PEC?

Março 9th, 2010

Eu acho que as pessoas à vezes pecam por não especificar melhor de que é que estão a falar.

Um bom exemplo desse pecadilho linguístico, é utilização da sigla PEC, porque podemos estar a falar de muitas coisas diferentes: do Programa de Estabilidade e Crescimento, do Pagamento Especial por Conta, de uma Prova Especial de Classificação, do Programa de Estudos Comparatistas, da revista Psicologia Educação Cultura ou de um Plano Estratégico de Comunicação, entre outros.

Isto pode gerar alguma confusão, porque se de repente alguém começar a interpretar o relato de uma Prova Especial de Classificação de um qualquer rallye como sendo a avaliação do Programa de Estabilidade e Crescimento, ninguém se entende.

E se alguém comentar um artigo da revista Psicologia Educação Cultura e o interlocutor pensar que essa pessoa está a falar de um artigo relativo ao Pagamento Especial por Conta?

Vai dar confusão de certeza.

Imagine-se então se alguém começa a falar do Gregory Peck ou se com um sotaque manhoso mencionam um pack de cervejas ou a Tetra Pak?

Aí então é que está definitivamente lançado o caos interpretativo.

Se calhar só a mim é que me faz confusão.

Talvez  seja por eu ser um bocadinho peco.

Fumar é uma burrice

Fevereiro 26th, 2010

Sempre me disseram que fumar é uma verdadeira burrice.

Que faz mal à saúde, que provoca cheiros incomodativos e que é um vício dispendioso, são os argumentos mais apresentados pelos defensores da causa anti-tabágica.

Mas um recente estudo do exército israelita, dá um argumento muito mais poderoso.

Segundo o estudo (cuja amostra é constituída por 20.000 mancebos), os fumadores têm um coeficiente de inteligência mais baixo do que os não-fumadores.

Mais ainda, conclui-se também neste estudo que, quanto mais se fuma, piores resultados se obtém nos testes que medem a inteligência.

Depois  de 15 anos de burrice completa é bom ver que a ciência, ao menos ela, me reconhece o recente incremento de inteligência.

Isso quer dizer que todas as medidas anti-tabágicas mais não são do que o reforço das políticas de formação e educação nacionais.

Deve ser por isso que é proibido fumar nas escolas e nas bibliotecas!

Não sei se é permitido fumar no parlamento, mas sendo assim acho que não devia, mas a propósito… é de mim ou o nosso primeiro-ministro fuma?

Cursebird

Fevereiro 17th, 2010

Hoje é um dia em que, infelizmente, me apetece deixar vencer pela pornolalia e dizer um batalhão asneiras, usar todo o vernáculo ao meu dispor e disparar em voz alta uma enfiada de obscenidades rasteirinhas, para ver se afasto a onda de tristeza e negativismo, que notícias más que surgiram durante a noite de ontem e a manhã de hoje me trouxeram.

Eu acho que o palavrão pode ser catártico, e qualquer dia aprofundarei mais este tema, mas hoje não estou em condições de desenvolver grandes teorias socio-filosóficas.

Apetece-me só passar à acção de os dizer, mas como o pudor me impede de o fazer on-line e publicamente, vou-vos poupar a este chorrilho de palavrões que me perpassa os neurónios, podem ficar descansados.

No entanto, se quiserem ler asneirada da grossa, deixo aqui o link de um site que monitoriza o uso de palavrões no Twitter, e os expõe em tempo real, fazendo até um curioso gráfico com as palavras preferidas dos praguejadores cibernéticos.

O sucesso é tanto que até já tem um seguidor em língua portuguesa, que podem encontrar aqui, se preferirem a verborreia lusófona.

Apesar de haver alguns pontos de contacto (ou coincidências se preferirem) entre esses dois sites e este, asseguro-vos que desta vez não tenho nada a ver com isto, ok?

Quem quer alheira?

Fevereiro 15th, 2010

Já aqui falei anteriormente do estranho fenómeno de dar aos alimentos sabores que não lhe são característicos, mencionando nessa altura o exemplo das batatas fritas.

