Professores a concurso

Setembro 19th, 2012

Nos Estados Unidos da América é habitual ouvir relatos de milhares de pessoas em fila de espera por um lugar de ator, cantor ou modelo.

É o sonho americano do estrelato e da fama, que faz com que muita gente para lá emigre, alimentando esse sonho através do recurso a trabalho temporários como empregadas domésticas, entregadores de pizza ou caixas de supermercado.

Por cá é a mesmíssima coisa… mas com os professores.

Longas filas de professores não colocados, percorrendo castings de norte a sul, na esperança de conseguir esse lugar de sonho, disputado por tantos.

À imagem daquilo que se passa no outro lado do Atlântico, também por cá as produtoras televisivas se preparam para lançar reality-shows com base na concretização desse objetivo de vida de milhares de pessoas em Portugal.

“Casa dos Professores”, “Então tens a mania que sabes ensinar?” ou “Olhe que não sôtor!” são títulos possíveis para este concurso.

Aqui os professores terão a oportunidade de mostrar todas as suas capacidades, começando por um esquema de seleção semelhante ao Ídolos, onde quatro jurados de reconhecido valor escolherão os finalistas candidatos a professor.

Os quatro jurados serão uma mescla representativa do universo estudantil português: um marrão sem vida social, um delinquente juvenil sem qualquer nota positiva no último ano letivo e menos de 10% de frequência às aulas, uma adolescente viciada em telemóveis e tablets e um político, ou equivalente.

Por ser mais popular, ter mais criatividade e espontaneidade nas frases e representar um franja estudantil em crescimento, o presidente do júri será o delinquente juvenil.

Ao longo do concurso os candidatos a professor enfrentarão os mais diversos desafios.

Preenchimento exaustivo de relatórios, desenvolvimento de atividades extra-curriculares, pelotão de enxovalhamento, batalhão de pais irados, fuga ao gang e caminhada pós-esvaziamento de pneus, são alguns exemplos de provas a superar.

O vencedor levará para casa uma prestigiada função de professor, com a validade de um ano, numa escola perto do Bairro do Alto da Cova da Moura, um colete anti-bala, um vale de dez consultas com o professor Bambo, um estojo de primeiros socorros e um passe social.

Um luxo!

Preço Certo

Março 18th, 2010

A vida tende a ser cada vez mais complicada para os concorrentes de O Preço Certo em Euros.

E porquê? Perguntarão vocês sedentos de uma teoria válida que sustente esta afirmação.

Desta vez não há teoria, há uma constatação.

Perdeu-se definitivamente a noção de preço certo, justo, normal ou tabelado, sendo prática comum a inflação artificial dos preços para apresentar, logo à primeira, um grande desconto que invalide ou dificulte qualquer tipo de negociação.

Antigamente era difícil chegar a um desconto, era uma excepção diminuir o preço de tabela, uma forma de prémio ou reconhecimento da importância do cliente, que advinha geralmente de uma relação continuada no tempo ou de uma negociação mais ou menos intensa, mas as coisas já não são como eram.

Ao longo das últimas semanas temos recebido na empresa muitos orçamentos de um determinado sector de serviços, que consultamos pela primeira vez, onde nos dão o valor de tabela, sempre acompanhado do devido desconto comercial.

O valor mínimo de desconto que nos atribuíram foi de 45% logo à primeira abordagem (num telefonema para discutir este orçamento foi-nos informado imediatamente que também neste caso ainda haveria muita margem para baixar o preço), tendo havido muitos valores intermédios de desconto imediato, mas terminando com um fabuloso orçamento onde, sem conhecerem a empresa ou a pessoa que lhes pediu o orçamento de lado nenhum, nos deram um desconto  instantâneo – concerteza simbólico e sujeito a negociação – de uns modestos… 91%!

Assim é mesmo muito difícil saber exactamente qual é o preço real das coisas e uma façanha cada vez maior acertar no valor da montra final, não acham?