Terminologia militar

Agosto 14th, 2013

Ainda há quem discuta se as mulheres devem ou não estar no exército.

Acho que não há discussão possível – devem estar -, mas admito que há coisas que devem ser alteradas.

Há pouco, ouvi alguém referir-se a uma “sargento” como “sargenta”.

Nem todos saberão qual a correta forma semântica e por isso temos que admitir que este será um erro comum.

Ora, este é um termo demasiadamente próximo, foneticamente, de “sarjeta”, o que é claramente depreciativo para o estatuto destas militares.

Quando dita de forma muito rápida, a frase “Fulana de Tal vai ser promovida a sargenta!” poderá levantar imediatamente a questão “E até aqui era o quê, a Fulana de Tal? Latrina?”, para o mais desatento dos transeuntes.

Acho que os nossos generais se deviam debruçar sobre esta temática, pelo menos para criar algum burburinho na messe, que é um sítio normalmente muito pacato.

Já que falamos de messe, penso que poderiam também estudar a mudança do nome desse sítio, porque há muitos que lá vão ter com um papelinho e caneta à procura de um valioso autógrafo, e vêm de lá muito desiludidos porque não era daquilo que estavam à espera.

Só para terminar, se querem chamar “parada militar” a um evento, parem de marchar de um lado para o outro e fiquem mesmo parados, porque com esse movimento todo confundem os mais jovens.bilde

Sereia chantrona

Agosto 7th, 2013

Muitas vezes dou por mim a olhar o mar à procura de sereias.

Esse ser mítico com dotes encantatórios povoa o imaginário desde muito cedo, sempre com uma imagem de beleza, mistério e sedução associada.

E isto porque, deliberadamente, os escritores de contos e fábulas nos omitem que existe outro tipo de sereia.

A sereia chantrona.

Estas representantes menos glamourosas da família mezzohomo sapiens dão também nas vistas, mas no exato inverso das suas congéneres.

São volumosas figuras de metade superior semelhante à Simara e metade inferior de uma orca.

Revestidas a opacos pêlos, ao invés de brilhantes escamas, as sereias chantronas têm também a particularidade de vestir coloridas e apertadas vestes de licra.

Os seus dotes vocais estão ao nível de um cantor de karaoke tailandês e fumam abundantemente, para disfarçar o cheiro a suor.

Muitos foram os navegantes que, atraídos pelo som de uma gravação de melodias interpretadas por belas sereias, entraram depois de uma noite de copos em obscuras grutas marítimas, acordando no dia seguinte ao lado de sereias chantronas e morrendo imediatamente de vergonha ou de ataque de coração.

Como vêm, nem tudo é maravilhoso na fantasia sereiesca e temos que ter muito cuidado com quem deixamos entrar no nosso sonho, sob pena de o deixarmos descambar para algo “série b”, que afugenta a audiência.4474092

T-shirt desportiva de cerimónia

Agosto 1st, 2013

É engraçado ver como as pessoas se aperaltam de forma especial quando vão a sítios ou cerimónias que fogem das suas rotinas habituais.

Tendencialmente vestimos os nossos melhores trapinhos quando vamos a algum lado a que não vamos muitas vezes ou participamos em algum evento especial, engrandecendo o momento.

É também aqui que nos revelamos sociologicamente, expondo aquilo que, para nós, é valioso, importante ou simbólico.

De entre as peças ou sinais que mais saltam à vista como clichés identificativos do que estou a dizer estão os sapatinhos de ir à missa, os vestidos de noite, a brilhantina no cabelo, a camisinha branca, a maquilhagem excessiva ou as jóias em abundância.

Mas de todas as peças deste género, a que mais me desconcerta e causa tremeliques nas células sorrisais é a t-shirt do clube desportivo.

De futebol, basquete ou rugby, acho fabuloso que alguém considere sinónimo de aperaltar-se vestir uma peça de vestuário destas.

Se este é o traje formal, o informal é o quê?

Um colete de cartão?

Uma toga de sarapilheira?

A sério, fico muito confuso.

Nem sei mais o que vos diga.

Vou ver um bocadinho de uma reposição de um qualquer Big Brother, a ver se me epifaniza.

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É engano!

Julho 17th, 2013

Se há coisa extremamente irritante – não dermicamente, mas intra-cranianamente – são aquelas pessoas que nos telefonam por engano e, não contentes por incomodarem uma vez, ligam mais um par ou uma dezena de vezes.

Só para confirmar!

Sempre que isso me acontece, lembro-me de uma pequena rábula que o meu pai contava inúmeras vezes quando eu era miúdo e que me apetece agora partilhar convosco.

Toca o telefone e a pessoa atende.

– Estou sim?

– Estou? Bino?

– Não, não é o Bino.

– Não é o Bino?

– Não.

– Peço desculpa. Foi engano.

Desliga-se o telefone e pouco depois toca novamente.

– Estou?

– Bino? Olha uma coisa…

– Desculpe interromper, mas não é o Bino.

– Ah! Desculpe. Deve ter sido engano.

Mais um pouco e o telefone toca de novo.

– Estou?

– Como é Bino? Já nem ligas à malta… tá tudo?

– Deve haver um equívoco qualquer. Não é o Bino.

– Estou a ligar para o 973432815?

– Sim, mas não é o Bino.

– Então devo ter o número errado. Desculpe lá.

Já num estado de irritação acentuada após tantas chamadas que não lhe eram dirigidas, a personagem que detém o telefone ouve novo toque.

Hesita em pegar no telefone, mas fica sempre aquela sensação de que pode ser algo importante e decide atender.

Do outro lado surge então a frase que menos esperava ouvir.

– Estou sim?

– Bom dia! Daqui fala o Bino. Ligou alguém para mim?

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Entregadores assediados

Julho 12th, 2013

A vida de um entregador de pizzas não deve ser fácil!

Por inerência da função, são expostos a riscos que a maior parte das pessoas negligencia, o que faz com que às vezes se comportem de forma estranha para o comum dos mortais.

Desde logo os riscos que têm que correr para fazer as entregas de forma rápida, serpenteando – por obrigação – no meio do trânsito, como areia vertida num labirinto de seixos do mar.

Depois o risco de serem assaltados por um qualquer janado que colecione cachimbos de motorizada ou necessite de dez euros para a dose de castanha.

Mas o maior dos riscos está na sua vulnerabilidade perante quem está atrás da porta.

E não falo de meliantes, extraterrestres, vampiros ou torturadores.

O maior perigo são as volumosas gerontes com défice massivo de íntima interação física macho/fêmea.

Imaginem o que é deitar um suculento naco de carne fresca para a jaula de um leão que já não come nada há seis anos.

Reparem na diferença proporcional de tamanhos, no estímulo visual do vermelho da carne fresca e na ferocidade animal do leão, em contraponto com a timidez inocente do pedaço de carne.

Cenário letal para a tenrinha carnuncha.

E pior… não há seguro que cubra este risco.

Por isso, da próxima vez que se enervarem com um atraso na entrega ou com um entregador que se vos atravessa à frente no trânsito, respirem fundo e lembrem-se que eles são pessoas que vivem atormentadas por este cenário, que os põe num estado de espírito que os leva a descurar outras eventuais preocupações.

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