Futebol amaricado

Janeiro 9th, 2013

O futebol é jogado de várias formas um pouco por todo o mundo e é isso que faz dele o desporto mais popular do planeta, esta adaptabilidade às várias circunstâncias, preferências e necessidades.

Futebol de 5, de 7 ou de 11, feminino ou masculino, europeu ou americano, em relva, sintético ou pelado, na rua, no pavilhão ou na praia.

Dada a crescente influência do movimento gay em tudo o que se mexe na sociedade moderna, a FIFA está já a preparar uma nova variante do futebol direcionada para este “nicho de mercado”.

O futebol amaricado – assim será chamado em português – terá como principais fatores diferenciadores uma mudança visual radical e regras adaptadas.

O terreno de jogo será a primeira modificação, decorrendo os jogos num recinto de cor marfim, em alcatifa não abrasiva e brilhante.

À volta do campo, tabelas decoradas com papel de parede, ao gosto da equipa da casa, sendo os cantos ornados com bonitos arranjos florais e as balizas revestidas a veludo.

Os equipamentos serão em lycra justa à pele, de cores garridas, e no pés serão utilizadas somente sapatilhas de sola lisa, para não correr riscos de mazelas.

Todos os equipamentos deverão ser aprovados pelo Conselho de Estilo e ser assinados por um estilista de referência.

Os árbitros usarão apitos suaves, ao estilo flauta de pã, para as suas intervenções, e mostrarão lenços de seda mostarda e grená, em vez dos tradicionais cartões amarelos e vermelhos.

O jogo será dividido em 4 partes de 5 minutos cada, intervalado por três pequenas peças de teatro musical coreografadas com a duração de 15 minutos cada.

Importante também, por ser o objeto do jogo, a bola, que deverá ser de material insuflável, saltitona e com as cores do arco-irís, estando proibido o seu pontapeamento com muita força.

Fixem por isso, se pretenderem um dia ser atletas deste campeonato, a primeira e última regra escrita na sua forma original: não vale pastilhos!summer_beach_ball_pastel

Obissuário

Janeiro 4th, 2013

Existe um tipo de pessoas no mundo do trabalho que me irrita a um ponto em que as visualizo permanentemente com um marcador laser na testa.

Vocês já se encontraram seguramente com este género de pessoas, e se forem bons profissionais não andarão longe deste sentimento.

São aqueles indivíduos que estão sempre a colocar dificuldades a tudo o que é sugerido fazer.

“Isso não vai funcionar”, “não achas isso muito arriscado?”, “sim, mas se fizeres isso vais mexer com aquilo e está tudo tramado” e por aí fora, num relambório contínuo de óbices levantados, a cada frase que dizem.

São estas figuras que passam ao lado de termos como criatividade, inovação, proatividade, empreendedorismo, flexibilidade ou dinamismo, que me arrepiam os pêlos a um ponto que seria capaz de lavrar com eles.

Acho que estas pessoas deviam ser liminarmente excluídas do mundo profissional, para que deixem trabalhar quem quer e se deixem de fosquinhas e reviengas para que tudo fique na mesma.

A bem da produtividade, devia ser lançado um portal público onde fosse declarada a morte profissional deste tipo de fulano, denunciando este tipo de pessoas.

Este sítio onde são expostas as pessoas que estão constantemente a apontar óbices ao progresso do trabalho seria chamado de Obissuário e os seus anúncios teriam um aspeto semelhante ao da figura aqui apresentada.

Dotaríamos assim o mundo do trabalho de uma ferramenta extremamente útil para excluir das empresas estes fulanos que enregelam a nossa massa produtiva.

Parece-vos bem?Obissuário

 

Natal sem burro nem vaca

Dezembro 23rd, 2012

Vocês não vão sentir falta do burro e da vaca no vosso presépio?

Sou do mais seguidista que pode haver em relação ao que o Papa vai dizendo, e portanto apressei-me a escacar o burro e a vaca de porcelana que costumo pôr no meu presépio assim que ele disse que afinal eles não estavam lá na altura do nascimento do Menino.

O pior veio depois.

Aquele sentimento de vazio, de que falta alguma coisa que me acompanhou desde pequenino e o peso na cosnciência, indiciador de que algo de mau houvera feito.

Daí à reflexão sobre esta temática foi um pequeno passo.

Em relação às vacas estou de certa forma tranquilo, porque têm mais funções e estatutos simbólicos que se perpetuam, pelo menos no que à mais velha profissão do mundo diz respeito.

É o burro que me causa espécie, porque toda a gente sabe que não serve para grande coisa a não ser para postais ilustrados do mundo rural e para o presépio.