Quem fala das batatas fritas poderá também falar dos sumos com sabores cada vez mais originais, descobrindo os méritos do Gingko Biloba, da Erva-mate ou do Hibisco, e de outro tipo de produtos que preserveram na introdução de sabores que fujam ao tradicional.

Mas o que constatei este fim-de-semana é que já se foi mais longe um bocadinho nessa demanda de sabores originais e isso já afectou as tão tradicionais alheiras transmontanas.

Com muita surpresa encontrei – e adquiri para prova porque fiquei curiosíssimo – numa grande superfície comercial, alheiras de bacalhau, presunto, broa de milho, marisco, vegetariana e – a mais surpreendente – pato com laranja!

Fiquei com vontade de sugerir também a alheira de porco preto e de leitão da bairrada, que também devem dar produtos muito bons, mas já que estamos numa de originalidade, porque não fazer ementas regionais integralmente adaptados ao contexto “alheiral”?

Para abrir o apetite deixo a sugestão da ementa minhota composta por uma alheira de caldo verde, seguida de uma alheira de arroz de lampreia para primeiro prato e uma alheira de rojões à moda do Minho acompanhados por uma alheira de papas de sarrabulho como segundo prato.

Para terminar, fechar em beleza, com uma alheira de pudim abade de Priscos ou uma alheira de laranjas de Amares.

Tudo isto bem regado com uma alheira de vinho verde da região.

Aproveito para apelar à vossa reflexão sobre a velocidade com que deve ser dita a frase “quem quer alheira?”, porque pode adquirir uma sonoridade que dê origem a trocadilhos fáceis e brejeiros, que poderão não se coadunar com os valores defendidos por este blogue.

Agora mete-se o Carnaval…

Fevereiro 12th, 2010

Esta semana comecei a promover um evento que implicará instituições portuguesas e espanholas.

Ao longo dos contactos que estabeleci deparei com duas situações que nos identificam e diferenciam enquanto povo.

Quando liguei para Espanha e pedi para falar com o responsável pela instituição deram-me imediatamente o contacto pessoal do responsável, informando tratar-se do Miguel, da Sara, da Susana, ou outro nome próprio qualquer, e disseram-me ainda o horário mais aconselhável para os encontrar na instituição (nos casos em que eles estavam lá, passaram-me imediatamente à pessoa em questão).

Passada essa fase, e depois de entrar em contacto directo com os responsáveis, estes prontificaram-se a analisar a situação e dar uma resposta com a maior brevidade possível, e agradeceram o contacto.

Cá em Portugal ninguém me deu o contacto directo dos responsáveis, deram-me um e-mail geral para eu enviar o projecto, ao cuidado do Dr. não-sei-quê ou da Eng. não-sei-que-mais.

Pelos vistos cá em Portugal não temos ninguém com um nome que não seja precedido de um título e que tenha menos de dois nomes.

É um país de gente muito importante, onde nunca foi possível o contacto directo.

Tão importante que num segundo contacto tentando obter feed-back, além de voltar a não ser possível falar directamente com o responsável, foi quase unânime que só no final da próxima semana é que os doutores e engenheiros portugueses analisariam a situação porque… agora mete-se o Carnaval!

Agora mete-se o Carnaval?!?!

Desde o início da semana?

E na próxima semana, como vai ser?

“Pois não foi possível ver nada sabe? É que meteu-se o Carnaval e de maneiras que está tudo um bocado atrasado… e depois mete-se a Páscoa e o 25 de Abril… é uma chatice… não pode telefonar lá para Maio, depois do Dia do Trabalhador? Talvez o senhor doutor já tenha lido o e-mail nessa altura?”.

Os pretextos para adiar as situações são tantos que qualquer dia, para poupar trabalho, é natural que se comece a usar só uma gravação anual que diga “Pedimos desculpa, mas agora mete-se o ano de 2010 e vai ser difícil dar seguimento a esse assunto… não se importa de ligar para o próximo ano? Pode ser que aí o senhor engenheiro possa atender.”