“Alegre” despertar

Agosto 20th, 2012

Uma bela manhã da semana passada acordei ao lado de um homem.

Nada de arrepiar, não fosse o facto de a minha cabeça repousar sobre o seu corpo, sugerindo uma intimidade que eu não estava preparado para aceitar.

Os nossos olhares cruzaram-se na torpidão do despertar, sendo indisfarçável o desconforto mútuo e a pergunta latente, não verbalizada por nenhum dos dois: como é que chegamos a esta situação?

Os seus cabelos grisalhos e as mãos calejadas sugeriam uma educação à moda antiga, onde o contacto entre homens se evita a toda a força.

A timidez com que me olhou, de forma algo paternal, deixou-me com a sensação de que para ele também era a primeira vez.

Confesso que me atrapalhei e fiquei sem reação por uns instantes.

Levantei-me num movimento brusco, limpei a saliva que me escorria da boca e olhei o infinito à procura de respostas.

Como irei explicar à minha mulher e ao meu filho o que acabou de acontecer?

De que forma este acontecimento afetará as nossas vidas?

A que tipo de doenças terei ficado exposto?

Ainda não tenho resposta para tudo, mas de uma coisa tenho a certeza: terei muito mais cuidado da próxima vez que fizer uma viagem de comboio com início às seis da manhã, para não voltar a adormecer no ombro de um estranho qualquer.

Comboio errado

Outubro 27th, 2010

E se um desconhecido de repente entrar num comboio no Entroncamento, com direcção ao Porto, mas a pouco mais de meio da viagem o revisor lhe informar que se enganou e está quase a chegar a Lisboa?

Isso é im… becilidade!

É um cenário que dá a sensação de se ser protagonista de um reality show que se poderia chamar “O Vexame de Aselhas”, onde se é apanhado na maior nequice possível e desmascarado com ironia, como neste caso em que o revisor sugere que “se dirija à bilheteira em Vila Franca de Xira para trocar os bilhetes, e aproveite para perguntar se vendem bússulas”.

Felizmente ainda não cobram pela quantidade de aselhice extra carregada pelos passageiros, porque senão esta pessoa  – que obviamente não será aqui identificada – tinha saído dali depenada.