Proibido vuvuzelar

Maio 25th, 2010

Não sei quem terá tido a brilhante ideia de introduzir a vuvuzela no nosso país como forma de apoio à selecção nacional de futebol, mas se o objectivo é levar, 90 ou 120 minutos, com um dos barulhos mais irritantes do planeta, ao menos que o façamos com coisas tradicionais portuguesas como os chocalhos de vaca, os ferrinhos ou os martelinhos de S. João!

Imagino que o uso de vuvuzelas seja uma excelente notícia para quem vende Ben-u-ron, mas eu, só pela primeira amostra no jogo de ontem, já fiquei com vontade de colocar um letreiro destes em todos os sítios onde se possa assistir a jogos do Mundial.

Especial

Maio 23rd, 2010

Especial
adj. 2 gén.
1. Relativo a espécie.
2. Particular.
3. Privativo.

4. Excelente; do melhor; destinado a um fim ou uso particular.

É já um cliché, mas para mim é, sem sombra de dúvida, o adjectivo que melhor identifica este homem.

Numa altura de nacional-pessimismo como há muito não se via, esta imagem é preciosa por ser um exemplo cabal de que podemos ser os melhores, se formos dedicados, sérios, corajosos, pragmáticos e competentes.

Grande José Mourinho!

30 Anos de Mau Futebol

Março 3rd, 2010

Uma boa prenda para oferecer ao meu pai, tivesse eu encontrado isto mais cedo, seria o livro “30 Anos de Mau Futebol”, de João Pombeiro.
A julgar pela capa deve ser simplesmente hilariante e além disso tem um pormenor interessante, que é simultaneamente um garante de qualidade.
O ilustrador tem um nome muito, mas mesmo muito, bonito.

P.S. – É de salientar que nesta capa também aparece um número redondo, o que é um sinal de coerência entre posts verdadeiramente exemplar.

Árbitros profissionais

Fevereiro 25th, 2010

É já a partir do próximo mês de Março que 12 árbitros de futebol portugueses vão passar a ser profissionais.

Eu acho muito bem, porque assim eles vão ter mais tempo para eles próprios e vão poder tratar de reduzir as possibilidades de lhes serem lançados impropérios durante os jogos.

Vão poder, desde logo, treinar mais e melhor e assim começar a ter mais cuidado com a acuidade visual, com o aumento da resistência física, o apuro dos reflexos, o agilizar do poder de decisão e a aprender a posicionarem-se melhor em campo.

Mas o que ainda vai ser mais importante para eles é que lhes vai sobrar mais tempo para cuidarem deles e assim retirarem argumentos a quem os vilipendia.

Com o tempo disponível podem tentar reduzir os chifres que muitos os acusam de ter na cabeça, podem tomar mais banhos para que ninguém os confunda com suínos, rapar os pêlos para não os inserirem na família dos ursídeos ou cortar o cabelo para que não usem uma espécie de crina equina que levará alguns adeptos a fazer confusão.

Têm tempo para escolher melhor os seus destinos turísticos e evitar que lhes recomendem desagradáveis idas abaixo de Braga ou a qualquer órgão replicado em cerâmica das Caldas, além de poderem tratar de limpar, e  posteriormente fotocopiar e divulgar, o seu registo criminal para que não os caluniem de larápios.

Mas melhor que isso tudo, terão tempo para dar um novo rumo à ocupação das suas mãezinhas, ajudando-as a optar por empregos menos estigmatizados pela sociedade ou então, quiçá, auxiliarem-nas também a garantir o seu estatuto de profissionais reconhecidas.

É pena que, ao contrário de outras actividades profissionais, não se lhes possa atribuir um prémio dourado numa gala de final de temporada ou num prémio de carreira, pelas conotações negativas que isso possa ter.

Pode ser que optem pela platina ou o diamante, depois veremos.

Adepto vibrante, mesmo sozinho

Fevereiro 22nd, 2010

Ontem, por circunstâncias várias, vi um jogo de futebol com uma intensidade e carga emocional acima da média numa sala de restaurante vazia, completamente sozinho.

Gostava de ter filmado a cena.

Um tipo sozinho numa sala gigantesca a olhar para uma televisão, embrenhado e entregue a um jogo que o leva a levantar-se e sentar-se várias vezes, a gritar constantemente com o aparelho televisivo, a dar instruções para dentro do campo, a chamar nomes aos vários participantes do jogo quando as intervenções não são do seu agrado, a encorajar os atletas e a soltar palavras de incentivo nas boas iniciativas, a criticar cada lance como se fosse capaz de fazer muito melhor, a esticar-se para ver se com a pontinha do sapato mete a bola tentando com isso ajudar o verdadeiro jogador, a vibrar intensamente, como se estivesse dentro do estádio e a comemorar efusivamente cada golo, com direito a pulos e braços no ar e todo o folclore natural nessas ocasiões.

É um espectáculo digno de ser visto.

Apercebi-me disso porque a sala fazia eco e havia o meu reflexo nos vidros, portanto eu ia acompanhando a minha própria performance com alguma estupefacção.

Tolinho, dirão muitos.

Apaixonado, digo eu, por um desporto que sinto e vivo desde muito pequenino de uma forma muito intensa.