Paraíso celular

Outubro 19th, 2010

Os carros celulares devem chamar-se assim porque alguém se apercebeu que os telefones celulares são uma prisão medonha e resolveu adaptar o conceito.

Se a bandidagem se apercebe disso vão começar a cair antenas retransmissoras de rede das operadoras de comunicações nos dias de transporte de presos para o tribunal.

Hoje em dia é mais penoso ficar umas horas sem telemóvel do que ser enviado para um ilha de gelo à deriva no Pólo Norte durante um ano.

Existem ajudas para deixar de fumar, para deixar de beber ou para deixar as drogas, mas a dependência do telemóvel é muito mais complicada de largar, é muito difícil alguém deixar de se telemobilizar porque a profissão e até os próprios amigos incentivam a esta prática.

Adão e Eva viveram no Paraíso porque podiam andar semi-despidos sem se sentirem nus porque se esqueceram dos telemóveis em casa.

As maçãs também eram boas, mas a vida sem telemóveis, isso sim, era qualidade de vida.

Governo acusado de tráfico de insuficiências

Outubro 15th, 2010

Fonte anónima fez a denúncia e a PJ começou imediatamente a investigação sobre um suposto tráfico de insuficiências levado a cabo por membros do Governo.

A acusação de alegadamente usar as suas próprias insuficiências decisórias, a par de insuficiências curriculares, de experiência, competência, responsabilidade e até mesmo de honestidade, transformando-as em enormes insuficiências económicas, sociais e culturais no País, caiu como uma bomba entre os deputados da Assembleia da República.

Apesar de ainda não haver uma posição oficial de São Bento relativamente a este caso, o Ninho de Pássaro sabe, através de fonte colocada no jardim do Primeiro-Ministro, junto a umas sebes que lhe dão um ar bucólico, que este ordenou a criação de uma comissão de inquérito para averiguar com detalhe o significado de “tráfico” e seguidamente de “insuficiências”.

Entretanto, ao que o Ninho de Pássaro teve oportunidade de apurar, a PJ teme que o caso venha a ser arquivado por insuficiência de provas.

Tarzan terrorista

Setembro 8th, 2010

Tarzan é uma daquelas personagens míticas, de que temos memória desde tenra infância, mas eu desconfio que ele, por baixo de uma capa de ingenuidade, coragem e ajuda ao próximo, sempre escondeu o seu maléfico alter ego de terrorista islâmico.

Aquele cabelo comprido, os trajes rasgados e a selva que o escondem, como se um guerrilheiro fosse, os gritos desesperados que anunciam que se vai lançar e que se assemelham a A…Aaaa… Aaallah, sempre me deixaram com a pulga atrás da orelha, o que é muito incómodo, principalmente durante uma ressonância magnética.

O facto de ter sempre a barba aparada, indicia que ele tinha utensílios de corte escondidos, mas não os usava no cabelo para disfarçar e não levantar suspeitas, aproveitando-se dessa tranquilidade para cortar lianas e rechear cocos com pimenta polvorosa e pirilampos, para depois os atar à cintura e usar nos eventuais ataques suicidas.

Mais evidente ainda – e vejam lá se isto não o denuncia por completo – era ajudado pela macaca Shiita!

E mais não digo.


Mr. Potato Head

Setembro 6th, 2010

A madrugada de sábado para Domingo trouxe mais um forte sinal da minha velhice latente.

Ao espreguiçar-me a meio da noite consegui fazer a proeza de pôr um músculo da perna a saltar – o gémeo da perna direita – como se fosse dar uma voltinha nocturna para fora do meu corpo, com a respectiva dor associada a fazer-se notar agudamente.

Consegui conter o enorme grito de dor que buzinava junto do meu sistema nervoso central, prontinho para sair com toda a força, enquanto esperneava simultaneamente para alongar o músculo, sempre com o máximo cuidado para não perturbar o sono da minha mais que tudo, numa notável performance plena de concentração e sincronismo.

