Gelar a conversa

Janeiro 12th, 2010
Assisti e esta conversa entre três amigas no último domingo, num espaço comercial com café, onde me encontrava, enquanto nevava em Braga.
A última frase é proferida por um homem que ninguém percebeu de onde veio, nem o à-vontade com que se introduziu na conversa.

Mulher 1 – Taunta neve! É tão bonito, num é?
Mulher 2 – É um pétáculo!
Mulher 3 (a mostrar irritação) – Vós parece que nunca bisteis neve! Nunca bisteis neve?
Mulher 2 – Cláro! Mas acho sempre munto bonito.
Mulher 1 – Tu num gostas de neve?
Mulher 3 (já mais calma) – Gosto. Mas já vi muita. Habieis de ter estado em Felgueiras quando eu tava lá a trabalhar. É que nevou, uma vez!
Mulher 2 – E na Serra da Estrela? Na Serra da Estrela é que neva!
Homem (em tom muito alto e bruto) – Óóóó! E isso é alguma cuoisa??? Ide pa Fraunça que vós indes ber!

A partir daqui foi só um imenso silêncio e olhares trocados de soslaio, a mostrar constrangimento mútuo, e sem olhar mais para a neve.

Quanto a mim, limitei-me a observar, mas achei que devia partilhar com vocês este rebuçadinho sociológico.

Toca a despir… enquanto não chove

Julho 23rd, 2009
Acho maravilhosa a relação de cumplicidade entre a religião e sexo.
Já tive oportunidade de falar aqui nisso, de uma forma ou de outra, mas esta estória é simplesmente deliciosa.
No estado de Bihar, na Índia, a falta de chuva, que aparece normalmente no período das monções, levou os agricultores locais a adoptarem uma estratégia, no mínimo, curiosa.
A estratégia passa por pedir às jovens solteiras para semearem os campos nuas.
O objectivo é embaraçar os deuses, a tal ponto que eles se sintam na obrigação de enviar chuva para as plantações crescerem e taparem as meninas.
Ora aí está o que eu chamo de um excelente pretexto, e imaginei logo o diálogo dos dois agricultores que tiveram esta ideia peregrina.

– Tá um calor insuportável Rachid, não me apetece nada semear hoje.
– A mim também não Vijay. A mim agora apetecia-me ver umas miúdas nuas a semear por mim ali no campo, e nós ficávamos aqui a beber uma cervejinha e a mandar bitaites, isso é que era!
– Era bom era, mas isso é pecado Rachid, os Deuses iam-nos castigar de certeza.
– Olha lá, mas podíamos dizer que estávamos a fazer isto precisamente para Lhes chamar a atenção, não achas?
– Tipo dizer que Eles andam distraídos e que deviam ter vergonha porque as coitadas das meninas até já têm que andar nuas porque não chove e não temos dinheiro para lhes dar roupa?
– Isso! Não é genial?
– Mas tu acreditas que isso vai dar resultado?
– Se tu acreditares, eu acredito. Acreditas que os Deuses existem não acreditas?
– Acredito.
– E achas que Eles iam aprovar que as miúdas andassem por aí sem roupinha, a mostrar as partes pudengas a todos?
– Não.
– Então lá está! Fazemos chover e ainda vemos umas miúdas nuas. É perfeito.
– E se corre mal Rachid?
– Se corre mal o quê Vijay? Se chover temos boas plantações, se não chover vemos miúdas nuas. Ganhamos sempre.

Não posso garantir que este diálogo tenha ocorrido, provavelmente até é bastante descabido, mas o facto é que elas lá andam, nuazinhas, a semear os campos…enquanto não chove.

Póitiéres

Julho 3rd, 2009
Póitiéres.
Foi assim que ontem um senhor me disse o nome da cidade onde reside, em França.
Hesitei e disse que não sabia onde era.
Disse-me que era perto de “Túres”.
Póitiéres… continuo sem saber onde é.
– Tem o Futuróescópe, que é muito bonito.
– Ah! Em Poitiers!
– Pois, em Póitiéres, já lá foi?
– Já. Gostei muito.

E assim está oficialmente aberta a época de férias dos emigrantes portugueses cá pelo burgo.

Nota para quem não está familiarizado com o francês: o nome das cidades lê-se, com mais ou menos sotaque “puátiê” e “turr”.