Adepto vibrante, mesmo sozinho

Fevereiro 22nd, 2010

Ontem, por circunstâncias várias, vi um jogo de futebol com uma intensidade e carga emocional acima da média numa sala de restaurante vazia, completamente sozinho.

Gostava de ter filmado a cena.

Um tipo sozinho numa sala gigantesca a olhar para uma televisão, embrenhado e entregue a um jogo que o leva a levantar-se e sentar-se várias vezes, a gritar constantemente com o aparelho televisivo, a dar instruções para dentro do campo, a chamar nomes aos vários participantes do jogo quando as intervenções não são do seu agrado, a encorajar os atletas e a soltar palavras de incentivo nas boas iniciativas, a criticar cada lance como se fosse capaz de fazer muito melhor, a esticar-se para ver se com a pontinha do sapato mete a bola tentando com isso ajudar o verdadeiro jogador, a vibrar intensamente, como se estivesse dentro do estádio e a comemorar efusivamente cada golo, com direito a pulos e braços no ar e todo o folclore natural nessas ocasiões.

É um espectáculo digno de ser visto.

Apercebi-me disso porque a sala fazia eco e havia o meu reflexo nos vidros, portanto eu ia acompanhando a minha própria performance com alguma estupefacção.

Tolinho, dirão muitos.

Apaixonado, digo eu, por um desporto que sinto e vivo desde muito pequenino de uma forma muito intensa.

Cursebird

Fevereiro 17th, 2010

Hoje é um dia em que, infelizmente, me apetece deixar vencer pela pornolalia e dizer um batalhão asneiras, usar todo o vernáculo ao meu dispor e disparar em voz alta uma enfiada de obscenidades rasteirinhas, para ver se afasto a onda de tristeza e negativismo, que notícias más que surgiram durante a noite de ontem e a manhã de hoje me trouxeram.

Eu acho que o palavrão pode ser catártico, e qualquer dia aprofundarei mais este tema, mas hoje não estou em condições de desenvolver grandes teorias socio-filosóficas.

Apetece-me só passar à acção de os dizer, mas como o pudor me impede de o fazer on-line e publicamente, vou-vos poupar a este chorrilho de palavrões que me perpassa os neurónios, podem ficar descansados.

No entanto, se quiserem ler asneirada da grossa, deixo aqui o link de um site que monitoriza o uso de palavrões no Twitter, e os expõe em tempo real, fazendo até um curioso gráfico com as palavras preferidas dos praguejadores cibernéticos.

O sucesso é tanto que até já tem um seguidor em língua portuguesa, que podem encontrar aqui, se preferirem a verborreia lusófona.

Apesar de haver alguns pontos de contacto (ou coincidências se preferirem) entre esses dois sites e este, asseguro-vos que desta vez não tenho nada a ver com isto, ok?

Novo ninho

Fevereiro 5th, 2010

Hoje é dia de mudança de ninho, já que este blogue tem um novo e mais bem apetrechado endereço:

http://ninhodepassaro.com

Para os mais preguiçosos, a boa notícia é que serão automaticamente encaminhados para lá, se caírem no erro de procurar o endereço antigo.

As barbaridades que aqui se costumam escrever continuarão a ser escritas e a palermice fluirá como de costume, portanto os motivos de preocupação e/ou indignação da vossa parte mantêm-se legítimos.

É natural que nos próximos dias ande tudo um bocadinho desarrumado, mas eu vou tratar de organizar o ninho assim que possível.

Quero agradecer à empresa de mudanças virtuais que me ajudou neste processo – Nuno “Esclarecido” Pinto, Transportes e Mudanças Cibernéticas Lda. -, pelo apoio fundamental para que esta alteração fosse feita com sucesso.

Espero que gostem.

A fragilidade

Fevereiro 1st, 2010
Há momentos que revelam toda a nossa fragilidade e que nos fazem reflectir sobre a nossa condição de simples visitantes deste mundo.
Fui informado há pouco do falecimento de uma pessoa que, não fazendo parte do meu círculo mais próximo de amigos, prezava imenso.
Alguém mais jovem do que eu, com uma força de carácter invejável, dinâmico, voluntarioso, rigoroso, dedicado, trabalhador, educado, optimista, solidário, respeitador, honesto, dono de uma saúde admirável e com cuidado constante na manutenção da mesma, um profissional exemplar e um modelo de cidadania.
Dos que fazem cá falta.
Num acidente que não podia evitar, porque não teve culpa de nada, ficou sem vida.
É uma daquelas notícias que nunca esperamos e que mexeu comigo, porque era um homem jovem com muito para dar, porque tinha uma formação pessoal que já não é fácil encontrar, porque sempre teve uma conduta impecável ao longo da vida e por isso não merecia este infortúnio.
Fica um vazio em todos os que tiveram o privilégio de se cruzar com ele em vida e uma revolta interior pela injustiça de um desaparecimento precoce.
Fica também o seu exemplo positivo e a sua força, que marcaram a passagem dele por cá.
E o agradecimento, que sei que não é só meu, pela sua postura exemplar neste percurso entre nós.

Novas habilitações

Janeiro 13th, 2010
Fui alterar a minha morada da carta de condução e fui informado que a nova carta já viria com a indicação da minha habilitação para conduzir veículos do tipo A1, ou seja, veículos de duas rodas até 125 cc.
Como nunca fiz nenhum teste para comprovar as minhas aptidões motards fiquei surpreendido, e acho que só ficou a faltar um cumprimento efusivo do género “Parabéns! Acabou de aprender a andar de mota!”.
Mas não, foi uma informação passada muito a frio, sem emoção.
Acho muito injusto que ninguém tivesse tido a iniciativa de me informar que eu sabia andar de mota há mais tempo.
Já viram se eu estivesse à espera que a carta caducasse?
Só em 2042 é que ia ficar a saber que tinha aprendido a conduzir um veículo de duas rodas.
Seja como for, fiquei contente, até porque eu até sei andar (mesmo) de mota e pode dar jeito.
É espantosa a facilidade com que agora se adquirem habilitações, sem nos fazerem qualquer tipo de teste.
Quer dizer que o Estado anda atento às nossas capacidades, nos reconhece competências e é pró-activo na oficialização das mesmas.
Estou tentado a ir pedir um novo certificado de habilitações à Universidade, para confirmar se andam de facto atentos e se me presenteiam com uma pós-graduação ou um doutoramento.
Nunca se sabe!