Capacete de cabelo

Outubro 8th, 2012

Como andará a vida dos vendedores de laca?

Cada vez vejo menos gente a usar aqueles penteados armados, que fizeram as delícias de gerações mais antigas, e isso deve estar a afetar-lhes o negócio.

A minha memória armazena imagens riquíssimas de autênticos tratados de estruturas capilares, cuja sustentação só era possível com recurso a massivas doses de laca.

Sempre pensei que além dos evidentes benefícios de durabilidade estética, o uso destas armaduras de cabelo poderia substituir a utilização de capacetes, devido à sua rigidez.

No fundo, olho desde a minha infância as senhoras que as usavam como sendo as percursoras do tuning dos capacetes, as pioneiras do protetor craniano personalizado.

Na época que vivemos temos que ser criativos, adaptarmo-nos às necessidades do mercado, e assim sendo este é um caminho que a indústria laqueira devia estudar com mais atenção.

Pensem nos milhares, ou mesmo milhões, de motards, ciclistas e skaters que pagariam com o couro para blindar o cabelo, tornando-o no seu capacete integrado, ultra leve, bonito, único e, acima de tudo, seguro.

O desafio passa pela homologação desta tecnologia, mas tudo se faz quando se está tão cientificamente avançado.

Infelizmente, por efeitos da minha rarefação de crina, não poderei oferecer a cabeça à ciência para testar o produto, mas, meus caros CEO’s dos laquifícios, cá estarei para vos apoiar no que puder na vossa importante investigação e recolher os frutos económicos de tão visionária ideia.

Oficial de Cabeleireiro

Agosto 12th, 2011

Ora cá está algo verdadeiramente surpreendente.

Quando se pensava que já estava tudo inventado no que ao mundo capilar diz respeito, onde se incluem as profissões de barbeiro, cabeleireiro unisexo ou estilista capilar, eis que surge a EPAVE militarizando o sector, através da introdução de uma hierarquia, como se depreende da expressão “Oficial de Cabeleireiro”.

Talvez inspirados pelo filme Oficial e Cavalheiro, em que, sublinhe-se, Richard Gere aparece impecavelmente penteado, os responsáveis da EPAVE dão um novo élan ao manuseamento e desbaste de pilosidade craniana, transmitindo-lhe o charme e o rigor que faltava.

Mas não é qualquer um que chega a Oficial de Cabeleireiro.

Tudo começa com o treino, apelidado de “recurta”, onde aprendem a manejar as armas pontiagudas e de sopro, os rolos de mão, a transportar lacas, a disparar bitaites, a evitar pisar as meninas e a lidar com as brazucas.

Parte importante deste treino debruça-se depois sobre aspectos tecnicamente mais avançados, como estratégia de corte, negociação de vinténs e manobras de parlapiê, que os deixe preparados para enfrentar todo o tipo de cliente, por mais difícl que seja.

O último teste surge na já célebre Semana de Campanha, em que são postos à prova em salões repletos de clientes histéricas, na ânsia de aproveitar os preços invulgarmente baixos que são praticados naqueles dias.

O Baile dos Oficiais finaliza o curso, e aqui, de forma simbólica, os novos Oficiais rapam as gadelhas uns aos outros, atirando-as seguidamente ao ar, em sinal de alegria pelo finalizar de um duro ciclo.

Posteriormente recebem as insígnias de Sargento de Cabelaria, podendo progredir na carreira até chegar a eventualmente a Chefe de Estado Maior – General das Toucas Armadas.

Boa sorte, minhas bravas e meus bravos, nas vossas missões.

O bem estar dos escalpes da Nação depende de vocês!

Cabelos emigrantes

Novembro 18th, 2010

Eu sempre fui um sítio mau para os meus cabelos viverem.

Nos primeiros anos tratei-os sempre com desdém, ignorei-os, raramente os penteei, suei-os até à exaustão e sujeitei-os a alguns puxões, por entre brincadeiras.

Acho que foi aí que começou a sua revolta, e de tão mal tratados resolveram deixar de me obedecer.

Quando lhes comecei a querer dar forma já era tarde demais, já tinham vontade própria.

Comecei então a subjugá-los à minha vontade, com recurso a químicos durante a adolescência, primeiro com toneladas de gel, depois com tufões de laca, de tudo fiz para os moldar coercivamente.

Como perdia muito tempo com isto e não conseguia um resultado minimamente satisfatório, parti para a radicalidade e comecei a cortá-los rente.

Primeiro não os deixava crescer mais do que três centímetros, depois dois, depois um, até que a ameaça do pente zero se tornou uma realidade.

Foi aqui que a vida para os meus cabelos se tornou verdadeiramente insustentável, e terá sido então que decidiram começar a emigrar.

Consciente desta realidade optei por abrir as fronteiras, e evito até usar bonés  nos últimos tempos, para que eles possam partir à vontade, sem barreiras, para o início desta aventura em busca de um futuro melhor em novas cabeças.

É notório o abandono massivo da minha população capilar nos últimos anos, e suspeito que já não vá a tempo de criar condições para o seu regresso – não sei sequer se me apetecia -, por isso só lhes posso desejar boa sorte na diáspora e pedir-lhes que vão dando notícias aos que cá ficam, que são cada vez menos e mais envelhecidos.

Gel vaginal anti-sida

Julho 20th, 2010

Segunda notícias recentes, foi descoberto um gel vaginal que reduz em 54% o risco de contaminação com o vírus da sida, entre mulheres com parceiros infectados.

O estudo teve a duração de um ano, e a versão oficial é de que essa redução de risco de contágio acontece porque o gel contém uma pequena percentagem do anti-retroviral tenofovir, mas eu acho que os resultados obtidos têm outra explicação.

Toda a gente sabe que as mulheres são, de forma geral, extremamente vaidosas.

Por isso, não tenho dúvidas de que as mulheres sujeitas a este estudo, aproveitaram o acesso a esse gel para deixar crescer as pilosidades púbicas e fazer criativos penteados.

Esses penteados dificultam de sobremaneira a cópula, logo, diminuem drasticamente as hipóteses de contaminação.

Qualquer outra conclusão não passará, à partida, de especulação e conversa pseudo-científica.