Ninho no Facebook

Dezembro 8th, 2010

A primeira prenda de Natal deste Dezembro foi para o Ninho, que recebeu hoje uma ampliação dos seus aposentos, no livrinho onde as caras se espreitam umas às outras.

É a emancipação do Ninho, que ganha carantonha própria e deixa de se esconder por trás do careto do seu apassaralhado criador, o que só lhe pode favorecer a imagem.

Assim ganha privacidade e pode receber outras pessoas, e isso é coisa que faz falta a partir dos quatrocentos posts, que é considerada a idade adulta de um blogue, como se sabe.

Que tenha juízinho e faça tudo com protecção, é só o que eu lhe posso aconselhar.

Gosto disto!

Espero que vocês também.

Instantâneos d’ouro

Novembro 29th, 2010

No último fim-de-semana tive o prazer de regressar ao Douro e passear por aquela região fértil em paisagens deslumbrantes, como esta em que uma “ilha” emerge no meio de um mar de nuvens.

Mas nem tudo foi tão bonito.

Ao chegar ao hotel deparei-me com o aviso abaixo, que me deixou em pânico.

Fiquei atrapalhado porque o selo já estava quebrado quando o vi e não tinha como provar que não fui eu a quebrá-lo, mas acima de tudo fiquei extremamente nervoso porque não faço ideia de como iria arranjar dez mil escudos, caso fosse apanhado.

Felizmente correu tudo bem e ninguém me multou ou pediu escudos, e portanto continuamos serenamente até que este anúncio num prédio me captou a atenção.

É impressionante a capacidade edificadora do Homem, capaz de fazer apartamentos com esta dimensão!

Não sei como será viver num T3 mais mil novecentos e sessenta e oito milhões novecentos e quinze mil seiscentos e noventa e quatro, mas acho que são divisões a mais para tão poucas janelas.

Enfim, cada um saberá da luminosidade que necessita para viver e há até quem prefira a luz artificial, mas ainda assim aflige-me pensar no tempo necessário para a limpeza de tantos quartos.

Cabelos emigrantes

Novembro 18th, 2010

Eu sempre fui um sítio mau para os meus cabelos viverem.

Nos primeiros anos tratei-os sempre com desdém, ignorei-os, raramente os penteei, suei-os até à exaustão e sujeitei-os a alguns puxões, por entre brincadeiras.

Acho que foi aí que começou a sua revolta, e de tão mal tratados resolveram deixar de me obedecer.

Quando lhes comecei a querer dar forma já era tarde demais, já tinham vontade própria.

Comecei então a subjugá-los à minha vontade, com recurso a químicos durante a adolescência, primeiro com toneladas de gel, depois com tufões de laca, de tudo fiz para os moldar coercivamente.

Como perdia muito tempo com isto e não conseguia um resultado minimamente satisfatório, parti para a radicalidade e comecei a cortá-los rente.

Primeiro não os deixava crescer mais do que três centímetros, depois dois, depois um, até que a ameaça do pente zero se tornou uma realidade.

Foi aqui que a vida para os meus cabelos se tornou verdadeiramente insustentável, e terá sido então que decidiram começar a emigrar.

Consciente desta realidade optei por abrir as fronteiras, e evito até usar bonés  nos últimos tempos, para que eles possam partir à vontade, sem barreiras, para o início desta aventura em busca de um futuro melhor em novas cabeças.

É notório o abandono massivo da minha população capilar nos últimos anos, e suspeito que já não vá a tempo de criar condições para o seu regresso – não sei sequer se me apetecia -, por isso só lhes posso desejar boa sorte na diáspora e pedir-lhes que vão dando notícias aos que cá ficam, que são cada vez menos e mais envelhecidos.

Fim de semana a enfrascar

Novembro 8th, 2010

Passei grande parte deste fim de semana a enfrascar, primeiro no sentido figurado e depois literalmente.

O primeiro contexto foi francamente mais divertido, a enfrascar com amigos num jantar regado também de muitas memórias, cumplicidades, bom humor e muita música.

Acaba-se por ficar com o cérebro dormente, a visão meio turva e a língua  ligeiramente encaracolada, mas com a alma cheia e o depósito de saudades descarregado, pelo menos por agora.

O segundo contexto foi muito mais trabalhoso, porém mais produtivo, a ajudar a minha mais que tudo e a sua companheira de criação de sabores a enfrascar (neste caso quer mesmo dizer “pôr algo dentro de frascos”) quase trezentas unidades de doce de castanha com laranja, com parte do resultado a ser visível na fotografia abaixo.

Ficaram bonitos por fora, mas é no interior que reside todo o esplendor desta nova criação da Mão de Borboleta, posso-vos garantir.

Comboio errado

Outubro 27th, 2010

E se um desconhecido de repente entrar num comboio no Entroncamento, com direcção ao Porto, mas a pouco mais de meio da viagem o revisor lhe informar que se enganou e está quase a chegar a Lisboa?

Isso é im… becilidade!

É um cenário que dá a sensação de se ser protagonista de um reality show que se poderia chamar “O Vexame de Aselhas”, onde se é apanhado na maior nequice possível e desmascarado com ironia, como neste caso em que o revisor sugere que “se dirija à bilheteira em Vila Franca de Xira para trocar os bilhetes, e aproveite para perguntar se vendem bússulas”.

Felizmente ainda não cobram pela quantidade de aselhice extra carregada pelos passageiros, porque senão esta pessoa  – que obviamente não será aqui identificada – tinha saído dali depenada.