Salsifré

Setembro 27th, 2011

Salsifré é uma palavra que eu aprecio, porque junta numa só expressão duas coisas que me dizem muito.

A salsa é um condimento que aprecio bastante.

Há quem a prefira dançada, mas para mim a sua utilização por cima de um bacalhau à brás, por exemplo, é aquilo que lhe faz ganhar a sua máxima expressão, é assim que tem realmente valor.

Fré é para mim muito importante também, já que é a segunda palavra que aprendemos quando entramos na universidade, logo a seguir a Frá, e portanto invoca lembranças dessa época.

Ora, uma palavra que junta um condimento de generoso paladar com as memórias dos belos tempos de instrução na universidade só pode resultar em música para os meus ouvidos, e daí eu achar que a deva utilizar mais vezes.

Quando gostamos muito de uma palavra, acho que faz sentido fazer um esforço para a utilizar mais, experimentando pô-la noutros contextos para além daqueles em que normalmente as usamos.

Sendo assim, se doravante me ouvirem dizer “esta coisa causa-me salsifré”, “parece que tenho um salsifré dentro do peito” “isto está muito salsifré” ou “és salsifré para mim”, devem entender que estão a obter uma reacção muito positiva da minha parte e não que estou a ter um discurso incoerente, amalucado ou estúpido.

Estamos combinados?

Não ficam a pensar que estou bêbado ou a ter convulsões ao nível do meu armazém vocabular?

Muito bem.

Então tenham um dia salsifré, e até uma próxima oportunidade.

Limbo de fim de ano

Dezembro 29th, 2010

O Limbo poderá ter várias definições, sendo que uma delas é a de que se trata de um espaço transitório, algo semelhante, numa versão simplificada, a este que vivemos entre o Natal e a passagem de ano, em que tudo está aberto mas nada está verdadeiramente a funcionar, porque estamos num período indefinido que é comummente designado por “festas”.

Há até quem teimosamente continue a desejar ao longo desta semana “boas festas!” a quem se cruza consigo, sem se aperceber que uma das festas já passou, e que portanto deveriam rectificar esses desejos para um simples “boa festa!”.

Outra definição para a palavra Limbo, está associada a uma dança/coreografia/dinâmica de grupo/jogo (parece um código de barras), em que um grupo de pessoas se dispõe em fila perante uma fasquia com o intuito de, um a um, conseguir passar por baixo dela sem a derrubar e sem se desequilibrar, podendo tocar no chão somente com os pés.

É um movimento complicado, onde a dificuldade aumenta à medida que o tempo passa, baixando-se a fasquia gradualmente.

Parece-me que esta é uma boa imagem para ilustrar o País no final deste ano, vergado perante uma fasquia que baixa muito rapidamente, tentando uma manobra de contorcionismo dificílima para não cair e mantendo o esforço de passar para o outro lado sem tocar com as mãos no chão.

Do outro lado está a esperança de um futuro mais folgado, em que se poderá eventualmente andar de cabeça erguida e restabelecer o equilíbrio natural de que tanto necessitamos.

Este é o meu último post deste ano, por isso o aproveito para desejar que cada um de vós consiga, na medida do possível, passar mais uma fase deste Limbo com agilidade, equilíbrio, rapidez, dedicação, entreajuda e graça.

Vemo-nos em 2011, de pé, com força nas pernas e com muito optimismo.