Sport Bimby

Fevereiro 13th, 2014

Portugal é um país fenomenal, mas é também um país de fenómenos, sendo que alguns deixarão os mais desatentos boquiabertos.

Um dos últimos fenómenos é o extraordinário sucesso comercial da Bimby, que, em contraciclo com as enormes restrições orçamentais dos portugueses, regista recordes de vendas em Portugal.

Contextualizando os mais distraídos, a Bimby é uma espécie de mala do Sport Billy gastronómica, de onde saem, milagrosamente, autênticas maravilhas gourmet.

O utilizador só tem que seguir a receita, inserir os ingredientes na altura certa e ir escolhendo o programa adequado, para daí resultar um verdadeiro deleite para os sentidos, sem ser necessário grande esforço ou conhecimento, e sem fazer a cozinha parecer uma trincheira da II Guerra Mundial.

Ao verificar esta tendência nacional de aquisição de Bimbys o meu espírito positivista apodera-se da minha mente e congemina as mais diversas explicações para o facto, sendo que, neste caso, prevaleceu, como sempre, a mais credível.

Andamos a comprar Bimbys para estudar o seu funcionamento e desenvolver uma máquina verdadeiramente inovadora, que nos vai tornar um país exportador dos mais excelsos atletas do universo.

Passo a explicar.

Perspicazes como sempre foram, as lusitanas almas aperceberam-se que a mais fácil forma – legal – de ganhar muito dinheiro é ter um filho desportista, com capacidades fora do comum.

Ao ver os rios de dinheiro que ganha um Tiger Woods, um Roger Federer ou um Cristiano Ronaldo, todas as famílias sonham descobrir no seu quintal um destes sucessos desportivos globais.

Mas alguém com este dom é mais raro do que uma chave premiada do Euromilhões, a cultura desportiva em Portugal fica muito aquém do que seria desejável e consequentemente o investimento no desporto nacional é muito reduzido.

Como gerar um super atleta destes, em nossa casa, sem muito dinheiro e sem conhecimentos técnicos?

Com uma máquina que transforme qualquer pedaço balofo e desengonçado de bichinho de biblioteca míope num musculado e talentoso atleta de alta competição.

Enquanto escrevo estas linhas, milhares de Bimbys estão a ser dissecadas minuciosamente, em garagens espalhadas por todo o território nacional, para perceber o seu funcionamento e tentar adaptá-lo para este fim.

Não tardará até que apareça uma Sport Bimby, uma máquina à escala humana, onde se põe um homem ou mulher com poucas habilidades desportivas, se junta o equipamento adequado, no tempo certo e de acordo com o programa indicado, e de lá sai um super atleta instantâneo, prontinho para ser bem sucedido no desporto da eleição dos seus amadores cozinheiros – perdão, treinadores.

E assim nos tornaremos numa super potência olímpica e veremos a nossa economia a dar passos de gigante, premiando o nosso investimento no desenvolvimento de novas tecnologias eletrodomésticas.

 Sport Bimby

T-shirt desportiva de cerimónia

Agosto 1st, 2013

É engraçado ver como as pessoas se aperaltam de forma especial quando vão a sítios ou cerimónias que fogem das suas rotinas habituais.

Tendencialmente vestimos os nossos melhores trapinhos quando vamos a algum lado a que não vamos muitas vezes ou participamos em algum evento especial, engrandecendo o momento.

É também aqui que nos revelamos sociologicamente, expondo aquilo que, para nós, é valioso, importante ou simbólico.

De entre as peças ou sinais que mais saltam à vista como clichés identificativos do que estou a dizer estão os sapatinhos de ir à missa, os vestidos de noite, a brilhantina no cabelo, a camisinha branca, a maquilhagem excessiva ou as jóias em abundância.

Mas de todas as peças deste género, a que mais me desconcerta e causa tremeliques nas células sorrisais é a t-shirt do clube desportivo.

De futebol, basquete ou rugby, acho fabuloso que alguém considere sinónimo de aperaltar-se vestir uma peça de vestuário destas.

Se este é o traje formal, o informal é o quê?

Um colete de cartão?

Uma toga de sarapilheira?

A sério, fico muito confuso.

Nem sei mais o que vos diga.

Vou ver um bocadinho de uma reposição de um qualquer Big Brother, a ver se me epifaniza.

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Orgulho no desporto nacional

Julho 2nd, 2012

Portugal acorda hoje orgulhoso.

Foi um fim de semana em cheio para o desporto nacional e isso sente-se a cada esquina, na face das pessoas, e nas redes sociais, com as inúmeras mensagens de orgulho dirigidas aos nossos representantes, que se destacaram ao mais alto nível do desporto europeu.

Julgo até haver algum exagero na importância dada a estes feitos, a julgar pelas capas dos três maiores jornais desportivos nacionais, mas já não embandeirávamos em arco há quase uma semana e portanto compreende-se todo o destaque que se tem dado.

Segundo consta, preparam-se receções memoráveis para três portugueses que elevaram bem alto o nome de Portugal nos últimos três dias.

Pedro Proença será recebido por uma mitra jeitosa, devidamente encapuçada, que o levará até ao centro comercial Colombo, onde reviverá os momentos lá passados no início desta época, que terão sido decisivos para lhe endireitar o globo ocular esquerdo, corrigir o desvio nasal de que padecia e acertar-lhe o passo, ajudando-o assim a tornar-se no melhor árbitro europeu da atualidade.

