Dá Deus gelo a quem não tem limas

Novembro 14th, 2011

Pelos vistos caiu muito granizo durante o fim de semana.

Do tamanho de bolas de golfe, diz a comum testemunha, habituada a calibrar tudo o que lhe chega a mão com algo que tenha a ver com o desporto preferido dos portugueses, logo a seguir ao futebol e à sueca.

São referências arreigadas na nossa cultura, e já não há volta a dar-lhe, aparentemente.

As pessoas queixam-se muito da destruição causada – e se calhar até terão alguns motivos – mas para mim esta algazarra está mal direcionada e o argumento principal anda esquecido.

O granizo é coisa boa e seria benvindo até, há umas semanitas atrás, quando esteve um calor insuportável.

Lembram-se de Outubro?

Aí saberia bem uma quedazita de granizo, porque fazia os telhados das casas mais arejados e podia-se aproveitar esta dádiva dos céus para fazer caipirinhas de grandes dimensões.

Pensem bem nisto: não devíamos estar preparados para aproveitar melhor os recursos que nos caem na tola?

Como é que desperdiçamos a oportunidade de fabricar saborosos cocktails alcoólicos em larga escala?

Se os produtores de limas dotassem o tronco das suas limeiras com baldes onde se pudesse acumular o granizo, seria fácil, juntando algum açúcar, produzir caipirinhas suficientes para nos esquecermos da crise até Janeiro.

E isso é bom.

Há algum desinteresse quanto a esta temática – parece-me – mas a partir de ontem fiquei mais alerta e já equipei o meu carro com um kit de aproveitamento de granizo onde consta um balde, um quilo de limas, uma garrafa de litro de cachaça, um quilo de açúcar, várias palhinhas e um almofariz, para o caso de ser surpreendido por uma granizada.

O próximo passo é montar uma mini-hídrica junto às rodas do carro, para aproveitar a água das chuvas e poupar gasolina.

É só dicas!

Agora aproveitem-nas.

Xiu, xôr agente!

Novembro 7th, 2011

Um dos truques mais utilizados pela indústria cinematográfica, para dar mais ação aos filmes, são as perseguições policiais.

É sempre bastante excitante e prazeroso assistir a uma boa perseguição enquanto se faz uma boa perguiçassão, e por isso essa dupla deve ser convenientemente alimentada, a bem do espectador.

O que me aflige é a forma como às vezes o início dessa perseguição é demasiadamente forçada, retirando a espontaneidade necessária a um entretenimento minimamente credível.

Já assistiram a isto várias vezes, aposto: o meliante está compenetrado a tentar forçar a fechadura de uma casa, quando do fim da rua ouve um grito a clamar para que pare com esta sua ação criminal, permaneça no seu sítio e ponha as mãos no ar.

Invariavelmente o bandido foge, gozando de uma distância inicial que lhe permite manter a fuga durante largos minutos, enquanto se desarrumam contentores do lixo, se disparam balas que acertam em corrimões e se forçam travagens bruscas aos carros que transitam na via pública (quando isto acontece dá bem para ver quem é o polícia e o ladrão, porque o primeiro agradece e pede desculpa ao condutor).

É sabido que os polícias são sempre mais fortes, rápidos e certeiros que os ladrões, tudo bem, mas para quê dar-lhes sempre um avanço tão grande?

A imagem transmitida é uma de duas: ou os polícias do cinema são muito estúpidos e ainda não perceberam que assim estão a “assustar a caça”, dando-lhes uma vantagem desnecessária, ou então são uns irresponsáveis, que para seu entretenimento próprio – já que lhes dá imenso gozo perseguir ladrões -, estão-se nas tintas para o objectivo final e põem em causa a segurança dos cidadãos e o perfeito estado dos objetos danificados durante a perseguição.

Meus amigos, como é que se caçam moscas?

Como é que se obtém bons resultados na pesca?

Com gritinhos a avisar que estamos ali?

Não é, pois não?

É muito mais eficaz que o agente da autoridade se aproxime sem fazer ruído, para depois, à distância de meio braço, aplicar um calduço em condições ao metralha, pondo-o inconsciente!

Ou então disparar um balázio certeiro à cabeça, usando aquela mira espetacular que costumam ter, mas preparando o tiro à distância e em silêncio.

Perdia-se emoção, é certo, mas ganhava-se em contenção de custos e serenidade da vizinhança, e isso é algo que temos que ter em conta, dada a época de crise que vivemos.

Não se acordam meninos, não se partem vidros, não se explodem carros.