Ao tirá-lo de lá estamos, portanto, a contribuir para o burrocausto ou burrocídio, como preferirem chamar-lhe, dando o passo que faltava para a sua extinção.

Parece-me mal e pelo que se ouve à boca pequena nos corredores das grandes superfícies comerciais, algo se esconde por trás destas afirmações do Papa.

Segundo estas fontes, foram encontradas na casa de banho do mordomo de  Sua Santidade pedaços de papel higiénico amarfanhados e escritos com tinta de limão, contendo textos que indiciam que o Papa pretende destituir o burro e a vaca porque terá como objetivo de curto prazo, substituí-los no presépio por outra dupla de animais.

Os sucessores do burro e da vaca serão um cão pastor alemão de nome Cardinal e uma ratazana que canta, que à falta de melhor nome, terá ficado conhecida somente pelo nome inglês de Rat Singer.

A perspectiva de Bento XVI é a de que Cardinal e Rat Singer assumam as suas funções imediatamente após o desaparecimento do último burro, que poderá ocorrer já em 2013 se houver eleições antecipadas em Portugal.

Num próximo livro, estará a ser preparada a revelação de que existiu efetivamente um caganer na cena da natividade,  que terá uma imagem semelhante à que aqui apresentamos.

Até lá, resta-nos desejar mais uma vez os parabéns ao Menino – que conte muitos e que nós estejamos aqui para ver – e votos de bom trabalho para o senhor Pai Natal.

Para vós fica também uma palavra especial relativa a esta quadra: bom apetite e muitas no sapatinho.

SPAIN-CAGANER-POPE

Bullying espiritual

Dezembro 6th, 2012

– Hoje temos connosco no programa Alpistas do Crime, o senhor Sebastião Corvo, que tem algumas reclamações a fazer relativamente ao estado da justiça portuguesa. Senhor Sebastião, boa madrugada, o senhor sente que a justiça não se faz neste País, não é assim?

– É assim, sim, Simão. A justiça não se faz, nem deixa que outros a façam.

– Quer-nos explicar o que o  leva a estar tão triste com a justiça?

– Quero, sim, Simão. O que se passa é que eu sou vítima de bullying espiritual já há muito tempo, tenho-me queixado frequentemente às autoridades e ninguém faz nada para pôr fim a este suplício.

– Pode-nos explicar o que é o bullying espiritual?

– Sim. É simples, Simão. Há já muito tempo que uma dúvida me assalta o espírito. É recorrente. Uma, outra vez e mais outra. Quando tive a certeza de que se tratava já de bullying e não apenas de uma dúvida obcessiva-compulsiva recorri às autoridades.

– E que resposta obteve?

– Silêncio sibilino Simão. Ficaram ali especados a olhar para mim fixamente durante três ou quatro minutos, quase como se estivéssemos a jogar ao sério, até que um dos polícias teve que ir dar uma farpa à rua e o outro, para não ficarmos em ambiente elevador, meteu conversa e disse que isso não era nada com eles e que devia ir a um psicólogo ou assim.

– Ou assim?

– Ou assim, sim, Simão!

– E o que fez a seguir?

– A seguir sumi Simão. Fui à minha vida. Mas depois continuaram os assaltos da dúvida ao meu espírito. O meu espírito começou a ficar amedrontado, a acordar á noite com suores frios e a fazer chichi na alma e a minha vida nunca mais foi a mesma. Voltei a queixar-me às autoridades cerca de 23 vezes, e nunca obtive qualquer tipo de reação da parte deles.

– Como acha que se resolve o problema?

– Só ao soco Simão! O que eu queria mesmo era ver a dúvida atrás das grades, que é onde pertence, mas a continuar assim só ao soco.

– Olhe, mas hoje temos uma surpresa para si Sebastião. Abram a porta número 2 para vermos o que lá está, por favor!

(Abre-se a porta número 2 e vê-se a dúvida vestida de presidiário, por trás das grades)

Está contente Sebastião?

– Sim, surpreendido e satisfeito Simão! Que vida descansada que vou ter agora, Já vou poder voar como dantes e picar miolos de cabra como antigamente. Que alegria! Muito obrigado ao Simão e à produção do Alpistas do Crime, que foram sempre impecáveis.

– Não tem nada que agradecer. estamos cá para isto. Quanto a si, que nos segue atentamente, bons sonhos e até ao próximo programa.

Natal 2012

Dezembro 3rd, 2012

Como não podia deixar de ser, aqui no Ninho celebra-se a entrada nas festividades natalícias com uma das mais belas pérolas de humor nacional, no saudoso Herman Enciclopédia.

Para ver e rever, duas vezes ao dia depois das refeições.

Boas festas!