Patrícia Mamona também será recebida com pompa e circunstância, pelos seus familiares e amigos, estando já a ser recolhidos em livro uma série de trocadilhos e piadas várias acerca do seu nome, que lhe será entregue por uma ardina brasileira do jornal Metro, assim que ela pare no semáforo à saída do aeroporto.

Para não variar, Dulce Félix também será recebida com honras de tranquilidade, por um grupo pequeno de pessoas que a conhecem desde menina e por um ou dois atrevidos colegas de equipa, que lhe abrirão caminho pela multidão indiferente até ao táxi mais próximo, onde terá que esperar como os outros.

O Presidente da República terá enviado uma SMS de felicitações para dois deles com o seguinte texto “Prb. Obg. Ab. Ass: PR”, mas entretanto ficou sem saldo para enviar para o terceiro.

Pediu no entanto ao Primeiro-ministro, se não se importasse, para assinar pelos dois quando enviasse a mensagem dele.

Disse também à comunicação social que até os receberia de bom grado, mas ficou sem arroz na despensa porque está à espera da próxima baixa de preço no Pingo Doce para enviar a sua comitiva de aprovisionamento presidencial.

Se não tiver oportunidade de os receber entretanto, pelo menos no próximo jantar de despedida da seleção nacional de futebol sub-12, que nos vai representar no Torneio Internacional de Badajoz, haverá possibilidade de os integrar, já que os miúdos comem menos dos que os séniores e portanto não haverá problema em mandar fazer mais três bicos de pato com queijo e fiambre e comprar mais três sumos de tutti-fruti.

Tiro aos pratos

Agosto 22nd, 2011

Ontem apercebi-me – por estar próximo de um campo de tiro – de um verdadeiro genocídio.

Cento e vinte e seis pratos morreram durante uma tarde, assassinados por atiradores equipados com óculos especiais e protecções auditivas, e ninguém fez nada para impedir esta matança.

Não consigo perceber o que motiva estas pessoas, capazes de um acto tão bárbaro.

Podiam fazê-lo com o intuito de os comer, mas não me recordo de ouvir falar em Arroz de Prato nem de Prato com Laranja.

O mínimo exigível seria que, pelo menos, utilizassem os restos mortais para fazer Bolo do Caco, mas nem isso é aproveitado.

Há mais motivos que me causam alguma exaltação interior quando penso nas consequências desta mortandade selvática.

Alguém se importa com o drama familiar que o desaparecimento destes pratos causa?

Como ficará uma prata, ao receber a notícia de que o seu marido foi morto enquanto voava inocentemente por cima de um campo?

Fundida, com certeza!

É um problema muito grave da nossa sociedade, que tem que ser denunciado.

Há um tratamento desigual de umas coisas para as outras, preconceitos que persistem, resistindo ao evoluir das mentalidades.

Se alguém dispara contra um banco, mesmo que só arranhando a sua pintura ligeiramente, vai logo a polícia atrás dele, perseguindo-o, prendendo-o e punindo-o com severidade.

Mas se se dispara contra um prato, deixando-o estraçalhado, jazendo no chão, nada é feito a não ser bater palmas ao indivíduo que efectuou o disparo e felicitá-lo pela pontaria.

Há até competições que legitimam esta prática e prémios para os melhores atiradores.

Uma pouca-vergonha!

Pratos e bancos deviam ser tratados da mesma forma e já é altura de acabar com estas razias de pratos ao fim de semana.

Persiga-se e castigue-se quem dizima a pratalhada!

Ventos francófonos

Agosto 9th, 2010

O nosso Presidente da República apelou aos portugueses para fazerem férias em território nacional, como medida de combate à crise.

Estava ele longe de imaginar que o seu apelo fosse levado tão a sério pela comunidade emigrante.

Pelo menos a mim parece-me que este ano há muito mais emigrantes a passar cá férias do que é normal.

Isso faz com que se tenha bem presente o slogan já antigo “Vá para fora cá dentro”, porque ao entrar num qualquer café do Minho parece que acabamos de entrar numa boulangerie dos subúrbios de Paris.

E isso é bom, porque se sente o ar mais arejado, non? Puff!

Já que cá estão, acho que devíamos aproveitar a presença desta gente toda, que bufa de cada vez que acaba uma frase, para pô-los todos a falar à beira das frentes de incêndio.

Podia ser que todo esse poder de “abufadela” funcionasse como quando se sopram as velas de aniversário e se extinguissem os incêndios rapidamente.

Como os fogos ocorrem mais no interior, em zonas arborizadas e/ou de montanha, evitava-se com isso também o aumento da intensidade do vento nas praias do Norte, que eu desconfio desde sempre que se deve a este crescimento sazonal do PAIB (Produto Abufador Interno Bruto) nesta zona do país, nos meses de Verão.

Olhando para o desporto, acho mesmo que as competições de Kitesurf, ou semelhantes, deviam incluir nas regras a proibição de falar durante a prova para os participantes francófonos, porque ganham vantagem com a sua produção autónoma de vento.

Todo o potencial desta característica francófona poderia ser aproveitada ao máximo, também no desporto, se houvesse um “Campeonato Mundial de Bolinhas de Sabão” ou um “Open Internacional de O-Teu-Pai-É-Careca?”.

Como estamos numa era em que se procura a eficiência energética, imaginem o sucesso que teria um projecto que desenvolvesse um micro gerador eólico para aplicação junto da boca de francófonos!

Ulálá! Isso é que era fazer dinheiro, ãh? Puff!

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