1 mês!

Dezembro 16th, 2011

O que é bom passa muito rápido, já sabia, mas desta vez estou surpreendido com a velocidade da coisa.

O nosso filhote já tem um mês!

Parece uma fralda humana de atenção e tempo, de tal forma é absorvente, mas fá-lo com uma fofura que derrete qualquer pedaço de iceberg resistente ao aquecimento global.

É engraçado ver o massivo impacto que tão pequenino ser tem na vida de dois adultos.

Por exemplo, já não regemos o nosso quotidiano por minutos ou horas, mas sim por mamadas.

Tudo gira à volta do ritmo das mamadas dele, de tal forma que estamos a pensar substituir o horário afixado com um íman ao frigorífico por um inovador mamadário.

Mas as inovações não ficam por aqui.

Estamos a desenvolver soluções de maximização de eficácia e eficiência na mudança de fraldas, roupa e banho ao menino que poderão um dia servir de base para  linhas de montagem nas mais modernas fábricas do nosso país.

Com o alargamento das novas oportunidades ao ensino superior, estas competências adquiridas ainda nos vão dar o grau de engenheiros de produção ou gestão industrial.

Os milhares de quilómetros a empurrar carrinhos de compras nas grandes superfícies deram os seus frutos, e por isso hoje exibimos com garbo uma destreza digna de nota no manejo do veículo onde transportamos o nosso bebé.

Está por isso a ser uma fase extremamente positiva das nossas vidas, muito exigente, mas extremamente gratificante.

Em suma, 55cm e 4,550kg de menino lindo, lindo lindo, que nos enche de orgulho e de felicidade.

Olhó Natal!

Dezembro 2nd, 2011

Hoje ouvi algo esquisito na porta de entrada, um som baixinho a lembrar o azevinho a arranhar a madeira, mas sem as bolinhas.

Fui ver quem era e para meu espanto quem encontro?

O Natal.

Exclamei logo “Olhó Natal!”, surpreso, porque tenho andado tão focado noutras coisas que nem me lembrei que já era alturinha dele chegar.

Na volta ainda passou muito tempo lá fora, mas é bem feito.

Para a próxima que toque à campainha, se não quer apanhar frio, que é como fazem os senhores da MEO e da ZON.

Era bom que o Natal se inspirasse nestes senhores, porque assim havia rabanadas mais ou menos uma vez por semana.

De qualquer das formas, recebo-o com muito mais alegria do que a  essas testemunhas do audiovisual e por isso deixei-o entrar de imediato, com um grande abraço.

Brindamos com um shotezinho de espírito natalício quentinho que ele tinha trazido (colheita deste ano, muito boa, uma espécie de Barca Velha do espírito natalício, que não aparece todos os anos com esta qualidade), vimos o menino e adoramo-lo (como já vem sendo comum cá em casa, de há quinze dias para trás) e então parece que estamos oficialmente natalizados cá em casa.

Mas, como não podia deixar de ser, Natal não é Natal neste blogue sem o já tradicional sketch de abertura de festas, que não me canso de ver e que deixo aqui outra vez.

Bom Natal meus amigos!

O nosso pintainho

Novembro 23rd, 2011

Ando há pouco mais de uma semana para escrever aqui, já que sobejam informações e emoções merecedoras do maior destaque.

No entanto, só hoje consegui um pequeno espaço emocional e temporal que mo permitisse fazer, depois de uns dias cheios de aprendizagem, descoberta e muita, muita felicidade.

15 de Novembro foi o dia em que deixei ficar o bloco de notas no bolso, virando todas as atenções para outro bloco, o de partos, onde veio ao mundo o nosso pintainho.

Foi um dia que acumulou as horas de dois, já que o sono se esfumou no embalo daquela coisa pequenina, perfeitinha, cheia de fragilidades mas catalisadora de uma esperança e alegria sem fim.

Vai-se o sono, vai-se o comodismo, vai-se a preguiça, vai-se para sempre o Eu.

E vão muito bem, porque esse espaço foi preenchido por uma imensa vontade de abraçar, embalar, falar, ajudar, ensinar, fazer rir, apoiar sem parar, continuadamente, sem esforço e com a maior das entregas, de alma cheia e o coração em brasa, quentinho e radiante.

Já tive muitos momentos marcantes na vida, muito especiais e irrepetíveis, mas nada comparável à emoção de ver aqueles olhinhos pela primeira vez, sentir o seu respirar rápido e de o adormecer junto ao peito, servindo-lhe de alcofa, apaziguando toda a agitação que com certeza sentiria perante algo tão novo para ele.

E a mãe.

O imenso orgulho nela no final destes nove meses de gestação.

A certeza reforçada de que é a tal.

O prazer de a sentir plena na sua maternidade.

Linda!

Depois vem o olhar embevecido que se partilha.

O primeiro contacto conjunto com o fruto do nosso amor, que traz ainda mais sentido a este projeto de vida, que o valida e solidifica.

