Beijadores mineiros

Outubro 31st, 2013

Há pessoas que vão tão longe na sua demonstração de afeto, que mais parece que estão a fazer espeleologia bocal.

Acredito que lhes dê imenso prazer – não é isso que está em causa -, mas o facto de o fazerem em público aflige-me.

Não por mim, que até sou dado ao voyeurismo, mas pelos exemplos que se dão às crianças.

É que aquilo é perigoso!

Um tipo que se atreve a abrir tanto a goela e lançar tão longe a sua sonda bocal, corre sérios riscos de espetar a língua numa qualquer estalagmite, se não se põe fino!

A minha teoria é precisamente que esta prática começa ainda em criança, quando só nos satisfazemos depois de sorver o último nano-pingo de iogurte, espetando a ponta da língua até à base do frasco, e por isso mesmo acho que as crianças, ao verem estes beijos à mineiro, julguem que isto se aplica a tudo o que se gosta.

Depois vemos adolescentes amantes do desporto automóvel a sodomizar um cano de escape com a língua, ou um melómano a bater o recorde de profundidade num linguadão com um subwoofer.

E achamos estranho.

Vamos lá ter cuidado com isso juventude, que os efeitos nocivos destas práticas, no limite, incluem deslinguamento acidental.

E ninguém gosta que lhe chamem lingueta!

Até porque não dá para responder a não ser por gestos.

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