Estou numa fase da vida em que pareço a versão humana do Mr. Potato Head, com as peças a saltarem para fora do corpo como se dissessem “não quero brincar mais contigo”.

Sou um bocado teimoso, e preservador dos meus amigos de brincadeira de toda a vida, portanto vou tratando de as voltar a pôr no sítio, pelo menos para já, enquanto vou podendo.

Claro está que tenho que remediar com as peças que vou tendo, remendado-as, e assim se calhar arrisco-me a ficar parecido com aqueles trabalhos toscos de colagens de papel que fazia na primária.

É aí que reside a enorme vantagem do bonequinho em relação a mim, porque é mais fácil trabalhar o plástico do que os tecidos humanos, e portanto ele arranja peças suplentes que se ajustam na perfeição ao seu corpo, sem dificuldades de maior.

Outra diferença é que ele e as suas  peças devem ter um certificado de qualidade que atesta a sua  fiabilidade, enquanto eu tenho que procurar certificar-me a mim próprio que não faço nenhum movimento brusco provocador de nova lesão.

Pai Tunal

Abril 23rd, 2010

Ainda a propósito do XX FITU Bracara Avgvsta do fim-de-semana passado, ainda não me tinha pronunciado sobre um dos seus pontos altos, a actuação dos fundadores da Tuna Universitária do Minho.

Sendo eles responsáveis pelo nascimento da Tuna, são uma espécie de pais tunais das gerações que se seguiram, e isso fez-me ver que é possível estabelecer uma analogia entre eles e outra figura querida do imaginário de todos nós, o Pai Natal, com a diferença maior a residir no facto de o Pai Natal não existir, mas os “velhinhos” terem provado (como se preciso fosse) que existem e estão em muito boa forma.

Vamos então imaginar uma figura, o Pai Tunal, que representa os nossos valorosos fundadores, e vejamos os paralelismos que podemos estabelecer com o Pai Natal.

Desde logo, salta à vista que são cada vez mais parecidos fisicamente: os cabelos grisalhos do Pai Tunal tendem a ser cada vez mais brancos e a proeminente barriga do Pai Natal já não parece tão grande quando comparada com a do outro actualmente.

Ambos têm também a tendência a distribuir coisas pelos mais novos: o Pai Natal distribui prendas às crianças que se portam bem enquanto o Pai Tunal distribui “cachaços” pelos caloiros que se portam… bem ou mal… não interessa… o que interessa é que o “cachaço” seja dado na devida altura.

O meio de deslocação do Pai Natal é um trenó voador, puxado por renas, mas o Pai Tunal desloca-se de carro, sendo o ponto em comum o facto de  o Pai Tunal ser avistado muitas vezes com uma grande “carroça”.

Os duendes ajudam o Pai Natal nas suas tarefas, enquanto o Pai Tunal tem o fiel caloiro que está lá para executar o serviço físico que ele não pode fazer.

Tanto um como outro gostam de bebidas gaseificadas, optando o Pai Tunal pela cerveja em abundância em detrimento da Coca-cola de que o Pai Natal tanto publicita.

O Pai Natal, diz a lenda, entra pelas chaminés para maravilhar as crianças, o Pai Tunal entra pela parte de trás do palco para encantar o público.

Ambos usam ou usaram pompons, o Pai Natal traz um pompom branco no barrete, e o Pai Tunal já usou um  de côr vermelha no seu traje.

Os pedidos de prendas chegam ao Pai Natal por carta e ao Pai Tunal também se pedem coisas, normalmente músicas, mas das mais variadas formas.

Existem também diferenças, como o facto de o Pai Tunal cantar bem e o Pai Natal só conseguir balbuciar um “oh oh oh”  monocórdico, mas são ambos personagens simpáticas, que gostam de transmitir alegria e é por isso que não nos esquecemos deles.

Um forte abraço aos dois!