Perfeito.

Paz e ordem, senhores agentes das películas, é o que vocês devem garantir, não é exatamente o inverso.

Não se esqueçam que são um exemplo e peçam aos vossos guionistas para vos mudar esta atitude.

Vão ficar muito mais credíveis, serão muito mais admirados pelos métodos utilizados e vão estar muito menos cansados no final do filme, vão ver.

 

 

Acordo ortográfico

Novembro 2nd, 2011

A resistência foi muita, porque achei que esta evolução (?) da língua portuguesa foi imposta politicamente e não emanou de um natural desenvolvimento da língua.

Seja como for, o acordo ortográfico é hoje uma realidade e de nada adianta dizer que foi mal feito, que serve mal a língua portuguesa e que no futuro nos vamos arrepender.

Isso seria velhodorestelhice da minha parte e eu não me revejo nada nessa figura.

Por isso, a partir de hoje vou passar a tentar escrever seguindo as regras do novo acordo e tentar perceber como me sinto a dizer que vou jogar polo.

Não se pode dizer que seja um ato heroico, esta minha nova atitude, mas vai ser com certeza difícil esta adaptação e sinto que até estou a ser um bocadinho corajoso em dar este passo.

Hei de conseguir um dia fazer isto de forma natural e tenho por objetivo chegar ao fim do ano fluente na nova escrita, por isso agradeço que me não me passem a mão pelo pelo se eu der erros, mas, pelo contrário, sejam corretores ativos desta minha nova forma de escrever e me informem de todos os erros que detetem.

Obrigado.

Arte em abóboras

Outubro 30th, 2011

O Halloween é supostamente uma festa assustadora, em que as pessoas abrem a boca para gritar, à medida que vão sendo assustadas.

Não ligo muito a esta data, e acho até que é uma americanice pegada, que nada tem a ver connosco, e o que acho verdadeiramente assustador é que nos deixemos contagiar desta forma por estas tradições importadas.

Desta vez, no entanto, não pude deixar de abrir a boca – mas de espanto – perante as verdadeiras obras de arte que Ray Villafane faz, usando abóboras como matéria prima.

São esculturas absolutamente surpreendentes, de uma qualidade assustadora, mesmo para a época festiva em questão.

Visitando o seu site, descobri que este artista também tem obras notáveis esculpindo areia e que também faz brinquedos.

Um artista de mão cheia, dir-se-ia usando a gíria popular, e por isso não posso deixar de partilhar convosco uma mão cheia de fotografias do seu trabalho e mais uma – à Paulo Futre, só porque me apeteceu.

Encontrarão muito mais no site, que vale bem a pena visitar.


Comunicação com ruído

Outubro 24th, 2011

Pim-Pom.

“Sr. Albano chamado à caixa central. Sr. Albano chamado á caixa ceentral!”

Pim-Pom.

Digam-me uma coisa.

Há algum microfone com clipe nasal incorporado, para venda exclusiva a recepcionistas de grandes superfícies?

Parece que andaram todos num curso especial onde a primeira coisa que lhes ensinam é a enrolar o cabo do rato e enfiá-lo narina acima.

Também posso estar a ser injusto e este defeito comunicacional venha do local onde estes profissionais são colocados: sítios com o ar condicionado permanentemente ligado a 10ºC que os mantêm sempre constipados.

Mesmo tratando-se de um caso assim… ao menos arranjem um desentupidor nasal para estes senhores, por favor!

Isso e um curso de inglês para pilotos de avião.

Alguém percebe o que eles dizem?

Eu fico sempre muito nervoso, porque supostamente, na sua formação, têm que ler uma catrefada de livros técnicos sobre aeronáutica em inglês e depois, quando têm que dizer uma simples frase ao microfone, parece que estão a falar em directo de um restaurante de sílabas.

Como é que se pode ter confiança nesses senhores?

Esta maneira de falar inglês não abona nada para a tranquilidade do passageiro.

Será que perceberam o que estava escrito no manual de instruções do aparelho? – pensará o passageiro enquanto procura as portas de emergência.

Estamos a falar de profissionais muito bem remunerados, não se compreende que se façam entender pior que um leiloeiro de meias e lençóis em cima de uma carrinha-palco numa feira!

Vou-vos dar uma dica, caros profissionais que têm que comunicar via rádio ou microfone: rádio táxi.

Percebe-se sempre muito bem o que dizem e são excelentes conversadores, principalmente a partir das cinco e meia da manhã.

Pensem nisso.