milhares de pessoas em fila de espera por um lugar de ator, cantor ou modelo.

É o sonho americano do estrelato e da fama, que faz com que muita gente para lá emigre, alimentando esse sonho através do recurso a trabalho temporários como empregadas domésticas, entregadores de pizza ou caixas de supermercado.

Por cá é a mesmíssima coisa… mas com os professores.

Longas filas de professores não colocados, percorrendo castings de norte a sul, na esperança de conseguir esse lugar de sonho, disputado por tantos.

À imagem daquilo que se passa no outro lado do Atlântico, também por cá as produtoras televisivas se preparam para lançar reality-shows com base na concretização desse objetivo de vida de milhares de pessoas em Portugal.

“Casa dos Professores”, “Então tens a mania que sabes ensinar?” ou “Olhe que não sôtor!” são títulos possíveis para este concurso.

Aqui os professores terão a oportunidade de mostrar todas as suas capacidades, começando por um esquema de seleção semelhante ao Ídolos, onde quatro jurados de reconhecido valor escolherão os finalistas candidatos a professor.

Os quatro jurados serão uma mescla representativa do universo estudantil português: um marrão sem vida social, um delinquente juvenil sem qualquer nota positiva no último ano letivo e menos de 10% de frequência às aulas, uma adolescente viciada em telemóveis e tablets e um político, ou equivalente.

Por ser mais popular, ter mais criatividade e espontaneidade nas frases e representar um franja estudantil em crescimento, o presidente do júri será o delinquente juvenil.

Ao longo do concurso os candidatos a professor enfrentarão os mais diversos desafios.

Preenchimento exaustivo de relatórios, desenvolvimento de atividades extra-curriculares, pelotão de enxovalhamento, batalhão de pais irados, fuga ao gang e caminhada pós-esvaziamento de pneus, são alguns exemplos de provas a superar.

O vencedor levará para casa uma prestigiada função de professor, com a validade de um ano, numa escola perto do Bairro do Alto da Cova da Moura, um colete anti-bala, um vale de dez consultas com o professor Bambo, um estojo de primeiros socorros e um passe social.

Um luxo!

A cueca enquanto marca identitária

Agosto 28th, 2012

Tenho para mim que a cueca é o objeto pessoal que mais nos define enquanto pessoas.

É pena que ainda ninguém tenha estudado academicamente o impacto da cueca na formação do caráter ou a sua importância enquanto marca identitária.

Boxers, cuecões, gola alta, fio dental, slips.

Rotos, engomados, com esquissos rupestres, coloridos ou cinzentões, com bonequinhos ou lisos, largos ou apertados, com pinga ou sem pinga.

Todas estas variáveis do universo cuequês identificam, sem margem para dúvidas, a personalidade da pessoa que as utiliza.

Não acho correta a catalogação das pessoas pelo tipo de vestuário visível exteriormente.

Betos, punks, dreads ou rockabillys, todos têm por baixo algo que não mostram, mas onde reside de facto a sua afirmação enquanto pessoas.

Na cueca.

Se pensarem bem, a expressão “quero-te saltar para a cueca” tem sido das mais injustiçadas no que à sua interpretação diz respeito, já que o que ela realmente significa é “quero entrar no mais intímo de ti e conhecer-te tal como verdadeiramente és”.

Nada mais romântico, diria eu, mas as pessoas regra geral não entendem a frase desta maneira.

Uma das maiores dificuldades de historiadores e investigadores de outras eras, reside no facto de as cuecas não resistirem ao passar do tempo, decompondo-se.

Seria bastante mais fácil perceber a evolução humana tendo acesso às cuecas dos nossos antepassados.

Que impurezas esconderiam as arianas cuecas de Hitler?

O que tentava Marilyn Monroe esconder quando o vento soprava por baixo da sua saia?

Quão elásticas seriam as cuecas de Churchill?

A que cheirariam as milagrosas cuecas de Cristo?

Que pinturas ostentariam as surreais cuecas de Salvador Dali?

Terá sido Pedro Álvares Cabral o inventor do fio dental?

O conhecimento destas pequenas peças de vestuário abrir-nos-ia a porta de uma nova enciclopédia histórica, certamente.

Melhor ainda seria se pudéssemos conhecer os nossos contemporâneos dessa forma.

Daniel Oliveira, se me estás a ler, presta atenção a este conselho: encontrarás muito mais emoção nos teus convidados, e revelações surpreendentes, se perguntares “o que dizem as tuas cuecas?”.

Pornografize a sua performance

Agosto 23rd, 2012

Segundo um estudo publicado por cientistas britânicos, os halterofilistas que assistem a vídeos pornográficos conseguem levantar com maior facilidade os pesos.

Ora aí está um estudo que se foca no essencial e que contribui decisivamente para a melhoria das condições de vida de uma série de gente.

E para o aumento da competitividade.

Tudo será diferente doravante nos ginásios e empresas onde sejam levantadas coisas à força de braços.

Nos ginásios, os canais desportivos habitualmente sintonizados nas televisões serão substituídos por canais com conteúdos pornográficos.

É um dois-em-um para os ginásios, que, ao mesmo tempo que aumentam a performance dos seus utentes, poupam no valor de subscrição dos canais, já que o desporto televisivo em Portugal, como se sabe, é bastante mais caro que o sexo televisionado.

Ainda no desporto, já estará a ser estudada uma parceria entre os organizadores do Homem Mais Forte do Mundo e os representantes dos produtores de filmes pornográficos americanos, para instalar ecrãs gigantes nos recintos destas competições.

A ideia subjacente a esta iniciativa é a de que, vendo pornografia em tamanho gigante, se obterá resultados verdadeiramente extraordinários.

Noutras áreas não será tão fácil ter resultados similares.

Há muito tempo que o Sindicato dos Estivadores e o Sindicato dos Técnicos de Handling, estariam a negociar com os patrões a montagem de televisões com pornografia permanente junto dos respectivos postos de carga e descarga.

O investimento é muito avultado e a resistência do patronato tem sido enorme, mas como os resultados estão agora comprovados cientificamente já terá sido alvitrada pelos patrões a hipótese de ter essas televisões disponíveis até ao final do ano.

Para já só é possível assistir pornografia no bar do pessoal e nos telemóveis, o que não tem o mesmo efeito, já que alguns profissionais não conseguem guardar a memória do que viram o tempo suficiente para obter aumento de produtividade no regresso ao posto de trabalho.

Diz-se em surdina, nos corredores da política mundial, que já estará na forja um novo estudo, que comprova que assistir a vídeos pornográficos durante a votação de leis ajuda os políticos a tomar a decisão mais correta, principalmente se quiserem optar por abstenções violentas.

Na área da saúde, há investigadores que se debruçam sobre os impactos do visionamento de pornografia em doentes com paralisias várias e também nas maternidades se está a estudar a hipótese de instalar televisões com vídeos pornográficos na sala de partos, para as parturientes fazerem mais força no momento devido.

Desconfia-se no entanto que neste caso isso traga à memória o que as levou até ali, criando muita confusão e sensação de dejá vu, podendo, portanto, não ter os efeitos desejados.

Seja como for meus amigos, está visto que a pornografia está aí para ficar, agora com a ciência a dar-lhe a devida validação, como já se justificava há muito.

Se querem ter resultados extraordinários e força sobre humana, já sabem, pornografizem-se.