O primeiro abraço de família a três, em que parece que confetis de magia nos envolvem numa concha protetora em que somos só nós, nada mais interessa e em que, por breves minutos, temos a certeza de que nada nos vais parar se nos mantivermos assim, juntos e com todo este amor.

A realidade tem tendência a esconder a poesia do momento, é certo, mas o importante é reter esse instante dentro de nós, porque é essa base que nos dará força para superar as dificuldades, que nos trará o alento no final dos dias mais difíceis, que nos motivará a atingir objetivos superiores.

Estou feliz, radiante mesmo, confiante de que estamos preparados para esta missão, seguro de que o nosso pintainho tem o que é preciso para ser feliz e que o futuro lhe sorrirá.

Sinto-me um privilegiado também por poder contar com todos os que têm estado ao nosso lado neste momentos.

Uma família pequena em número, mas enorme em amor, entreajuda e partilha, que agora tem mais um pequeno elemento para a tornar ainda mais especial e imprescindível.

Amigos, com A maiúsculo,  que estão sempre lá, que incentivam, apoiam, torcem por nós a todos os momentos.

Por tudo isto, tenho a certeza que o dia de amanhã só pode ser solarengo.

Agora vou mudar uma fralda, que o porão já deve estar cheio.

Já volto, assim que seja possível.

 

 

 

 

Arroz de miúdos

Outubro 13th, 2011

Ontem puseram-me em cima da mesa um arrozinho de miúdos.

Devo-vos dizer que foi muito bom, apesar de ter sido difícil acabar com aquela brincadeira.

É todo um festim que se espalha livremente pelo prato fora, numa espécie de jogo do gato e do rato que culmina em foguetins de sabor apurado, num ciclo que dá vontade de nunca quebrar.

Ainda por cima calhou-me um daqueles bem malandrinhos, que não pára quieto, o que cria dificuldades acrescidas a toda a operação degustativa.

Só lhe faltava mesmo pôr a língua de fora e cantar “nããão meee apaaanhas! nhé nhé nhé nhé nhé nhé” enquanto fugia a esconder-se por debaixo do garfo.

Esta malandrice, dá-me, porém, ainda mais gozo no momento da ingestão do dito arroz.

Pelo prazer que emana das palavras acima já depreenderam com certeza que sou aquilo a que se pode chamar um “pedourmet”, ou seja, um pedófilo gourmet, alguém que gosta de comer miúdos no seu arroz.

Se for com sangue, melhor ainda.

Sei que há muita gente que só de pensar neste tipo de pratos tolhe imediatamente a boca, transformando-a num pequeno esfincter tolhido, e franze o nariz até chegar com ele ao centro dos olhos, mas que querem que vos faça?

Se estivéssemos a falar de algo servido por um gigante que tivesse surpreendido miudagem humana na sua despensa, à procura de um saco de feijões mágicos , e que os tivesse castigado atirando-os para a panela onde cozinhava arroz, aí sim, ainda podia ter uma pitada de sentimento de culpa.

Mas assim não.

Assim saí do restaurante muito consoladinho!

De gigante, no final desta estória, além do prazer só mesmo a barriga e o sono.

 

Mais uma primavera, a mais feliz de todas

Maio 30th, 2011

Ora cá está mais uma primavera, mas esta é festejada com mais felicidade que nunca.

Os festejos de aniversário podem ser paradoxais, na medida em que assinalam o facto de estarmos com as peças mais envelhecidas e gastas.

Não me recordo de ver ninguém regozijar-se pelo seu carro já ter mais um ano, aliás, bem pelo contrário.

Mas eu festejo o meu aniversário com alegria porque tenho o privilégio de estar rodeado de gente muito boa, uma família inadjectivável, que me fez o homem que sou e a quem tudo devo, amigos incomparáveis, presentes em todos os momentos, e estou inserido num grupo de trabalho onde me sinto bem e concretizado.

Com o passar dos anos, felizmente, vai aumentando o rol de pessoas fantásticas que me rodeiam e que dão sentido à minha vida, e por isso a felicidade cresce proporcionalmente.

Mas este ano estou particularmente feliz, porque festejo o meu aniversário sabendo que estou prestes a concretizar um sonho, esperando pela chegada de mais uma pessoa que será, com toda a certeza, excepcional: o meu primeiro filho.

E se os passarinhos chilreiam na primavera, imaginem a chilreadeira que vai neste coração!

Esta foi a prenda que recebi logo pela manhã das mãos da minha maravilhosa mulher, uma t-shirt que poderá servir de babete daqui a uns meses.

Para o pai, não para o filho, porque desconfio que a quantidade libertada justificará que me dedique à exportação de baba, para ver se ajudo a equilibrar a nossa balança comercial.

A imagem parece querer simbolizar a minha pessoa a chocar um ovo, mas eu não sou pessoa que goste de chocar ninguém, e por isso limito-me a acarinhar uma barriga linda aguardando serenamente por esse dia tão especial.

Estou muito feliz e por isso decidi partilhar aqui esta felicidade com todos os que normalmente lêem as minhas escrevinhices e deixar um beijo e um abraço muito grande a todos.