Fuso horário unipessoal

Abril 19th, 2011

Há pessoas que parece que têm um fuso horário unipessoal, normalmente regulado a ocidente das outras pessoas.

Quando se combina um encontro para determinada hora, chegam sempre depois, e agem como se nada fosse e até seja perfeitamente normal chegar com mais de 30 minutos de atraso.

Os fusos horários unipessoais caracterizam-se pela falta de rigor científico, variando muito de pessoa para pessoa, mas variando também na própria pessoa, que pode chegar com 15 minutos de atraso a um local, mas no mesmo dia pode aparecer, numa segunda vez, 45 minutos depois da hora.

É um mistério o funcionamento e a regulação deste género de fuso horário.

A mim causa-me imenso transtorno, porque me regulo pela exactidão do fuso horário nacional (seja lá onde estiver) e por isso estou no local combinado, regra geral, escrupulosamente à hora marcada.

E ainda por cima sou uma pessoa que “jet-laga” com facilidade, como se constata pela aparição regular da sintomatologia associada, como sejam dores de cabeça, confusão e irritabilidade, de cada vez que combino alguma coisa com uma destas pessoas.

Se considerarmos que “tempo é dinheiro”, não seria pertinente que houvesse uma lei que obrigasse ao pagamento de uma taxa por se perder tanto tempo e paciência à espera que estas pessoas apareçam?

“Estou aqui à tua espera há mais de 20 minutos! Estás-me a dever 10€ de T.E.M.P.O. (Taxa Especial por Massacrar a Paciência dos Outros).”, seria uma frase possível de aplicar com o surgimento dessa taxa.

Acredito que a partir daí muita gente começasse começasse a acertar o seu relógio interno pelo fuso horário nacional e não pelo seu próprio fuso.

Se não o fizessem , pelo menos eu poderia deixar de trabalhar e dedicar-me exclusivamente a viver de T.E.M.P.O.

Terapia de choque

Abril 11th, 2011

Estudos recentes de uma Universidade – que lançou os resultados da sua pesquisa de forma anónima –  indicam que as aves são o conjunto de seres vivos que melhor prepara as suas crias para a dureza da vida, porque chocam os ovos antes de lançar os seus jovens inquilinos para o cruel mundo.

O chocar dos ovos é um processo que consiste em sentar-se em cima deles durante o período de gestação, para que as crias sintam o peso da responsabilidade que se avizinha, ao mesmo tempo que – e esta é a grande descoberta deste estudo – os vão deixando progressivamente chocados com a leitura diária do Correio da Manhã e do Diário da República.

Esta terapia de choque será, segundo os anónimos investigadores, a razão pela qual os passarinhos teimam em defecar na cabeça dos humanos.

Rrrrrrrrrrrr

Abril 7th, 2011

Se não der para mais nada, o cenário económico actual pode-nos pelo menos ajudar a actualizar alguns exercícios de articulação verbal.

Ora vejamos o exemplo didáctico:

“O rating roeu a rolha e relembrou o recurso à roleta russa”.

Subida da taxa de juro

Março 31st, 2011

Eu sou um grande apologista da subida das taxas de juro e acho mesmo que só com a subida delas é que podemos almejar ao restabelecimento da credibilidade da nossa democracia.

Pode parecer estranho numa primeira leitura, mas parece-me que faz sentido se tivermos em conta que existe um ditado popular que diz que quem mais jura mais mente, e se considerarmos que uma promessa é um comprometimento, logo, uma jura.

Assim sendo, cada vez que um político se compromete com algo, quando promete alguma medida, está, na prática, a dizer “juro que…”.

Uma forma eficaz de controlar o seu desprendimento verbal, o anúncio avulso de ideias demagógicas e o populismo crescente e insustentável dos programas eleitorais seria então criar um imposto sobre esse  acto de dizer “juro”, uma taxa de juro a sério, que incidisse sobre esses devaneios constantes dos politiqueiros profissionais.

Essa taxa deveria ser aplicada de forma rigorosa e implacável, para que eles sentissem na prática os reflexos de cada declaração ou juramento não levados a cabo e/ou se aplicassem a fundo na concretização das medidas propostas.

Por outro lado, se desta forma não ficasse corrigida esta maneira de estar na política, ao menos algum contributo para o aumento da receita pública estaria a ser prestado directamente pelos nossos políticos e nem tudo estaria perdido.

Depois de criada essa taxa, que suba, que suba muito e muito rápido, para ver se entramos nos eixos.

Precisão nos pedidos

Março 21st, 2011

Muitas das pequenas frustrações da vida têm origem na forma como exprimimos as nossas vontades.

É provável que já tenham ouvido ou proferido uma frase do género “pedi o café cheio, não pedi uma sopa de café!” ou “pedi-te um bocadinho de arroz, não era só meia dúzia de grãos!”.

Estas frases ocorrem porque cada um de nós tem conceitos diferentes de cheio,  curto, um bocadinho ou muito, quente e frio ou outros graus de grandeza relativos.

É por isso que eu acho que devíamos ser mais precisos no momento dos nossos pedidos, para que as nossas necessidades sejam satisfeitas na plenitude.

Para isso temos que quantificar aquilo que pedimos com o máximo de precisão possível, para não restarem dúvidas ao nosso interlocutor.

Vejamos um exemplo:

– Bom dia, são três cafés por favor. Para esta menina servido a cinco nonos de chávena, para o meu sobrinho a nove/doze avos com chávena escaldada a 83ºC e para mim a seis/onze avos, com cheirinho de bagaço, numa relação de um para seis e deitado na chávena posteriormente ao café, pode ser?

– As informações que não foram fornecidas, posso assumir que é para aplicar o standard da máquina, certo?

– É isso mesmo, muito obrigado.

Pedindo as coisas desta forma, e sendo os cafés servidos da exacta forma que foram pedidos, tenho a certeza que não haveria lugar a insatisfações.

No caso de o serviço não vir conforme, o poder de reclamação sai reforçado, não havendo lugar a argumentações com base em relatividades.

Tenho para mim que substituir expressões como “abre um bocadinho a persiana”, “vai devagar” ou “um galão escurinho e morno” por “abre a persiana até à sexta ripa”, “vai a uma velocidade não superior a 40km/h” ou “um galão com três vezes mais café do que leite, servido a 38ºC”, eram uma mais valia para todos e minimizavam de sobremaneira o risco de discussões, aumentado a nossa felicidade em, pelo menos, 199%.