Terapia de choque

Abril 11th, 2011

Estudos recentes de uma Universidade – que lançou os resultados da sua pesquisa de forma anónima –  indicam que as aves são o conjunto de seres vivos que melhor prepara as suas crias para a dureza da vida, porque chocam os ovos antes de lançar os seus jovens inquilinos para o cruel mundo.

O chocar dos ovos é um processo que consiste em sentar-se em cima deles durante o período de gestação, para que as crias sintam o peso da responsabilidade que se avizinha, ao mesmo tempo que – e esta é a grande descoberta deste estudo – os vão deixando progressivamente chocados com a leitura diária do Correio da Manhã e do Diário da República.

Esta terapia de choque será, segundo os anónimos investigadores, a razão pela qual os passarinhos teimam em defecar na cabeça dos humanos.

Revelação Wikileaks: Pai Natal não existe

Dezembro 20th, 2010

A mais recente bomba da Wikileaks rebentou nos programas infantis como Noddy, Winx e Ruca, os meios de comunicação escolhidos para divulgar a toda a pequenada a sua mais recente e polémica descoberta: o Pai Natal afinal não existe.

Segundo a Wikileaks, que conseguiu esta informação através de um duende anónimo que tem um caso com uma ex-secretária do embaixador dos EUA na Lapónia, e que conseguiu ter acesso aos seus e-mails, um senhor encorpado e barbudo é contratado todos os anos, num casting secreto organizado conjuntamente pelos governos dos EUA, Reino Unido, Lapónia e pela Associação dos Avós.

O senhor escolhido é depois sujeito a uma operação na garganta para o impedir de revelar verbalmente o segredo, conseguindo apenas emitir o som “OH”, sendo-lhe simultaneamente feito um branqueamento capilar e a implantação de luvas felpudas e sem dedos, para não poder escrever mensagens nem executar linguagem gestual.

No conteúdo dos e-mails agora divulgados revelam-se factos assustadores e dignos de exposição pública, como o patrocínio encapotado da Coca-Cola a esta fraude de proporções mundiais, a falta de chip nas renas que indicia que não estarão devidamente registadas nem vacinadas, o envolvimento de pais de todo o planeta que forjaram cartas durante anos (o teor dessas cartas será também divulgado aos poucos nos próximos dias), e a enorme falta de consideração por outros símbolos natalícios, inclusivamente com desrespeito directo na referência ao próprio fundador da quadra, Jesus Cristo, que é mencionado na correspondência por alcunhas como “Berçolas”, “Fraldinhas”, “Pastel de Belém” ou “Pirralho”.

O fundador da Wikileaks, Julian Assange, afirmou que está muito feliz pela partilha desta informação com as crianças de todo o mundo e já garantiu que não ficará por aqui na sua luta pela transparência e liberdade de expressão, prometendo para breve novas revelações acerca do Coelhinho da Páscoa, da Fada do Dente, da WWE e dos truques de Houdini.

Governo acusado de tráfico de insuficiências

Outubro 15th, 2010

Fonte anónima fez a denúncia e a PJ começou imediatamente a investigação sobre um suposto tráfico de insuficiências levado a cabo por membros do Governo.

A acusação de alegadamente usar as suas próprias insuficiências decisórias, a par de insuficiências curriculares, de experiência, competência, responsabilidade e até mesmo de honestidade, transformando-as em enormes insuficiências económicas, sociais e culturais no País, caiu como uma bomba entre os deputados da Assembleia da República.

Apesar de ainda não haver uma posição oficial de São Bento relativamente a este caso, o Ninho de Pássaro sabe, através de fonte colocada no jardim do Primeiro-Ministro, junto a umas sebes que lhe dão um ar bucólico, que este ordenou a criação de uma comissão de inquérito para averiguar com detalhe o significado de “tráfico” e seguidamente de “insuficiências”.

Entretanto, ao que o Ninho de Pássaro teve oportunidade de apurar, a PJ teme que o caso venha a ser arquivado por insuficiência de provas.

Enxerto de porrada dá frutos

Outubro 6th, 2010

Foi notícia durante a semana transacta, mas só agora o repórter do Ninho de Pássaro se pôde deslocar ao local, devido a um desarranjo intestinal que o levou a um W.C. e o manteve distraído por três dias, na leitura de uma porta com muita escrita.

Na pequena localidade de Entremijas, o senhor Casimiro Lenha resolveu fazer um enxerto numa árvore de porrada que tinha junto da sua garagem, e assistiu espantado a um fenómeno único: a árvore começou a dar miraculosamente frutos de muitas variedades, de forma espontânea e imediata.

“Eu nem sei que lhe diga. De repénte começum a sair de lá biqueiros, murraços, sopapos, estalos, bastonadas, … de tudo… eu nem sabia de onde elas caíum!”

Os transeuntes, apesar de espantados, não se fizeram rogados e correram a apanhar o que podiam, como foi o caso do senhor Laurindo Meles:

“Olhe, eu nim sei como consegui apanhar táunto! Trouxe pra casa 12 castanhádas, 9 crêncos, 16 joilhadas e 45 patarrões, daqueles rijinhos, mêmo como eu guósto e maijalgumas coijinhas. Fui para casa tuodo isconxavado, a ver se auguentava cum aquilo tudo e cheguei a casa e a minha mulhere beio logo ter cumigo a dezer “Ó home, olha como tu beins! Tu já num és nobo, já não consegues levar táunto! Aunda cá que eu ajudo-te.” E lebou os 30 açoites que eu trazia nas truzes!”

O pároco da localidade, conhecido como Senhor Padre, não ficou nada satisfeito ao tomar conhecimento deste milagre.

“Não pode ser milagre. Normalmente, quando é assim, a Santa Sé faz saber antes ao sacerdote da freguesia, através de um ofício em papel timbrado e acompanhado das instruções de montagem. Ainda não há uma IKEA para milagres e portanto não me parece que o senhor Casimiro pudesse fazer aquilo sozinho. E nós normalmente trabalhamos mais com o aparecimento de flores, choraminguices de estátuas ou imagens do Senhor e nunca com pancadaria silvestre. Para mim isto é obra do Demónio.”

A produção de frutos da árvore foi tanta que o mercado municipal não deu resposta cabal a todos os que lá acorreram a distribuir o produto, e assim mais de metade da população de Entremijas viu-se na necessidade de utilizar o hospital como apoio.

O fenómeno só durou, no entanto, dois dias, pelo que, infelizmente, o repórter já só conseguiu arranjar dois calduços muito fraquinhos.